Rede reage Ă  permanĂȘncia de Marina e diz que ministra “se recusa a dialogar”

Apesar das divergĂȘncias, Marina anunciou no Ășltimo sĂĄbado (4) que permanecerĂĄ na legenda

Calor causa queda de pressĂŁo em Marina Silva durante evento oficial
Apesar do desempenho, Marina ainda não confirmou oficialmente candidatura. — Foto: Reprodução
📾 Foto: Reprodução

A direção nacional da Rede Sustentabilidade reagiu com crĂ­ticas Ă  decisĂŁo da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de permanecer na legenda. Em nota divulgada nesta semana, o partido afirmou que a ministra “se recusa a dialogar com a direção partidĂĄria” e classificou o anĂșncio como motivo de “indignação e perplexidade”.

O embate ocorre após uma mudança na correlação de forças internas da sigla. O grupo ligado a Marina perdeu espaço para uma ala associada à deputada Heloísa Helena. A reconfiguração, construída de forma gradual desde 2022, ganhou força após Marina aceitar o convite do presidente Luiz Inåcio Lula da Silva para comandar o Ministério do Meio Ambiente.

Desde então, a Rede passou a conviver com dois projetos distintos. De um lado, aliados da ministra defendem uma atuação institucional, com participação no governo federal. Do outro, o grupo vinculado a Heloísa Helena sustenta uma linha mais ideológica e crítica à presença do partido no Executivo.

Apesar das divergĂȘncias, Marina anunciou no Ășltimo sĂĄbado (4) que permanecerĂĄ na legenda. Em nota pĂșblica, afirmou que a decisĂŁo Ă© resultado de reflexĂŁo sobre o cenĂĄrio polĂ­tico e reiterou o compromisso de fortalecer um campo democrĂĄtico plural.

A resposta da direção da Rede, no entanto, elevou o tom do conflito. No texto, o partido afirma: “Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua ‘permanĂȘncia’ na REDE”. Em outro trecho, a sigla diz que “a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidĂĄria” e que “em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”.

A direção tambĂ©m rebate a narrativa de perseguição interna e destaca que divergĂȘncias jĂĄ ocorreram anteriormente. “A REDE nĂŁo tem dono. É um partido construĂ­do para conviver com divergĂȘncias, sem submissĂŁo a vontades individuais”, diz a nota.

O documento ainda menciona episódios passados, como o apoio de Marina ao então candidato Aécio Neves em 2014 e posiçÔes adotadas em momentos de crise política, para sustentar que não houve puniçÔes internas mesmo diante de discordùncias.

Outro ponto levantado pela sigla Ă© a judicialização das disputas internas. “A judicialização em sĂ©rie promovida por seu grupo, com centenas de açÔes, configura prĂĄtica de lawfare”, afirma o texto, acrescentando que a maior parte das açÔes foi rejeitada e que a atual direção segue reconhecida.

A nota também reafirma o posicionamento político da legenda, com apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, além de defender o fortalecimento da democracia, justiça social e combate à crise climåtica.

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O episódio expÔe o aprofundamento das tensÔes dentro da Rede, em meio à disputa por direção política e estratégias eleitorais.

Confira a nota na Ă­ntegra:

Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua “permanĂȘncia” na REDE.
Indignação porque a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidåria. Perplexidade porque em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.

As especulaçÔes sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita.

Escolhida de forma democrĂĄtica, a direção da REDE trabalha diariamente para fortalecer o partido de baixo para cima, em conformidade com o estatuto, o programa e os princĂ­pios fundacionais de 16 de fevereiro de 2013. É essa orientação que tem permitido posicionar a REDE com clareza no campo democrĂĄtico-popular, assegurando crescimento orgĂąnico, coerĂȘncia polĂ­tica e presença institucional.

A REDE nĂŁo tem dono. É um partido construĂ­do para conviver com divergĂȘncias, sem submissĂŁo a vontades individuais.

Assim foi em momentos de forte tensão interna, inclusive quando Marina defendeu posiçÔes desconfortåveis para parte do partido, como no apoio a Aécio Neves em 2014, na defesa do impeachment e na concordùncia com a intervenção federal no Rio de Janeiro. Mesmo diante desse giro político, que custou à REDE a perda de quadros importantes, jamais houve sanção, censura ou perseguição ou declaraçÔes de autoritarismo.

NĂŁo atender pretensĂ”es pessoais de uma liderança nĂŁo Ă© autoritarismo. É compromisso com a vida democrĂĄtica interna.

Democracia exige respeito às decisÔes coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas.

Também não procede a tentativa de apresentar saídas recentes de mandatårios como fruto de perseguição. Não houve expulsão. Houve, isso sim, uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que não prosperou diante da chegada de novas lideranças, como Luizianne Lins e André Janones.

Alguns saíram; outros permaneceram, inclusive a própria ex-ministra, ainda com obrigaçÔes partidårias a cumprir.

A judicialização em sĂ©rie promovida por seu grupo, com centenas de açÔes, configura prĂĄtica de lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição polĂ­tica. Ao contrĂĄrio do que se tenta fazer crer, a Justiça nĂŁo anulou o 5Âș Congresso Nacional da REDE. A maior parte das açÔes foi rejeitada, e a atual direção segue plenamente reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição.

Seguimos firmes no apoio à reeleição de Lula, na defesa da vitória de Haddad em São Paulo e no compromisso com a democracia, a justiça social, o combate à crise climåtica e a soberania nacional.

Todos os que desejem fortalecer eleitoralmente a REDE sĂŁo bem-vindos, evidentemente respeitando as regras partidĂĄrias e do bom convĂ­vio. DecisĂ”es referentes a apoios e candidaturas da REDE serĂŁo tomadas no Ăąmbito do partido com dialogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferĂȘncias externas.

DivergĂȘncias devem ser enfrentadas pelas vias estatutĂĄrias, com debate franco e leal. A REDE nĂŁo se curva a imposiçÔes de quem quer que seja. Essa independĂȘncia faz parte de seu DNA, de sua histĂłria e de sua credibilidade.

Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
BrasĂ­lia/DF, 5 de abril de 2026.

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