O ambiente político dentro do governo de Mailza Assis está longe de ser harmônico. Nos bastidores, o que se vê é uma disputa intensa por espaço, influência e sobrevivência eleitoral, e o nome que tem provocado maior tensão é o do médico Fábio Rueda.
O crescimento de Rueda dentro da estrutura governamental deixou de ser apenas um movimento estratégico e passou a ser encarado como ameaça direta por diversos pré-candidatos à Câmara Federal. A queixa é recorrente: enquanto muitos lutam por migalhas de apoio, Rueda construiu um verdadeiro “latifúndio político” dentro do governo.
E há um detalhe que reforça ainda mais esse incômodo: Rueda não é apenas um nome em ascensão, ele já chega com lastro eleitoral. Suplente de deputado federal, teve mais de 12 mil votos nas últimas eleições, um desempenho que o coloca com densidade política real e capacidade de crescimento competitivo.
Nos corredores, o comentário é quase unânime: Rueda não apenas ampliou sua base, como passou a operar com uma capilaridade invejável. São vereadores aos montes, lideranças políticas nem se conta e, mais recentemente, até deputados estaduais orbitando seu entorno. Um deles, inclusive, já teria levado consigo outros quatro, formando um bloco que começa a ganhar musculatura própria.
E não para por aí. O que mais irrita adversários internos é a percepção de que Rueda transita com facilidade nos centros de poder. Há quem diga, em tom de ironia e desespero, que ele tem influência até sobre quem serve café ao chefe da Casa Civil, Jhonatan Donadoni, um de seus apoiadores. Exagero ou não, o fato é que a narrativa ilustra o nível de incômodo.
Por trás desse avanço, há também um fator nacional que pesa: o apoio do irmão, Antônio Rueda, figura central no comando do União Brasil, partido que detém um dos maiores fundos partidários do país. Esse lastro financeiro e político eleva o patamar do jogo e assusta concorrentes.
Enquanto isso, no núcleo do governo, a pressão só aumenta. Os ouvidos de Mailza estão, como se diz nos bastidores, “estourando” de tantas reclamações. O problema já não é apenas eleitoral, virou uma questão de governabilidade interna.
A imagem pública de Rueda, de aparência tranquila e quase ingênua, contrasta com a habilidade política que demonstra nos bastidores. Para muitos, ele deixou de ser coadjuvante e passou a atuar como protagonista de um movimento silencioso, porém altamente eficaz.
O resultado é um cenário de tensão crescente. A base que deveria estar alinhada começa a apresentar fissuras visíveis. E, em política, quando o conflito deixa de ser sussurrado e passa a ecoar, é sinal de que a crise já saiu do controle.
Se não houver uma reacomodação rápida, o que hoje é apenas “chororô” pode evoluir para algo mais perigoso: uma fragmentação capaz de comprometer projetos maiores do grupo governista.
E, nesse jogo, quem cresce demais nunca passa despercebido.