Do estrelato à direção: a herança de Robert Redford e outros nomes de Hollywood

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Na última semana, a morte de Robert Redford, aos 89 anos, marcou não apenas o adeus a um dos maiores astros de Hollywood, mas também a celebração de um legado raro. Consagrado, o intérprete se reinventou como diretor premiado e fundou o Sundance, festival que impulsionou gerações de cineastas independentes. Sua estreia atrás das câmeras em “Ordinary People” (1980) lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor e abriu um caminho seguido por muitos outros atores que decidiram assumir a narrativa de suas próprias histórias.

Em homenagem ao diretor, o portal LeoDias separou a linhagem de artistas que expandiram seus horizontes criativos e marcaram a indústria como realizadores. Confira!

Veja as fotos

Foto: Eric Zachanowich/Fox Searchlight
Robert Redford em “O Velho e a Arma” (2018)Foto: Eric Zachanowich/Fox Searchlight
Reprodução: P.E.A/Constantin Films
Clint Eastwood em “Por uns Dólares a Mais”Reprodução: P.E.A/Constantin Films
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The Free Press
Woody AllenReprodução:
The Free Press
Reprodução: Paramount
Mundial 20th Century Fox
Mel Gibson em “Coração Valente”Reprodução: Paramount
Mundial 20th Century Fox
Reprodução: Warner Bros. Pictures
Ben Affleck em “Argo”Reprodução: Warner Bros. Pictures
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YouTube/The Late Show with Stephen Colbert
Greta GerwigReprodução:
YouTube/The Late Show with Stephen Colbert
Reprodução: YouTube/Team Coco
Jordan PeeleReprodução: YouTube/Team Coco
Reprodução: Paramount Pictures
Sofia Coppola em “O Poderoso Chefão – Parte III”Reprodução: Paramount Pictures

Clint Eastwood

Símbolo da transição ator-diretor, Eastwood transformou sua persona em rigor de “mise-en-scène”, ou seja, dispondo tudo o que está diante da câmara em seus filmes. O resultado: levou dois pares de Oscars de Melhor Diretor e Melhor Filme por “Os Imperdoáveis” (1992); e “Menina de Ouro” (2004). A virada autoral consolidou temas como violência, culpa e redenção.

Como ator, ele ficou marcado tanto pelos faroestes quanto pelos filmes de ação e dramas mais maduros. Entre seus maiores títulos, estão a trilogia de filmes dos anos 1960, “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”. Dirigidos por Sergio Leone, transformaram Eastwood em estrela mundial e definiram o chamado “faroeste espaguete”.

Com a Malpaso, sua produtora, manteve controle criativo e ritmo industrial, alternando épicos de guerra, como “Cartas de Iwo Jima” e dramas íntimos, como “Sobre Meninos e Lobos”.

Woody Allen

Antes de ser reconhecido como diretor de comédias neuróticas e dramas intimistas, Allen esteve diante das câmeras como ator e comediante. Entre os filmes que atuou como protagonista, se destacam “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979) e “Um Assaltante Bem Trapalhão” (1969).

No bastidor, acumulou recorde de indicações ao Oscar de roteiro original, com 16 chamadas; e venceu quatro estatuetas no total, incluindo roteiro por “Meia-Noite em Paris” (2011).

Mel Gibson

Astro de ação nos anos 1980, atuando em grandes sucessos como “Mad Max” (1979), “Coração Valente” (1995) e “A Paixão de Cristo” (2004), Gibson estreou na direção em 1993. Dois anos depois, venceu Oscar de diretor e de filme por “Coração Valente”, consolidando-se como estilista de épicos violentos e de forte fisicalidade.

Como cineasta, continuou a buscar escala e controvérsia com “A Paixão de Cristo” e “Apocalypto”, de 2006, reafirmando o interesse por reconstruções históricas e linguagens não convencionais.

Ben Affleck

Apresentado ao público como ator e roteirista, Affleck reescreveu sua imagem ao dirigir “Argo” (2012), vencedor do Oscar de Melhor Filme, prêmio recebido como produtor ao lado de Grant Heslov e George Clooney.

A trilogia “Medo da Verdade”, “Atração Perigosa” e “Argo” mostrou domínio de suspense urbano e operação de elenco, ingredientes que sedimentaram sua reputação como diretor-ator capaz de navegar entre o set e a sala de montagem.

Ben Affleck tem uma carreira de altos e baixos, mas construiu uma lista de filmes que o consolidaram como astro de Hollywood na atuação. Os que mais se destacam são “Gênio Indomável” (1997), “Pearl Harbor” (2001) e “O Demolidor” (2003).

Greta Gerwig

Vinda da atuação no circuito indie, com o mais icônico de todos os seus filmes a comédia romântica de 2012 “Frances Ha”, Gerwig estreou solo na direção com “Lady Bird” (2017) e firmou voz autoral em “Adoráveis Mulheres” (2019). Em 2023, “Barbie” cruzou US$ 1 bilhão e a levou a recordes históricos como mulher com crédito solo de direção em um blockbuster global.

A passagem de atriz a diretora veio acompanhada de indicações ao Oscar e de um salto industrial que não diluiu marcas pessoais, como escrita precisa, afeto pelos intérpretes e olhar feminino sobre amadurecimento e identidade.

Jordan Peele

Conhecido primeiro como ator-comediante, Peele reinventou-se ao dirigir “Corra!” (2017), longa que lhe rendeu o Oscar de roteiro original e o lugar na história como o primeiro roteirista negro a vencer a categoria; dali em diante, “Nós” e “Não! Não Olhe!” ampliaram um “horror social” com assinatura.

Como ator que migra à direção, ele participou do programa de humor da Fox “Mad TV” de 2003 a 2008; além da série de esquetes no Comedy Central chamada “Key & Peele”, que durou de 2012 a 2015.

Peele provou que timing cômico e observação social podem se converter em linguagem de suspense, com domínio de imagem, som e subtexto racial, redefinindo expectativas do gênero no circuito comercial.

Sofia Coppola

Filha de cineasta, mas atriz em início de carreira, Coppola encontrou na direção sua voz: “Encontros e Desencontros” (2003) lhe deu o Oscar de roteiro e indicações a direção e filme; depois viriam “Maria Antonieta”, “Somewhere”, “O Estranho que Nós Amamos” e “Priscilla”.

Ela começou sua trajetória artística atuando, principalmente em produções ligadas ao pai, Francis Ford Coppola. Seus papéis mais conhecidos como atriz são na trilogia de “O Poderoso Chefão”, aparecendo como bebê na de 1972; como figurante na de 1974; e atuando integralmente na de 1990. Seu papel mais lembrado foi justamente no último filme, onde interpretou Mary Corleone, filha de Michael, vivido por Al Pacino. A performance foi duramente criticada na época, o que acabou influenciando sua decisão de abandonar a atuação e se dedicar à direção.

Suas obras articulam intimismo, isolamento e desejo com estilo minimalista e curadoria musical precisa, um caso emblemático de artista que transitou diante e atrás da câmera até consolidar uma das autorias mais reconhecíveis do cinema americano recente.