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Mailza precisa neutralizar urgente os “Brutus” que estão atuando nas sombras

Por Wania Pinheiro, ContilNet

Na política, os maiores riscos raramente vêm de fora. Eles se infiltram nos corredores do poder, vestem ternos alinhados, oferecem conselhos aparentemente estratégicos e, muitas vezes, falam em nome da lealdade. É nesse ambiente que a governadora Mailza Assis precisa redobrar sua atenção.

Os verdadeiros adversários não são necessariamente aqueles que fazem oposição aberta, que discursam contra o governo ou que disputam espaço nas urnas. Esses são visíveis, previsíveis e, até certo ponto, administráveis. O perigo maior está nos “Brutus” contemporâneos, figuras próximas, influentes, que operam nos bastidores e moldam decisões com interesses próprios.

Há sinais claros desse fenômeno quando decisões administrativas passam a atingir alvos que, em tese, não representam ameaça direta ao governo, mas sim incômodo a determinados auxiliares. Esse tipo de movimento revela mais sobre disputas internas do que sobre estratégia de gestão. Quando a caneta é usada para resolver conflitos pessoais ou proteger feudos, o governo perde foco, e, com isso, perde força política.

Mailza Assis carrega um ativo importante: a percepção de boa-fé. Há um entendimento amplo de que deseja acertar, entregar resultados e construir uma gestão que dialogue com a população. No entanto, intenção não basta em um ambiente político complexo. É preciso controle sobre o entorno, filtragem rigorosa de conselhos e, sobretudo, independência nas decisões.

O fator tempo também impõe pressão. Com um mandato curto e a necessidade de viabilizar a reeleição, cada escolha ganha peso estratégico. Não há margem para erros induzidos ou decisões contaminadas por interesses paralelos. O governo precisa ser cirúrgico, eficiente e, acima de tudo, coerente.

Nesse cenário, a aliança com Gladson Cameli continua sendo peça-chave. Independentemente de conjunturas imediatas, ele permanece como um dos principais ativos políticos da base governista, alguém capaz de agregar votos, consolidar apoios e influenciar o rumo eleitoral. Sua presença pode funcionar tanto como escudo quanto como alavanca.

Mas nenhuma aliança externa compensa fragilidades internas. Se os “lobisomens” da política, oportunistas, conspiradores e articuladores silenciosos continuarem a operar sem freios dentro da estrutura de governo, qualquer projeto maior ficará comprometido.

Mailza precisa, portanto, fazer um movimento claro: separar lealdade de conveniência. Identificar quem soma ao projeto de governo e quem apenas se beneficia dele. A história política mostra que líderes que não enfrentam seus conflitos internos acabam sendo derrotados por eles.

O desafio está posto. Mais do que enfrentar adversários declarados, a governadora precisa neutralizar aqueles que atuam nas sombras. Porque, no fim, são esses que costumam definir o destino de um governo.

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