A direção nacional da Rede Sustentabilidade reagiu com crĂticas Ă decisĂŁo da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de permanecer na legenda. Em nota divulgada nesta semana, o partido afirmou que a ministra âse recusa a dialogar com a direção partidĂĄriaâ e classificou o anĂșncio como motivo de âindignação e perplexidadeâ.
O embate ocorre apĂłs uma mudança na correlação de forças internas da sigla. O grupo ligado a Marina perdeu espaço para uma ala associada Ă deputada HeloĂsa Helena. A reconfiguração, construĂda de forma gradual desde 2022, ganhou força apĂłs Marina aceitar o convite do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva para comandar o MinistĂ©rio do Meio Ambiente.
Desde entĂŁo, a Rede passou a conviver com dois projetos distintos. De um lado, aliados da ministra defendem uma atuação institucional, com participação no governo federal. Do outro, o grupo vinculado a HeloĂsa Helena sustenta uma linha mais ideolĂłgica e crĂtica Ă presença do partido no Executivo.
Apesar das divergĂȘncias, Marina anunciou no Ășltimo sĂĄbado (4) que permanecerĂĄ na legenda. Em nota pĂșblica, afirmou que a decisĂŁo Ă© resultado de reflexĂŁo sobre o cenĂĄrio polĂtico e reiterou o compromisso de fortalecer um campo democrĂĄtico plural.
A resposta da direção da Rede, no entanto, elevou o tom do conflito. No texto, o partido afirma: âRecebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua âpermanĂȘnciaâ na REDEâ. Em outro trecho, a sigla diz que âa ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidĂĄriaâ e que âem nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamentoâ.
A direção tambĂ©m rebate a narrativa de perseguição interna e destaca que divergĂȘncias jĂĄ ocorreram anteriormente. âA REDE nĂŁo tem dono. Ă um partido construĂdo para conviver com divergĂȘncias, sem submissĂŁo a vontades individuaisâ, diz a nota.
O documento ainda menciona episĂłdios passados, como o apoio de Marina ao entĂŁo candidato AĂ©cio Neves em 2014 e posiçÔes adotadas em momentos de crise polĂtica, para sustentar que nĂŁo houve puniçÔes internas mesmo diante de discordĂąncias.
Outro ponto levantado pela sigla Ă© a judicialização das disputas internas. âA judicialização em sĂ©rie promovida por seu grupo, com centenas de açÔes, configura prĂĄtica de lawfareâ, afirma o texto, acrescentando que a maior parte das açÔes foi rejeitada e que a atual direção segue reconhecida.
A nota tambĂ©m reafirma o posicionamento polĂtico da legenda, com apoio Ă reeleição de Lula e Ă candidatura de Fernando Haddad em SĂŁo Paulo, alĂ©m de defender o fortalecimento da democracia, justiça social e combate Ă crise climĂĄtica.
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O episĂłdio expĂ”e o aprofundamento das tensĂ”es dentro da Rede, em meio Ă disputa por direção polĂtica e estratĂ©gias eleitorais.
Confira a nota na Ăntegra:
Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua âpermanĂȘnciaâ na REDE.
Indignação porque a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidåria. Perplexidade porque em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.
As especulaçÔes sobre sua saĂda sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita.
Escolhida de forma democrĂĄtica, a direção da REDE trabalha diariamente para fortalecer o partido de baixo para cima, em conformidade com o estatuto, o programa e os princĂpios fundacionais de 16 de fevereiro de 2013. Ă essa orientação que tem permitido posicionar a REDE com clareza no campo democrĂĄtico-popular, assegurando crescimento orgĂąnico, coerĂȘncia polĂtica e presença institucional.
A REDE nĂŁo tem dono. Ă um partido construĂdo para conviver com divergĂȘncias, sem submissĂŁo a vontades individuais.
Assim foi em momentos de forte tensĂŁo interna, inclusive quando Marina defendeu posiçÔes desconfortĂĄveis para parte do partido, como no apoio a AĂ©cio Neves em 2014, na defesa do impeachment e na concordĂąncia com a intervenção federal no Rio de Janeiro. Mesmo diante desse giro polĂtico, que custou Ă REDE a perda de quadros importantes, jamais houve sanção, censura ou perseguição ou declaraçÔes de autoritarismo.
Não atender pretensÔes pessoais de uma liderança não é autoritarismo. à compromisso com a vida democråtica interna.
Democracia exige respeito Ă s decisĂ”es coletivas, e nĂŁo o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses polĂticos ou tentar bloquear suas contas.
TambĂ©m nĂŁo procede a tentativa de apresentar saĂdas recentes de mandatĂĄrios como fruto de perseguição. NĂŁo houve expulsĂŁo. Houve, isso sim, uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que nĂŁo prosperou diante da chegada de novas lideranças, como Luizianne Lins e AndrĂ© Janones.
Alguns saĂram; outros permaneceram, inclusive a prĂłpria ex-ministra, ainda com obrigaçÔes partidĂĄrias a cumprir.
A judicialização em sĂ©rie promovida por seu grupo, com centenas de açÔes, configura prĂĄtica de lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição polĂtica. Ao contrĂĄrio do que se tenta fazer crer, a Justiça nĂŁo anulou o 5Âș Congresso Nacional da REDE. A maior parte das açÔes foi rejeitada, e a atual direção segue plenamente reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição.
Seguimos firmes no apoio à reeleição de Lula, na defesa da vitória de Haddad em São Paulo e no compromisso com a democracia, a justiça social, o combate à crise climåtica e a soberania nacional.
Todos os que desejem fortalecer eleitoralmente a REDE sĂŁo bem-vindos, evidentemente respeitando as regras partidĂĄrias e do bom convĂvio. DecisĂ”es referentes a apoios e candidaturas da REDE serĂŁo tomadas no Ăąmbito do partido com dialogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferĂȘncias externas.
DivergĂȘncias devem ser enfrentadas pelas vias estatutĂĄrias, com debate franco e leal. A REDE nĂŁo se curva a imposiçÔes de quem quer que seja. Essa independĂȘncia faz parte de seu DNA, de sua histĂłria e de sua credibilidade.
Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
BrasĂlia/DF, 5 de abril de 2026.
