A condenação do ex-governador Gladson Camelí pelo STJ começou a produzir efeitos imediatos nos bastidores da política acreana. Um dia após a decisão, o senador Márcio Bittar comentou publicamente o caso e evitou tratar de cenários eleitorais enquanto ainda houver possibilidade de recurso por parte do aliado.
Em entrevista ao ContilNet nesta quinta-feira (7), Bittar afirmou que mantém uma relação de mais de duas décadas com Gladson e disse que prefere aguardar os desdobramentos judiciais antes de discutir qualquer substituição na chapa para o Senado.
“Essa pergunta é uma oportunidade de lembrar as pessoas que eu tenho uma relação com o Gladson de mais de duas décadas. Eu ajudei a recepcionar o Eduardo Braga quando ele veio para o PPS, que eu já fazia parte. Eu ia a Manaus em 2001, já com amizade com o Eduardo Braga, e lá o Gladson, sempre atento às coisas do Acre e já decidido que um dia queria ser governador”, declarou.
Bittar disse que não pretende fazer julgamento sobre a decisão judicial e afirmou que respeita o andamento do processo.
“Eu não vou julgar a Justiça. O meu comportamento é o mesmo, inclusive, quando era com o meu irmão, Mauro Bittar. Eu lembro que o Mauro sofreu durante décadas sob o negócio da conta Flávio Nogueira, e eu nunca fui à televisão falar mal da Justiça. Eu tenho que respeitar a Justiça, assim como respeitar o fato de que, enquanto existem instâncias, enquanto existem mecanismos de você buscar sua inocência, nós temos que respeitar”, afirmou.
Nos bastidores, a condenação de Gladson abriu discussões sobre quem poderia assumir a vaga na chapa ao Senado caso a inelegibilidade seja mantida. O ContilNet apurou que os deputados Coronel Ulysses e Eduardo Velloso aparecem entre os nomes cogitados.
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Embora não tenha confirmado apoio a nenhum possível substituto, Eduardo Velloso participou nesta quinta-feira de agenda pública ao lado de Bittar no Hospital Santa Casa, em Rio Branco, durante entrega de equipamentos adquiridos por meio de emendas do senador.
Na entrevista, Bittar também fez uma manifestação pessoal de solidariedade ao ex-governador.
“Como ser humano e como amigo do Gladson, lamento profundamente o que aconteceu com ele ontem. Eu sei que isso mexe com a família. Ele é pai, ele é filho. Então hoje os pais dele, os irmãos dele, estão com certeza envolvidos nisso. Eu quero prestar aqui minha solidariedade a ele”, disse.
O senador afirmou ainda que sempre imaginou disputar a eleição em dobradinha com Gladson.
“Do meu coração, eu sempre imaginei uma dobradinha com o Gladson. Ele sempre fez isso também. Tem dois anos que ele passa dizendo a mesma coisa em todos os lugares. Se tem alguém que declarou publicamente inúmeras vezes que gostaria de estar junto a ele na campanha, é o Gladson”, afirmou.
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Ao final, Bittar evitou falar sobre possíveis cenários para 2026 e disse que discutir o futuro político do aliado neste momento seria “ingratidão”.
“Falar do amanhã, enquanto ele ainda tem recurso a fazer, seria uma ingratidão com ele”, declarou.
