Estado leva emissão de documento à zona rural de Manoel Urbano
Em uma operação que misturou logística de segurança e compromisso social, o Governo do Estado do Acre, via Instituto de Identificação da Polícia Civil, rompeu barreiras geográficas para atender dois moradores do Seringal Arez, em Manoel Urbano. A missão, realizada no último dia 22 de abril, teve como foco a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) para Weslen Regis Cavalcante, que possui deficiência, e sua responsável legal, Gessiana Saldanha Regis.
O pedido, classificado como de extrema urgência pela Assistência Social do município, revelou a luta de uma família que, devido às dificuldades de locomoção e ao isolamento, estava impossibilitada de acessar direitos básicos.
A jornada pelo Rio Purus
O deslocamento da equipe especializada foi um desafio à parte. Após percorrerem a BR-364 a partir de Rio Branco, os servidores iniciaram a etapa fluvial da viagem: 40 minutos de navegação pelo Rio Purus. O trajeto não terminou na margem; sob o rigor do período chuvoso, os profissionais enfrentaram ainda uma caminhada de cerca de um quilômetro em mata fechada, atravessando terrenos lamacentos para alcançar a residência dos solicitantes.
Servidores enfrentam mata fechada e lama para levar cidadania a moradores da zona rural/ Foto: Reprodução
“A segurança pública também se faz com cidadania. Levar a identificação até quem não pode vir ao Estado é garantir que nenhum acreano seja invisível”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin.
O documento como chave para o sustento
Mais do que uma formalidade, a emissão da identidade no local é a única via para que Weslen e Gessiana regularizem sua situação perante os órgãos federais. Sem o documento atualizado, os benefícios assistenciais da família fundamentais para sua sobrevivência estavam suspensos.
Segundo o diretor do Instituto de Identificação, Júnior César da Silva, a mobilização teve caráter humanitário. “O documento é o único caminho para recuperar o sustento da família. Nossa equipe não mediu esforços porque sabemos que para eles isso significa abrir portas para direitos fundamentais”, destacou.
A ação reforça a nova diretriz itinerante do Instituto de Identificação, que foca na inclusão de comunidades ribeirinhas e rurais, onde a presença física do Estado é o fator determinante entre a exclusão e a dignidade jurídica.