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Joabe Lira é acusado de tentar impedir posse de Hidelgard

Por Matheus Mello, ContilNet

Nos bastidores da crise na Câmara, Joabe é acusado de tentar impedir posse de Hidelgard

Joabe Lira observa movimentação na Casa; presidente enfrenta dificuldades para manter apoio de antigos aliados/ Foto: Reprodução

A sessão desta terça-feira (12) deixou uma impressão difícil de ignorar na Câmara de Rio Branco: Joabe Lira já não enfrenta apenas críticas pontuais, mas uma ofensiva aberta de vereadores que decidiram expor publicamente o desgaste da presidência.

E o ataque mais pesado do dia atingiu justamente um dos pontos mais delicados da política interna da Casa: o controle das cadeiras.

Durante a sessão, o vereador Bruno Moraes afirmou que Joabe teria tentado retardar a posse de Hidelgard Pascoal, convocado para assumir a vaga deixada por João Paulo Silva, que foi para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

Segundo Bruno, mesmo fora da capital, Joabe teria segurado o andamento da posse, apesar de a Câmara ter comando interino naquele momento.

“Ele inclusive protelou a posse. A gente ficou sabendo agora do vereador Hidelgard. Protelou a posse porque estava em viagem, como se não tivesse um presidente ativo na Casa”, disparou.

A fala caiu como gasolina num ambiente que já vinha inflamado desde as últimas semanas. A avaliação entre vereadores é que a presidência de Joabe entrou numa fase de desgaste acelerado, marcada por atritos internos, perda de controle político e uma sequência de exposições públicas raramente vistas no atual mandato.

O detalhe é que posse de suplente nunca é apenas um ato burocrático dentro da Câmara. Cada cadeira mexe diretamente no equilíbrio de forças, nos grupos internos e no nível de sustentação do presidente. Por isso, a acusação feita da tribuna ganhou peso imediato nos corredores da Casa.

Diga adeus a Mesa

Tudo isso praticamente enterrou qualquer perspectiva de Joabe Lira tentar construir uma reeleição para a presidência da Câmara de Rio Branco.

Depois de uma sequência de ataques públicos, interrupções e acusações feitas da própria tribuna, é inviável a permanência de Joabe no comando do Legislativo a partir da próxima composição da Mesa Diretora.

A avaliação é que o presidente perdeu aquilo que sustenta qualquer projeto interno na Câmara: base política.

As críticas deixaram de vir apenas da oposição e passaram a surgir de vereadores que antes orbitavam a presidência ou evitavam confronto direto.

Nos bastidores, a leitura é de que quem ainda conseguia segurar parte da sustentação de Joabe era o prefeito Tião Bocalom. Com Bocalom afastado da prefeitura, porém, a capacidade de articulação do grupo diminuiu fortemente.

Hoje, vereadores já avaliam que Joabe enfrenta dificuldades não apenas para tentar a reeleição, mas até mesmo para participar da montagem de uma chapa competitiva para a Mesa Diretora.

Joabe encurralado

A crise de Joabe Lira não começou agora dentro da Câmara. Ela já vinha sendo construída nos bastidores da política.

O presidente tentou deixar o União Brasil para se filiar ao PSDB de Tião Bocalom e disputar uma vaga na Aleac com mais chances. Não conseguiu.

O União não liberou a saída. Resultado: Joabe ficou amarrado ao partido e não pode se desfiliar sem correr risco de perder o mandato.

Para piorar, permaneceu numa chapa considerada uma das mais pesadas do estado, com cerca de 12 deputados de mandato brigando pelas vagas.

A diferença para Nicolau

Se quisesse um manual de sobrevivência política, Joabe Lira deveria observar mais o presidente da Aleac, Nicolau Júnior.

Nicolau construiu poder justamente no terreno em que Joabe hoje afunda: articulação política.

Na Aleac, Nicolau conversa com governo, oposição e independentes. Costura acordos, administra crises e dificilmente deixa pontas soltas.

Mas o principal não é só dialogar. É cumprir o que combina.

Na política, muita gente faz acordo. Poucos conseguem manter confiança suficiente para que os acordos continuem de pé depois. É aí que Nicolau consolidou força dentro da Assembleia.

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