A TV Brasil apresenta neste sĂĄbado (16), Ă s 12h30, o Ășltimo programa inĂ©dito da produção Chefs do Brasil com grandes nomes da cozinha nacional. O seriado independente recebe o saudoso chef Paulo Yoller para uma entrevista exclusiva com Paulo Vitale no sexto episĂłdio da atração gravada em 2023. O convidado faleceu em fevereiro deste ano. 

O conteĂșdo pode ser acompanhado no app TV Brasil Play.
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A sĂ©rie documental destaca a trajetĂłria do chef que trocou o sonho da medicina pela vocação culinĂĄria. Desde a infĂąncia, influenciado pelo pai, Paulo Yoller mergulhou na cozinha, passando por experiĂȘncias marcantes em restaurantes na ItĂĄlia, no açougue e em negĂłcios de alto desempenho.
Os depoimentos para a produção revelam como Paulo Yoller transformou dificuldades pessoais, incluindo problemas com vĂcios e ausĂȘncia familiar, em amadurecimento e reconstrução profissional. Em trechos do seriado, o cozinheiro prepara receitas com sua filha.
Com uma visĂŁo crĂtica sobre a cultura tĂłxica nas cozinhas e a romantização do sofrimento, o programa final da sĂ©rie exibida pela TV Brasil mostra a busca do chef por uma gastronomia mais humana, colaborativa e respeitosa. “O medo funciona, mas o respeito ainda mais”, define.
Apesar de resgatar passagens dessa carreira do cozinheiro que teve sucesso meteĂłrico, a obra audiovisual traz um retrato sincero de superação, inovação e reconexĂŁo de Paulo Yoller com a verdadeira essĂȘncia da culinĂĄria.
Paixão pelas emoçÔes que a comida desperta
O chef Paulo Yoller reflete sobre o hĂĄbito de se alimentar.
“A palavra refeição demonstra o maior ato social que existe. Ă sentar numa mesa e dividir uma refeição com alguĂ©m. Isso gera uma conversa, uma interação. NĂŁo existe nenhum ato que eu conheça que vai gerar uma interação tĂŁo de verdade quanto a relacionada Ă comida”, analisa.
Ele tambĂ©m comenta sobre esse processo de fazer as refeiçÔes. “O chef Ă© a grande mĂĄquina que faz a transformação de um simples ingrediente que bem misturado, temperado e preparado vira algo diferente, o que a gente chama de prato. Ă aquela coisa da alquimia.Â
A comida nunca Ă© sĂł comida. Ela vai trazer algo de bom, de ruim, seja em grupo ou sozinho. Sempre tem algo por trĂĄs. Ă isso que me faz apaixonado por comida. Ela sempre vai despertar alguma coisa”, afirma.
Durante a conversa, Paulo Yoller nĂŁo se restringe ao ambiente culinĂĄrio e abre o coração sobre suas experiĂȘncias. Ele fala abertamente sobre os problemas que enfrentou com o consumo de ĂĄlcool e drogas.
“O amor Ă cozinha Ă© algo incondicional, mas vocĂȘ romantiza trabalhar inĂșmeras horas. VocĂȘ acha normal isso e nĂŁo dar atenção Ă famĂlia”, pondera.
O chef ainda destaca as sensaçÔes que a comida pode despertar no pĂșblico. “Essa quebra de paradigma que a gente tem a possibilidade de fazer como cozinheiro Ă© muito legal. Conseguimos tirar as pessoas da zona de conforto e criar reaçÔes Ășnicas”, avalia.
InfluĂȘncia familiar
Paulo Yoller destaca o contato com a gastronomia na infĂąncia.
“Comecei na cozinha em casa muito cedo, com sete para oito anos. Um dia vocĂȘ faz arroz, no outro strogonoff. Na hora que vocĂȘ vĂȘ, jĂĄ estĂĄ fazendo macarrĂŁo com seu pai no domingo. Ele sempre cozinhou muito. Teve uma influĂȘncia muito forte”, conta.
A carreira do chef na culinĂĄria Ă© marcada pela inovação e ousadia. Paulo relata mudança para a Europa quando tinha 15 anos. Ele e o irmĂŁo foram para a ItĂĄlia onde parentes residiam. “Fiquei lĂĄ atĂ© os 18 anos. Trabalhava na salumeria da minha tia e depois num restaurante”, recorda Paulo Yoller.
O cozinheiro explica sua trajetĂłria no exterior.
“LĂĄ aprendi toda a base de cozinha que eu poderia. Como e quando usar salsinha, cebolinha, alho e cebola. Coisa que atualmente sĂŁo questionĂĄveis, mas para mim, naquele momento, em Salermo, do lado de Napoli, fazia sentido. Ouvir deles o que era o correto, sĂł me fazia ter mais certeza do que eu queria e foi criando aquela identidade da cozinha dentro de mim”, diz.
Receitas originais e relação com a carne
O convidado explica seu interesse em trabalhar com receitas com carne, apesar das experiĂȘncias com massas e risotos. Paulo Yoller conta que apĂłs algumas frustraçÔes profissionais, pensou: “Se um dia eu quiser ser um chef como aqueles que admiro, preciso aprender sobre carne”, recorda.
Ele comenta o registro que o fotĂłgrafo Paulo Vitale fez dele para o livro “Chefs”, obra na qual o seriado apresentado pela TV Brasil Ă© inspirado. Na imagem, ele aparece pendurado como uma peça de carne. “Essa foto estĂĄ muito bonita. Ela Ă© muito emblemĂĄtica. Eu me coloquei no lugar do animal. Foi uma das coisas mais legais que eu jĂĄ fiz”, celebra Paulo Yoller.
O chef conta sua expertise com receitas bem originais de burguer. “Quando eu vi que as pessoas entendiam o que eu queria propor, comecei a olhar para dentro do Brasil. Quando se fala em hambĂșrguer, as pessoas pensam em Estados Unidos ou CanadĂĄ. Viajei de BelĂ©m atĂ© SĂŁo Gabriel da Cachoeira, no Amazonas”, lembra.
Paulo Yoller aborda suas estratĂ©gias para fazer a ideia funcionar. “Pensei em como pegar algo que se come hĂĄ milhĂ”es de anos e trazer para a cozinha. Falo de cozinha indĂgena mesmo. Ir no visceral, com tucupi, formiga. Saber como colocar esses ingredientes”, menciona ao fazer seus pratos especiais de hambĂșrguer e chicken parm no programa Chefs do Brasil.
O cozinheiro prepara um prato de steak tartare de entrecote de gado hereford para o interlocutor. “Se vamos falar sobre origem, a gente tem que entender como os alimentos crus conseguem te trazer uma memĂłria afetiva tĂŁo legal quanto o burger que foi uma evolução disso. Para eu chegar no burger, tive que aprender a respeitar o animal, entender o que ele pode me dar de melhor, qual parte usar para fazer cada coisa”, pontua.
O chef aborda essa receita em especial. “O steak tartare nada mais Ă© do que vocĂȘ saber usar isso da melhor maneira. A gente sĂł tem ingredientes crus. Na junção deles, vocĂȘ chega a um prato que nĂŁo tem nada a ver com o cru. Ă uma receita complexa com uma sĂ©rie de elementos”, explica Paulo Yoller.
Sobre a série
A produção independente Chefs do Brasil tem exibição semanal na telinha da TV Brasil. Com seis episĂłdios de 26 minutos, a obra documental destaca a riqueza de sabores da culinĂĄria nacional. O programa apresentado pelo fotĂłgrafo Paulo Vitale revela os desafios de chefs de cozinha que transformam ingredientes locais em experiĂȘncias gastronĂŽmicas.
A série mostra a paixão de profissionais que valorizam a cultura e os produtos regionais, ao mesmo tempo que enfrentam as complexidades do empreendedorismo gastronÎmico. A série acompanha o trabalho dos chefs Danielle Dahoui, Eudes Assis, Felipe Shaedler, Paulo Yoller, Vanessa Silva e Viviane Gonçalves.
Com uma abordagem intimista, Chefs do Brasil celebra a comida como um ato de amor e resistĂȘncia cultural. A atração explica como cada prato conta uma histĂłria de tradição, identidade e sustentabilidade. AlĂ©m da janela na telinha da emissora pĂșblica, o conteĂșdo ainda fica disponĂvel no app TV Brasil Play.
Inspirado no livro “Chefs”, de Paulo Vitale, o seriado apresenta um perfil sincero dos mais famosos chefs brasileiros contemporĂąneos. O fotĂłgrafo entrevista esses profissionais em conversas na cozinha e nos restaurantes, enquanto os convidados preparam receitas deliciosas que eles experimentam durante o papo.
A proposta Ă© desvendar como a gastronomia do paĂs influencia outros povos a consumirem as iguarias nacionais. Realizada pela Produtora Brasileira de Arte e Cultura, a sĂ©rie apresentada por Paulo Vitale tem direção geral de Pedro Saad e direção de Luciano Oreggia.
O conteĂșdo inĂ©dito abre a faixa de programação do canal pĂșblico com produçÔes de culinĂĄria. A nova obra entra no ar Ă s 12h30, logo antes do XodĂł de Cozinha, Ă s 13h, formato original da TV Brasil conduzido pela chef Regina Tchelly. No programa, a apresentadora recebe convidados para abordar alimentação saudĂĄvel e sustentĂĄvel, alĂ©m de fazer refeiçÔes com o uso integral dos alimentos.
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