O balanço das Mortes Violentas Intencionais (MVI) do mĂŞs de março, da PolĂcia Civil do Acre (PCAC), revela um cenário de “justiça paralela” no Acre. Embora o estado venha conseguindo reduzir o nĂşmero absoluto de vĂtimas em comparação ao ano anterior, a natureza dos crimes preocupa as autoridades: a grande maioria dos assassinatos nĂŁo decorre de brigas casuais ou motivos passionais, mas de execuções planejadas pelas organizações criminosas.
De acordo com o relatĂłrio do Departamento de InteligĂŞncia da PolĂcia Civil, das 14 mortes registradas no Ăşltimo mĂŞs, 10 foram motivadas por “execução” ou “guerra entre facções”. O Ăndice representa 71,42% da letalidade total do estado.
Esse padrĂŁo de crime reflete-se no mĂ©todo utilizado pelos criminosos. O uso de armas de fogo foi o meio empregado em mais de 64% das ocorrĂŞncias consumadas e em 67% das tentativas de homicĂdio, evidenciando o poder de fogo e a intenção clara de nĂŁo dar chances de defesa Ă s vĂtimas.
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Perfil alvo
O “tribunal do crime” tem um alvo bem definido nas estatĂsticas de março: homens jovens. Todas as vĂtimas fatais do mĂŞs eram do sexo masculino, com a maior incidĂŞncia (35,7%) na faixa etária entre 18 e 29 anos. A predominância Ă©tnica tambĂ©m Ă© clara, com 72% das vĂtimas identificadas como pardas.
A capital, Rio Branco, continua sendo o epicentro desses confrontos, concentrando 50% dos casos. Contudo, o relatĂłrio acende um alerta para a regiĂŁo do Alto Acre. Os municĂpios de BrasilĂ©ia e Epitaciolândia, juntos, somaram 4 execuções no mĂŞs, mostrando que o braço armado das facções mantĂ©m forte presença nas zonas de fronteira.

