Anvisa vai monitorar efeitos colaterais de canetas emagrecedoras

Por Alex Rodrigues - RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil 06/05/2026 Ă s 18:02

Preocupada com o crescente uso das chamadas canetas emagrecedoras – muitas vezes para fins ou formas nĂŁo previstos na bula – a diretoria da AgĂȘncia Nacional de VigilĂąncia SanitĂĄria (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (6), um Plano de FarmacovigilĂąncia Ativa.

A iniciativa marca mudança na estratĂ©gia do ĂłrgĂŁo: em vez de apenas aguardar relatos voluntĂĄrios de pacientes e mĂ©dicos, a agĂȘncia passarĂĄ a realizar, em parceria com estabelecimentos de saĂșde, um monitoramento proativo.

NotĂ­cias relacionadas:Tratamentos inadequados podem agravar asma em adultos, mostra estudo.Anvisa e PF vĂŁo combater venda ilegal de medicamentos emagrecedores.Quase mil mĂ©dicos sofreram agressĂŁo no trabalho no RJ desde 2018.O foco Ă© identificar, de forma sistemĂĄtica, eventuais efeitos colaterais do uso de medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1 (sigla do inglĂȘs glucagon-like peptide-1, ou peptĂ­deo semelhante ao glucagon 1), popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Segundo o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida Ă© uma resposta direta ao “crescimento expressivo do consumo” e ao aumento de complicaçÔes no Brasil. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificaçÔes de eventos adversos relacionados aos medicamentos, especialmente em 2025, e com predominĂąncia de casos associados ao uso da semaglutida.

“Estamos diante de medicamentos com benefĂ­cios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situaçÔes fora das indicaçÔes aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clĂ­nico adequado”, afirmou o diretor, durante a 7ÂȘ reuniĂŁo pĂșblica da diretoria da agĂȘncia.

>> Siga o canal da AgĂȘncia Brasil no WhatsApp

Campos destacou que a demanda pelas canetas emagrecedoras tem alimentado a circulação de produtos falsificados, manipulados em condiçÔes inadequadas ou de procedĂȘncia desconhecida. A venda de medicamentos irregulares Ă© crime previsto no artigo nÂș 273 do CĂłdigo Penal. 

“Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitĂĄrio gravĂ­ssimo. NĂŁo hĂĄ como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficĂĄcia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sĂ©rios e a danos irreversĂ­veis.”

Segundo o diretor, a iniciativa é desdobramento do plano de ação anunciado no inĂ­cio do mĂȘs passado, com foco no monitoramento pĂłs-venda e no fortalecimento das açÔes de farmacovigilĂąncia dos medicamentos agonistas do receptor do GLP-1.

O monitoramento conta ainda com a participação voluntĂĄria da Rede Sentinela, composta por serviços de saĂșde, estabelecimentos de ensino e pesquisa, serviços de assistĂȘncia farmacĂȘutica, laboratĂłrios clĂ­nicos e de anatomia patolĂłgica. A ação agrega a HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Ebserh), que reĂșne hospitais universitĂĄrios em todo o paĂ­s.

O diretor defendeu a importĂąncia da ação, complementada com acordo de cooperação da PolĂ­cia Federal (PF) para açÔes conjuntas.“A iniciativa estĂĄ aberta Ă  adesĂŁo de outros hospitais com capacidade tĂ©cnica e compromisso com a qualificação das notificaçÔes Ă  vigilĂąncia sanitĂĄria e com a segurança do uso de medicamentos”, explicou Campos. 

É na fase pĂłs-comercialização que riscos raros, tardios ou associados a situaçÔes especĂ­ficas de uso passam efetivamente a se manifestar.

“NĂŁo basta registrar medicamentos. É indispensĂĄvel acompanharmos como eles se comportam na vida real”, acrescentou o diretor, argumentando que a sociedade nĂŁo pode permitir que “o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos associados ao uso indiscriminado” de novos medicamentos.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o interesse despertado pelas canetas emagrecedoras exige uma atuação “firme, coordenada e muito atenta” por parte da agĂȘncia reguladora. Motivo pelo qual, segundo ele, o modelo de farmacovigilĂąncia ativa cumpre um papel “absolutamente estratĂ©gico”.

“NĂŁo podemos apenas esperar que as notificaçÔes cheguem Ă  agĂȘncia. É preciso organizar junto aos serviços de saĂșde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informaçÔes recebidas e ampliar nossa capacidade de anĂĄlise dos riscos associados ao uso destes medicamentos”, defendeu Safatle.


ConteĂșdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Alex Rodrigues – RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.