LĂ­der espiritual Ă© condenado a 20 anos de prisĂŁo por crimes sexuais

Kleber Aran Ferreira e Silva foi preso por equipes da Polícia Civil da Bahia neste sábado (9)

Por NotĂ­cias ao Minuto 11/11/2024 Ă s 16:36

 O líder espiritual Kleber Aran Ferreira e Silva, 50, autodeclarado médium e um dos líderes do templo do Amor Supremo, foi condenado em primeira instância por crimes sexuais.

LĂ­der espiritual Ă© condenado a 20 anos de prisĂŁo por crimes sexuais na Bahia

© Shutterstock

Ele foi preso por equipes da Polícia Civil da Bahia neste sábado (9), na sede do templo, no bairro da Pituba, em Salvador. Na ocasião, ele cumpria uma agenda de três dias de atendimentos e tratamentos.

Responsável pela defesa de Kleber Aran, o advogado Cristiano Lázaro Fiuza Figueiredo afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e que, por isso, não poderia se manifestar.

Kleber Aran foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisĂŁo por estupro mediante fraude e estupro de vulnerável – aquele praticado contra pessoa que nĂŁo pode oferecer resistĂŞncia. Ele tambĂ©m foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil para cada vĂ­tima por danos morais.

A sentença foi proferida na última quinta-feira (7) pela Justiça, que determinou a prisão preventiva do condenado. Os nomes das três vítimas, todas de Salvador, foram preservados.

O mĂ©dium Kleber Aran ganhou notoriedade como dirigente da Associação Sociedade EspĂ­rita Brasileira Amor Supremo, na qual se apresentava como mĂ©dium que incorpora um espĂ­rito conhecido como “Dr. Fritz”.

O líder espiritual formou uma comunidade no templo do Amor Supremo na qual centenas de pessoas iam em busca de seus supostos atributos espirituais. Ele se dizia capaz de realizar cirurgias, curas e salvação de carmas.

O MinistĂ©rio PĂşblico do Estado da Bahia instaurou investigação sobre o caso em 2021 a partir de notĂ­cias de abusos encaminhadas ao Conselho Nacional do MinistĂ©rio PĂşblico pelo projeto “Justiceiras”, que atua na proteção dos direitos de mulheres e no combate Ă  violĂŞncia de gĂŞnero.

A denĂşncia foi oferecida pelo MinistĂ©rio PĂşblico em abril de 2022. A acusação descreve Aran como uma pessoa com “alto poder de manipulação” e usava rituais para “busca constante da satisfação dos seus desejos libertinos, mediante a subjugação da dignidade sexual de mulheres” que frequentavam o templo.

A Folha de S.Paulo teve acesso à sentença que determinou a condenação de Kleber Aran. Além dos depoimentos da vítimas e testemunhas, o conjunto de provas também incluiu áudios e mensagens enviados por Aran às vítimas pelo WhatsApp.

Uma das vítimas relatou ter sofrido abusos entre 2014 e 2018. Ela começou a frequentar o templo em 2013, passando a atuar como voluntária na casa religiosa após convite de Aran.

Os abusos teriam começado em 2014, quando Aran teria passado a assediar a vĂ­tima simulando estar incorporado por uma entidade chamada “Rainha”. Ele indicava que a vĂ­tima deveria ceder Ă s investidas sexuais sem questionamentos, pois esta deveria fornecer “energia sexual” para que ele pudesse cumprir sua missĂŁo

De acordo com o depoimento da vítima, Aran teria se aproveitado da sua fé e admiração para a sujeitar a diversos atos de violência. Ela afirma ter sido obrigada a realizar uma tatuagem como prova de devoção e submissão ao líder religioso.

Em outras oportunidades, Aran teria exigido que ela se submetesse a atos sexuais com ele e outras mulheres sem uso de preservativo. Ela afirma que, mesmo sem desejar, praticava os atos sexuais por acreditar que seriam rituais sagrados.

A segunda vĂ­tima teria sido abusada entre 2017 e 2018, Ă©poca em que ela tinha entre 16 e 18 anos. Ele teria começado a assediá-la alegando que ela seria uma “escolhida” e a convidou para festas nas quais ele incentivava o consumo de álcool, alegando que aquilo lhe traria energia.

Um dia, alegando estar incorporado, Aran teria levado a vítima para um hotel. A vítima afirma ter mantido relações sexuais com ele entendendo que aquilo seria uma obrigação, e que ela seria recompensada espiritualmente.

Meses depois, inconformado com o rompimento, Aran teria feito ameaças de cunho espiritual, afirmando que a mãe da vítima ficaria doente e sua avó morreria.

Os abusos à terceira vítima foram registrados entre 2016 e 2018. A vítima teria buscado a instituição Amor Supremo em 2014, período em que enfrentou uma depressão. Foi convidada para atuar como voluntária por Aran, criando um laço de gratidão e afeto.

Ele teria cometido os abusos sob o mesmo argumento de obter energia espiritual, afirmando estar incorporado por uma entidade, e em um momento no qual a vĂ­tima estava embriagada.

Na avaliação do MinistĂ©rio PĂşblico, os depoimentos das trĂŞs vĂ­timas, somados ao testemunho de pessoas que faziam parte da comunidade, apontam para “uma conduta serial do agressor sexual na abordagem de suas vĂ­timas”.

O líder espiritual teria construído uma atmosfera de confiança, sendo levadas a crer que as investidas do médium eram resultado de supostas necessidades espirituais, criando um ciclo de abusos.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂşdo de qualidade gratuitamente.