A crise no transporte coletivo de Rio Branco ganhou um novo rumo nesta quarta-feira (22) depois que o prefeito Alysson Bestene se reuniu diretamente com representantes dos trabalhadores. O encontro resultou na suspensão da paralisação por 48 horas, dando um prazo para que a prefeitura e as empresas tentem encontrar soluções para os problemas que afetam o serviço.
Segundo o prefeito, a conversa com o sindicato foi marcada por diálogo e tentativa de entendimento. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a gestão municipal está buscando agir com responsabilidade diante da situação e destacou que houve avanço nas negociações. Com isso, os motoristas decidiram interromper o movimento temporariamente enquanto aguardam medidas concretas.
“Estivemos reunidos com o sindicato dos trabalhadores do transporte público de Rio Branco, mantendo um diálogo aberto, responsável e respeitoso, ouvindo atentamente as demandas da categoria e buscando, juntos, soluções para superar a crise enfrentada. Diante do cenário dos últimos dias, reforçamos nosso compromisso em agir com responsabilidade e equilíbrio. Avançamos no entendimento e conseguimos um acordo para que o movimento conceda um prazo de 48 horas, suspendendo as paralisações, enquanto trabalhamos na adoção de medidas concretas para garantir a normalização do transporte e o respeito aos trabalhadores e usuários”, esclareceu o prefeito Alysson Bestene em publicação nas redes sociais.
A paralisação havia sido organizada pelos próprios trabalhadores e ganhou força nas redes sociais, sendo chamada de “paralisação independente”. Mensagens compartilhadas pelos motoristas pediam atenção da população para a situação enfrentada pela categoria, indicando insatisfação com as condições de trabalho.
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Entre as principais reclamações estão atrasos frequentes nos salários, dificuldades para receber pagamentos dentro do prazo e a falta de depósitos de benefícios como FGTS e INSS. Outro problema citado envolve empréstimos consignados: segundo os trabalhadores, valores estariam sendo descontados dos salários, mas não repassados corretamente aos bancos, o que estaria gerando cobranças indevidas.
O cenário de tensão aumentou nos últimos dias, principalmente após a prefeitura suspender a licitação que tratava da nova concessão do transporte público na capital. A decisão veio após questionamentos sobre o processo, o que acabou ampliando as incertezas sobre o futuro do sistema.
Enquanto isso, a empresa responsável por parte da operação, a Ricco Transportes, também se manifestou publicamente. Em nota divulgada na terça-feira (21), a companhia afirmou que enfrenta dificuldades financeiras e que manter o serviço tem sido cada vez mais complicado.
De acordo com a empresa, os custos para operar o sistema superam a arrecadação. Um levantamento apresentado mostra que, entre os dias 1º e 20 de abril, houve mais gastos do que receitas, resultando em prejuízo. A Ricco ainda declarou que continua operando para evitar a interrupção total do transporte na cidade, mas alertou que a situação chegou ao limite.
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A empresa também informou que já havia comunicado à prefeitura, no início de fevereiro, que não tinha interesse em renovar um contrato emergencial. Mesmo assim, os ônibus continuaram circulando, segundo a companhia, para não prejudicar a população.
Diante desse cenário, a reunião entre prefeitura e trabalhadores foi vista como um passo importante para evitar um colapso no transporte público. A expectativa agora é que, dentro do prazo de 48 horas, sejam apresentadas medidas capazes de garantir tanto o funcionamento do serviço quanto o cumprimento dos direitos dos trabalhadores.
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Por enquanto, os ônibus seguem circulando normalmente, mas a situação ainda depende dos próximos desdobramentos das negociações.

