Após um dia de paralisação total que deixou o Terminal Urbano vazio e milhares de pessoas sem transporte em Rio Branco, os ônibus voltaram a circular normalmente nesta quinta-feira (23). A retomada ocorreu depois de uma negociação entre representantes da categoria, empresa e prefeitura, que resultou em uma proposta emergencial aceita pelos trabalhadores.
Segundo Antônio de Oliveira Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (SINTTPAC), o acordo prevê medidas imediatas para tentar aliviar a situação enfrentada pelos rodoviários.
“Tivemos uma conversa, uma negociação com a prefeitura. Veio uma proposta para a categoria e hoje a empresa vai pagar o cartão alimentação, até meio-dia”, afirmou.
Além disso, ficou definido um pagamento parcial dos salários. “Amanhã será feito o adiantamento de 40%, mais a cesta básica”, explicou o sindicalista.
Com base nesse compromisso, a categoria decidiu suspender a paralisação e retomar integralmente as atividades. “A categoria aceitou e voltou a trabalhar 100%”, disse Antônio Neto.
Na prática, isso significou a normalização do serviço ainda nas primeiras horas do dia. A frota voltou a operar completamente, encerrando, ao menos temporariamente, o cenário de colapso registrado na quarta-feira (22), quando nenhum ônibus circulou pela cidade.
Apesar da retomada, o clima entre os trabalhadores ainda é de desconfiança. O sindicato deixou claro que o acordo é frágil e depende do cumprimento rigoroso dos prazos estabelecidos pela empresa.
“Caso não aconteça nada hoje, amanhã volta a greve normal”, alertou o presidente do SINTTPAC, reforçando que a paralisação pode ser retomada a qualquer momento.
A crise no transporte coletivo da capital acreana se intensificou nos últimos dias, após denúncias de atrasos salariais e falta de pagamento de benefícios essenciais, como o vale-alimentação. A situação levou os trabalhadores ao limite, culminando na paralisação espontânea de 100% da frota.
De acordo com o sindicato, o movimento não foi organizado oficialmente pela entidade, mas sim uma reação direta dos trabalhadores diante da falta de perspectiva de pagamento.
“Foi uma decisão dos próprios trabalhadores, uma reação humana diante da falta de salário e de condições básicas”, destacou a entidade anteriormente.
O impacto foi imediato. Sem ônibus nas ruas, o Terminal Urbano amanheceu, na quarta-feira (22), completamente vazio, e a população enfrentou dificuldades para se deslocar, evidenciando a dependência do sistema de transporte coletivo na cidade.
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Diante da pressão, a prefeitura entrou em cena para mediar a situação e evitar que a paralisação se prolongasse. A proposta apresentada foi considerada suficiente para garantir a retomada, mas ainda está longe de resolver o problema estrutural enfrentado pelo sistema.
Para os trabalhadores, o momento ainda é de cautela. “A gente voltou porque houve um compromisso. Mas, se não cumprir, a resposta será imediata”, reforçou Antônio Neto.
A desconfiança tem origem no histórico recente de atrasos e promessas não cumpridas. Muitos trabalhadores relatam dificuldades financeiras severas, agravadas pela ausência simultânea de salário e benefícios.
“A categoria não aguenta mais. Foi por isso que chegou a esse ponto”, resumiu o sindicalista.
Enquanto isso, a população acompanha com apreensão. Apesar da circulação normal dos ônibus nesta quinta-feira, o risco de uma nova paralisação já nesta sexta-feira mantém o clima de incerteza.
O episódio também reacende o debate sobre a fragilidade do sistema de transporte coletivo na capital, especialmente diante de crises financeiras das empresas concessionárias.
Por ora, o funcionamento do serviço depende diretamente do cumprimento do acordo firmado nas últimas horas. Para os trabalhadores, o recado é claro: “Sem pagamento, não tem como trabalhar”.

