Fraude em casas populares movimentou mais de R$ 1 milhão

delegado

Delegado explica como funcionava fraude no sorteio das casas populares/Foto: Charlton Lopes/ContilNet

Durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (26) para falar sobre a segunda fase Operação Lares – que resultou na prisão de servidores da Secretaria de Habitação suspeitos de participação na venda de casas do governo – o delegado de Polícia Civil Robert Alencar explicou como funcionava o esquema de venda e direcionamento das unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo ele, as vendas eram feitas às pessoas de confiança dos indiciados. Até o momento foi identificada a comercialização de 40 imóveis construídos pelo governo e que deveriam ter sido entregues a famílias moradoras de áreas de risco.

“O esquema ocorria da seguinte forma: os particulares que vendiam as casas tinham um elo de ligação com uma ex-servidora da Sehab, e passavam toda documentação a ela para montar todo o processo com formulários de levantamento socioeconômico, RG, CPF e até as visitas nas residências anteriores”, afirmou o delegado.

 

LEIA MAIS:

Áudio publicado pela ContilNet mostra como muitas pessoas foram enganadas no esquema 

Diretores da Secretaria de Habitação são presos suspeitos de fraudar sorteio de casas populares

Polícia autuou “corretores” e servidores públicos suspeitos de fraudar sorteio de casas

Robert Alencar completa: “O diretor-executivo da Sehab, Daniel Gomes, o coordenador técnico social Marcos Hulk e a assistente social Rossandra Silva, que na época manipulava os processos, preenchiam o documento com endereço falso. Por exemplo, a pessoa morava no Centro, mas os envolvidos colocavam como se fosse moradores de uma área de alagação. Com isso conseguimos identificar a ação fraudulenta dos envolvidos.”

Ainda de acordo com Alencar, após o processo na Sehab ser preenchido e concluído, a documentação era encaminhada a Caixa Econômica Federal, que apenas assinava o contrato elaborado, e a casa era entregue. Além dessa fraude central dos endereços falsos, os envolvidos falsificavam outros quesitos como renda mensal, onde professores e servidores municipais declaravam renda de R$300 a R$ 400.

De acordo com a Polícia Civil, o esquema da quadrilha movimentou mais de R$ 1 milhão com a vendas das casas. Os servidores da secretaria envolvidos no esquema vendiam os imóveis por um valor mais alto, de R$ 25 a R$30 mil. Iniciada em dezembro do ano passado, a Operação Lares já ouviu mais de 100 pessoas e identificou a venda de 40 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

PUBLICIDADE