Mailza precisa neutralizar urgente os “Brutus” que estão atuando nas sombras

O fator tempo também impÔe pressão. Com um mandato curto e a necessidade de viabilizar a reeleição, cada escolha ganha peso estratégico

Por Wania Pinheiro, ContilNet 15/04/2026 Atualizado: hĂĄ 2 dias

Na polĂ­tica, os maiores riscos raramente vĂȘm de fora. Eles se infiltram nos corredores do poder, vestem ternos alinhados, oferecem conselhos aparentemente estratĂ©gicos e, muitas vezes, falam em nome da lealdade. É nesse ambiente que a governadora Mailza Assis precisa redobrar sua atenção.

Os verdadeiros adversĂĄrios nĂŁo sĂŁo necessariamente aqueles que fazem oposição aberta, que discursam contra o governo ou que disputam espaço nas urnas. Esses sĂŁo visĂ­veis, previsĂ­veis e, atĂ© certo ponto, administrĂĄveis. O perigo maior estĂĄ nos “Brutus” contemporĂąneos, figuras prĂłximas, influentes, que operam nos bastidores e moldam decisĂ”es com interesses prĂłprios.

Hå sinais claros desse fenÎmeno quando decisÔes administrativas passam a atingir alvos que, em tese, não representam ameaça direta ao governo, mas sim incÎmodo a determinados auxiliares. Esse tipo de movimento revela mais sobre disputas internas do que sobre estratégia de gestão. Quando a caneta é usada para resolver conflitos pessoais ou proteger feudos, o governo perde foco, e, com isso, perde força política.

Mailza Assis carrega um ativo importante: a percepção de boa-fĂ©. HĂĄ um entendimento amplo de que deseja acertar, entregar resultados e construir uma gestĂŁo que dialogue com a população. No entanto, intenção nĂŁo basta em um ambiente polĂ­tico complexo. É preciso controle sobre o entorno, filtragem rigorosa de conselhos e, sobretudo, independĂȘncia nas decisĂ”es.

O fator tempo tambĂ©m impĂ”e pressĂŁo. Com um mandato curto e a necessidade de viabilizar a reeleição, cada escolha ganha peso estratĂ©gico. NĂŁo hĂĄ margem para erros induzidos ou decisĂ”es contaminadas por interesses paralelos. O governo precisa ser cirĂșrgico, eficiente e, acima de tudo, coerente.

Nesse cenårio, a aliança com Gladson Cameli continua sendo peça-chave. Independentemente de conjunturas imediatas, ele permanece como um dos principais ativos políticos da base governista, alguém capaz de agregar votos, consolidar apoios e influenciar o rumo eleitoral. Sua presença pode funcionar tanto como escudo quanto como alavanca.

Mas nenhuma aliança externa compensa fragilidades internas. Se os “lobisomens” da política, oportunistas, conspiradores e articuladores silenciosos continuarem a operar sem freios dentro da estrutura de governo, qualquer projeto maior ficará comprometido.

Mailza precisa, portanto, fazer um movimento claro: separar lealdade de conveniĂȘncia. Identificar quem soma ao projeto de governo e quem apenas se beneficia dele. A histĂłria polĂ­tica mostra que lĂ­deres que nĂŁo enfrentam seus conflitos internos acabam sendo derrotados por eles.

O desafio estĂĄ posto. Mais do que enfrentar adversĂĄrios declarados, a governadora precisa neutralizar aqueles que atuam nas sombras. Porque, no fim, sĂŁo esses que costumam definir o destino de um governo.

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