Mailza Assis e Tião Bocalom podem até disputar o mesmo espaço político, mas há um fato que as duas campanhas precisam enxergar com clareza: um depende do outro nesta eleição.
Hoje, o cenário mostrado pelas pesquisas é de Alan Rick na frente, enquanto Mailza e Bocalom aparecem próximos, brigando pela segunda colocação. E isso cria uma realidade simples: se os dois passarem o tempo todo se atacando, quem sai ganhando é Alan.
O motivo é direto. Para haver segundo turno, não basta só Alan parar de crescer. É preciso que Mailza e Bocalom também somem votos e cheguem fortes. Se um enfraquece o outro demais, a chance de a eleição terminar logo no primeiro turno aumenta.
Por isso, a disputa entre eles precisa ter limite.
Claro que campanha é confronto, comparação e busca por voto. Ninguém espera amizade entre adversários. Mas existe diferença entre disputar espaço e transformar o outro em inimigo principal.
Quando Mailza bate pesado em Bocalom, pode tirar votos dele, mas também ajuda Alan ao dividir esse campo político. O mesmo vale no caminho contrário: quando Bocalom concentra fogo em Mailza, pode até crescer um pouco, mas corre o risco de enfraquecer o grupo que precisa estar competitivo para levar a eleição adiante.
Tem outro ponto importante: se houver segundo turno contra Alan Rick, a tendência natural é de união. Seja Mailza a escolhida para disputar a fase final, seja Bocalom, o mais provável é que um apoie o outro.
Isso porque os dois têm histórico político próximo, aliados em comum e eleitores que conversam entre si. Não seria difícil essa recomposição.
No fim, a escolha que as campanhas precisam fazer é simples. Podem seguir numa briga sem freio e facilitar a vida de Alan Rick. Ou podem disputar com inteligência, guardar diferenças reais e entender que, neste momento, o sucesso de um também passa pela força do outro.
Bittar é a peça-chave
A possibilidade de uma reaproximação entre Tião Bocalom e Mailza Assis em um eventual segundo turno passa, necessariamente, pelo senador Márcio Bittar (PL).
Nas últimas semanas, circulou a informação de um possível desgaste entre Bittar e Mailza. O rumor ganhou força justamente porque o senador vinha mantendo posição mais discreta nesse processo pré-eleições. Em entrevista ao ContilNet nesta terça-feira, porém, Márcio tratou de afastar a tese de rompimento. Disse que não há racha com Mailza e que apenas atravessa um período sabático.
A declaração recoloca Bittar no centro do debate político.
Isso porque ele tem relação histórica com Bocalom, de quem já foi aliado próximo, e também vínculo político com Mailza e com o grupo governista. Em determinado momento, optou por se afastar do projeto de Bocalom e acompanhar a candidatura de Mailza ao governo, movimento que reorganizou forças naquele campo político.
Por isso, se a eleição chegar ao segundo turno com um dos dois fora da disputa, Márcio tende a ser peça-chave na construção da ponte entre eles.
Se Mailza ficar de fora, Bittar pode atuar para aproximar seu grupo de Bocalom. Se Bocalom não avançar, pode ajudar a reconectar setores ligados ao prefeito ao palanque de Mailza.
Em resumo: mais do que coadjuvante, Márcio Bittar pode ser o nome decisivo para unir lados que hoje disputam espaço, mas que amanhã podem precisar caminhar juntos.
Alysson demonstra competência no fogo cruzado
Recém-chegado ao comando da Prefeitura de Rio Branco, Alysson Bestene já enfrenta um teste de fogo poucos dias após assumir o cargo: a nova paralisação do transporte público, problema antigo da capital e que se arrasta desde de gestões passadas.
Mas, nesse início, Alysson tem demonstrado habilidade política e capacidade de reação diante de um tema que desgastou a gestão anterior por diversas vezes.
Em vez de adotar postura distante, o prefeito foi para a linha de frente. Madrugou ao lado dos motoristas paralisados, abriu diálogo com trabalhadores e intensificou conversas com a empresa responsável pelo serviço.
Nesta quarta-feira, deu um passo mais duro ao decretar situação de emergência no transporte público de Rio Branco. A medida amplia os instrumentos legais da prefeitura para buscar soluções rápidas e abre caminho para apoio e eventual intervenção de outras esferas de governo.
Ainda é cedo para medir resultados práticos, mas o início mostra diferença de método.
Petecão numa sinuca de bico
O senador Sérgio Petecão escolheu, até aqui, o silêncio diante da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, feita pelo presidente Lula. Enquanto os outros dois senadores do Acre, Alan Rick e Márcio Bittar, já anunciaram voto contrário, Petecão evita revelar como pretende se posicionar.
A cautela tem explicação. Petecão se prepara para disputar a reeleição em um estado de perfil majoritariamente conservador, onde o eleitorado de direita tem peso expressivo. Assumir publicamente apoio a uma indicação de Lula para o STF, neste momento, poderia gerar desgaste junto a esse segmento.
Por outro lado, votar contra também tem custo.
Petecão integra a base do governo em diversas votações no Senado, mantém relação política estável com o Planalto e conta com espaços indicados ao governo federal no Acre. Além disso, na última indicação de Lula ao Supremo, do ministro Flávio Dino, votou favoravelmente.
Ou seja: o senador está espremido entre dois mundos. Se votar a favor de Jorge Messias, corre risco eleitoral num ano decisivo. Se votar contra, entra em contradição com a postura que vem adotando em Brasília.
Quer surfar na exclusividade que nem tem
O deputado federal Roberto Duarte correu para divulgar nesta semana que teria sido o único parlamentar da bancada acreana a votar a favor da PEC que propõe o fim da escala 6×1. A frase chama atenção, rende manchete e passa uma imagem positiva. O problema é que, contada assim, induz a uma interpretação errada.
Primeiro: a votação realizada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara foi simbólica. Ou seja, não houve registro nominal de voto de todos os parlamentares no painel, como acontece em votações mais sensíveis. Tratava-se da admissibilidade da proposta, etapa inicial para permitir que a PEC siga tramitando.
Segundo: entre os deputados federais do Acre, apenas Roberto Duarte e Coronel Ulysses integram a CCJ. Os demais parlamentares da bancada acreana não participaram dessa votação específica, justamente porque não fazem parte da comissão.
Por isso, quando a manchete é espalhada aos quatro cantos dizendo que Roberto foi o único deputado do Acre a votar a favor, fica a impressão de que os demais votaram contra ou se omitiram deliberadamente. E isso simplesmente não corresponde aos fatos.
Há ainda um terceiro ponto que merece justiça política. A deputada Socorro Neri foi uma das primeiras parlamentares do Acre a defender publicamente o fim da escala 6×1, ainda no ano passado, antes mesmo de o tema ganhar força na Câmara.
Além disso, Socorro está entre as autoras da PEC, cujo relatório acabou aprovado agora na CCJ.
Em resumo: Roberto Duarte tem mérito por apoiar a proposta, mas exagera ao vender protagonismo exclusivo. A realidade é mais simples: ele estava na comissão, participou de uma votação simbólica e surfou politicamente numa manchete que deixou muita coisa de fora.

