Restaurante de MC Ryan SP era usado para lavagem de dinheiro, diz PF

Bololô Restaurant & Bar é apontado pela Polícia Federal como peça estratégica para dar aparência legal a dinheiro do crime organizado

Por Redação ContilNet 19/04/2026 às 20:33

As investigações da Polícia Federal que culminaram na prisão de MC Ryan SP trazem detalhes sobre o funcionamento de uma sofisticada estrutura financeira. No centro do esquema aparece o Bololô Restaurant & Bar, estabelecimento ligado ao grupo do cantor, que, segundo a PF, servia como uma peça estratégica para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita.

De acordo com o relatório da operação, o restaurante não era apenas um ponto de entretenimento, mas um local de arrecadação e circulação de valores ligados a uma organização criminosa. A dinâmica envolvia o uso de depósitos fracionados, uma tática conhecida para evitar o alerta de órgãos de controle e dificultar o rastreamento bancário.

A “Taxa Cebola” e a mescla financeira

O relatório aponta que o restaurante recebia transferências constantes de outras empresas e investigados citados no esquema. Um dos pontos que mais chamou a atenção dos agentes foi o recebimento de valores identificados internamente como “cebola”  uma espécie de contribuição periódica atribuída à organização.

Para manter a aparĂŞncia de um negĂłcio legĂ­timo, o BololĂ´ operava normalmente, pagando fornecedores e atendendo ao pĂşblico. No entanto, o faturamento real era “mesclado” com os valores ilĂ­citos. Entre abril de 2024 e outubro de 2025, o local movimentou mais de R$ 30 milhões, mĂ©dia mensal que a perĂ­cia da PF considerou totalmente incompatĂ­vel com a capacidade operacional do bar.

Uso de familiares e laranjas

A Polícia Federal também indica que familiares do funkeiro podem ter sido utilizados como intermediários na administração do negócio. O objetivo seria ocultar a identidade dos verdadeiros responsáveis pelas operações e dificultar a identificação da origem do dinheiro.

A operação, que contou com mais de 200 agentes, resultou no bloqueio de bilhões de reais em bens de diversos investigados do meio artístico e digital. As defesas dos envolvidos afirmam que ainda buscam acesso completo aos autos, que tramitam sob sigilo de justiça. O caso segue em fase de análise de documentos e o fluxo financeiro do grupo deve ser detalhado nas próximas semanas.

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