A Universidade Federal do Acre (Ufac) divulgou, na última terça-feira (7), a 1ª chamada do vestibular para o curso de Medicina, com oferta de 80 vagas. A novidade é que, diferente de outros anos, o número de aprovados que residem no Acre é de 70 das 80 vagas ofertadas.
De acordo com a pró-reitora de Graduação da Ufac, Edinaceli Damasceno, o número é considerado histórico. Em anos anteriores, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a média de estudantes do Acre que conseguiam a vaga, era menor.
Para a pró-reitora de Graduação, a iniciativa de realizar um vestibular próprio para o curso de Medicina, em substituição ao Sisu, foi uma mudança que garantiu a aplicação do bônus regional e ampliou o acesso ao curso na Ufac para alunos que estudaram em escolas do Acre.
“Nós publicamos ontem, não ainda a totalidade das 80 vagas, porque teve uma cota que não foram preenchidas todas as vagas ofertadas. No entanto, das vagas que nós convocamos ontem dos candidatos, nós temos 70 candidatos convocados, tanto na ampla, quanto também nas cotas, que residem no Acre, o que faz a gente ficar muito feliz por conta da bonificação que tem esse objetivo que é de democratizar esse acesso ao curso de medicina para os estudantes que concluíram o ensino médio no estado do Acre”, explica.
A pró-reitora de Graduação destacou que, dos 70 alunos, há uma pessoa que reside em Boca do Acre e estudou em escolas do Amazonas, mas é considerada acreana por conta do bônus regional. “Tem gente de Senador Guiomard, de Xapuri, e nós estamos muito felizes com esse número que é histórico. Isso só foi possível graças à decisão da nossa reitora, que eu faço questão de enfatizar a professora Guida Aquino”, disse.
Há, ainda, duas candidatas de outros estados: do Envira, no Amazonas, e uma candidata do Distrito Federal, mas com documentação de residência em Rio Branco.
Vestibular e bônus regional
Após diversas situações relacionadas ao bônus regional no Sisu, a Ufac decidiu tirar o curso de Medicina do sistema de seleção, para realização de um vestibular próprio.
“Nós, no início de agosto, levamos essa proposta de fazer o vestibular por conta de toda a história do bônus, que o MEC que não permite a gente colocar bonificação no Sisu. Por conta de toda essa questão, eu levei essa proposta com a nossa reitora. Era uma proposta ousada, porque fazer um vestibular próprio é caro, mas a nossa reitora disse que ia buscar o recurso para realizar, e conseguiu, com emenda do senador Sérgio Petecão. Esse é um resultado que nos dá muita alegria de ter tomado a decisão certa”, disse.
Para a professora Ednaceli, ter tantos alunos estudantes do Acre com acesso ao curso de Medicina na Ufac representa um avanço histórico.
“Isso representa que a Universidade Federal do Acre está cumprindo bastante com o seu papel, que é com o desenvolvimento do Estado. É uma possibilidade enorme e é histórica isso, porque nosso curso de Medicina nós tínhamos pouquíssimos acreanos. De 80 vagas, a gente tinha 10, no máximo, de estudantes acreanos. É uma questão de papel e de missão institucional da Ufac. Quando a gente cria um curso de medicina nessa região e nesse estado, ele tem um objetivo, que é desenvolver a saúde no estado, formar profissionais para que a gente possa ter desenvolvimento da saúde pública no estado”, explicou.
A professora destaca, ainda, que o curso de Medicina tem conceito 5, que é a nota máxima de qualidade do Ministério da Educação para cursos de graduação, além de afirmar o momento histórico de tantos alunos do Acre selecionados para o curso.
“A gente forma esses profissionais para contribuir com o estado, com a saúde pública do estado, com profissionais competentes. A gente forma profissionais qualificadíssimos e quando a gente abre essa possibilidade, democratiza essa possibilidade de mais estudantes acreanos fazerem o curso de Medicina, a gente tem uma consequência disso que é que esses médicos a serem formados, que eles possam atuar contribuindo com a saúde pública do estado. Esse é um momento histórico, um grande feito da Universidade Federal do Acre, onde o curso de Medicina vai realmente fazer o papel dele desde quando foi criado, que é contribuir com a saúde do Estado”, disse.
A Ufac divulgou, na última terça, a lista de convocados para o curso. A pró-reitora de Graduação explicou que a cota LBPPIQ não foi 100% preenchida, por falta de candidatos.
“A cota LBPPIQ é a cota que são pessoas candidatos da escola pública que tem renda per capita de até um salário mínimo e são pretos, pardos, indígenas, quilombolas. Essa cota oferta 16 vagas, oito vagas para o primeiro semestre e oito para o segundo semestre. No entanto, ela não foi preenchida com as 16 vagas, porque não houve candidato suficiente aprovado nessa cota. Nós vamos agora fazer o remanejamento dessas vagas, conforme a portaria do MEC, com a lei que fala do remanejamento das vagas para ocuparmos em uma possível segunda chamada”, finalizou.
Confira a lista de convocados do curso de Medicina:

