Fundado em 7 de setembro de 1922, o colégio Instituto Santa Juliana, em Sena Madureira, celebrou no último domingo (7) 103 anos de existência. Em décadas passadas, em virtude de seus resultados, chegou a ser considerado um dos melhores colégios do Norte do Brasil.
De acordo com o professor Marcos Sampaio, pedagogo e estudioso da história de Sena Madureira, as Servas de Maria tiveram um papel determinante na implantação do Santa Juliana, em Sena Madureira. À época, o Bispo Dom Próspero Bernardi escreveu uma carta para a coordenação da Ordem dos Servos de Maria, na Itália, relatando a situação precária em que muitas adolescentes vinham enfrentando, especialmente na zona rural.
“Com a falência dos seringais, muitas crianças e adolescentes ficaram órfãs, então, o Bispo escreveu essa carta pedindo ajuda. A meta era fundar uma escola para abrigar as meninas”, relembrou.
As Servas de Maria vieram da Itália. Passaram cinco meses para chegar ao Acre, visto que, a viagem toda foi feita de barco. “Pelos relatos, foi uma expedição muito difícil. Da Itália, elas chegaram primeiramente em Belém e, em seguida, se destacaram para o Acre – uma verdadeira epopéia. Aqui, chegaram em 14 de novembro de 1921”, destacou.
Com o lema “Amar, servir, cuidar e reparar”, as Servas de Maria conseguiram fundar o colégio Santa Juliana. “O primeiro Santa Juliana era uma casa de paxiúba, uma espécie de paiol, tinha muitas goteiras. Para se ter uma ideia, quando chovia a água caía dentro do prato das Servas. Há relatos nesse sentido. Mesmo assim, os obstáculos eram superados dia após dia”, acrescentou.
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Posteriormente, o juiz federal João Virgulino de Alencar fez a doação definitiva de um terreno e em 1922 foi lançada a pedra fundamental do colégio Santa Juliana. “Em torno de 30 a 40 crianças carentes eram atendidas no regime de semi-internato ou internato. O modelo era rígido, com várias regras estabelecidas. As freiras eram muito bem disciplinadas e imprimiam esse modelo no decorrer das atividades. Os alunos não aprendiam apenas o Português ou a Matemática, mas também aprendiam a bordar, a pintar e costurar para que pudessem sair dali com um ofício. Essas mulheres, ou seja, as freiras, foram importantíssimas na Educação de Sena Madureira. Temos uma dívida grande com as Servas de Maria e com a história do Santa Juliana”, completou Sampaio.
Várias personalidades Acreanas estudaram no referido colégio, dentre elas: a Desembargadora Eva Evangelista, Iolanda Fleming (1ª governadora do Acre), o advogado e ex-prefeito Ulisses Modesto, dentre outros. O próprio professor Marcos Sampaio, entrevistado do ContilNet, foi aluno do Santa Juliana. Depois atuou como professor e teve a oportunidade de ser Diretor por dois mandatos.
PRÉDIO ANTIGO COMPLETAMENTE DETERIORADO
Apesar de toda sua relevância para a história de Sena Madureira, há alguns anos o seu prédio original, que é de dois andares, está em situação extremamente caótica, precisando urgentemente de uma intervenção. “É preciso a união de todos para que possamos reativar o local e não deixar acabar de vez essa parte tão marcante da história de Sena Madureira”, finalizou.

