FODMAPs: o que são e por que alguns alimentos podem causar inchaço e desconforto

Entenda como certos carboidratos fermentáveis podem afetar o intestino e quando a estratégia alimentar pode ser indicada

Por Luana Diniz, ContilNet 13/04/2026

Muitas pessoas relatam sintomas como inchaço abdominal, gases, dor e alterações no intestino, mesmo mantendo uma alimentação considerada saudável. Em muitos desses casos, o problema não está necessariamente na qualidade dos alimentos, mas na forma como o organismo digere certos tipos de carboidratos conhecidos como FODMAPs.

Esse conceito tem sido cada vez mais utilizado na nutrição clínica, especialmente no manejo de distúrbios intestinais.

O que são FODMAPs

FODMAPs é uma sigla em inglês para:

Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols

Ou seja, são carboidratos de difícil digestão, que chegam ao intestino e são fermentados pelas bactérias.

Essa fermentação pode gerar:

  • gases
  • distensão abdominal
  • dor
  • diarreia ou constipação

Principalmente em pessoas com maior sensibilidade intestinal.

Exemplos de alimentos ricos em FODMAPs

Alguns alimentos comuns do dia a dia podem conter esses compostos:

Oligossacarídeos
(trigo, cebola, alho, leguminosas)

Dissacarídeos (lactose)
(leite, queijos, iogurtes)

Monossacarídeos (frutose em excesso)
(mel, maçã, manga)

Polióis
(adoçantes como sorbitol, chicletes, algumas frutas)

Importante: não são alimentos “ruins”

Esses alimentos são saudáveis e nutritivos.

O problema não está no alimento em si, mas na tolerância individual.

Pessoas com síndrome do intestino irritável (SII), sensibilidade intestinal ou disbiose tendem a apresentar mais sintomas.

Quando a dieta low FODMAP pode ser indicada

A estratégia de redução de FODMAPs pode ser útil em casos de:

  • síndrome do intestino irritável
  • distensão abdominal frequente
  • excesso de gases
  • dor abdominal recorrente
  • sensibilidade digestiva

Mas não deve ser feita de forma permanente ou sem orientação.

Como funciona na prática

A abordagem geralmente envolve:

  1. Redução temporária dos alimentos ricos em FODMAPs
  2. Reintrodução gradual
  3. Identificação dos alimentos que causam sintomas

Isso permite uma alimentação mais personalizada e menos restritiva.

Cuidados importantes

  • não é uma dieta para todos
  • não deve ser feita por longos períodos sem acompanhamento
  • pode reduzir ingestão de fibras se mal conduzida

Por isso, a individualização é essencial.

Os FODMAPs não são vilões, mas podem causar desconforto em pessoas sensíveis.

Entender como o corpo reage a determinados alimentos é fundamental para ajustar a alimentação e melhorar a qualidade de vida.

O acompanhamento com um nutricionista é essencial para aplicar essa estratégia de forma segura, equilibrada e personalizada.

Referências científicas

GIBSON, P. R.; SHEPHERD, S. J. Evidence-based dietary management of functional gastrointestinal symptoms: The FODMAP approach. Journal of Gastroenterology and Hepatology, 2010.

STAUDACHER, H. M. et al. Mechanisms and efficacy of dietary FODMAP restriction. Gut, 2014.

Lu Muniz 317 scaled

Luana Diniz 
Foto: Clara Lis

Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.

Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.

É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.