Mulheres cobram direitos e voz na 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional

Por AgĂȘncia Brasil 29/09/2025


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Nesta segunda-feira (29), o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva homenageou diversas personalidades do paĂ­s, de todos os tempos, na abertura da 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional de PolĂ­ticas para as Mulheres (5ÂȘ CNPM), em BrasĂ­lia, que tem o lema Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas.ebcebc

O discurso do presidente também homenageou as cerca de 4 mil mulheres presentes no evento, sem esquecer das mulheres anÎnimas que lutam para fazer do Brasil um país mais desenvolvido e menos desigual.

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“O futuro da humanidade Ă© feminino”, afirmou Lula.

Em entrevista a jornalistas, a ministra das Mulheres, Mårcia Lopes, lembrou que no próximo ano ocorrerão eleiçÔes e que candidatos que não respeitam as mulheres não devem ser votados.

“Em vários espaços, as mulheres são aviltadas nos seus direitos, são ofendidas por serem mulheres. Há homens, infelizmente, que não se conformam em ver a mulher autînoma, livre, potente, uma mulher que quer decidir. No ano que vem, vamos votar em mulheres e homens que tenham compromisso com a vida de todas as mulheres desse país”, defendeu.

Voz Ă s mulheres

A 5ÂȘ CNPM abriu os microfones para dar voz Ă  representação plural de mulheres da sociedade civil, durante a cerimĂŽnia de inĂ­cio da mobilização nacional.

Representante Marcha das Mulheres Negras e coordenadora executiva do FĂłrum Nacional de Mulheres, ClĂĄtia Vieira anunciou a construção da 2ÂȘ Marcha Nacional de Mulheres Negras, em BrasĂ­lia, em 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da ViolĂȘncia Contra as Mulheres. 

Ela questionou a falta de polĂ­ticas pĂșblicas efetivas para as mulheres negras, a maioria da população brasileira. 

“Precisamos de prĂĄticas antirracistas. Isso Ă© para ontem e urgente, Ă© pela vida das mulheres negras, das mulheres. Mas, sobretudo, Ă© pela vida do povo preto”, afirmou.

Em sua fala, a representante do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM), Iyå Sandrali Bueno, explicou que a interseccionalidade é uma abordagem para dizer que não hå democracia possível sem a centralidade das mulheres negras. 

“A interseccionalidade, conceito do movimento feminista negro que busca efetiva justiça social pela identificação e desarticulação de opressĂ”es combinadas por raça etnia, sexualidade, identidade de gĂȘnero, nĂŁo Ă© um enfeite no regimento interno da 5ÂȘ ConferĂȘncia. A interseccionalidade Ă© nosso princĂ­pio maior. É um princĂ­pio civilizatĂłrio”, disse.

O pronunciamento da representante da Marcha das Margaridas, Melissa Vieira, celebrou o retorno da conferĂȘncia apĂłs quase uma dĂ©cada e destacou o papel das mulheres do campo, das ĂĄguas e das florestas em tirar o Brasil do Mapa da Fome da Organização das NaçÔes Unidas (ONU), mais uma vez. 

“Somos nĂłs, mulheres de saberes ancestrais, que alimentam o Brasil com comida de verdade, com alimento saudĂĄvel, com agroecologia. Somos nĂłs quem temos a potĂȘncia de transformar luto em luta”, afirmou.

Josy Kaigang, liderança da primeira Marcha das Mulheres IndĂ­genas, em agosto, que contou com cerca de 5 mil participantes, aponta que a conferĂȘncia Ă© fruto das lutas das mulheres dos sete biomas brasileiros. A indĂ­gena quer que os povos originĂĄrios sejam ouvidos na construção de polĂ­ticas pĂșblicas, e mencionou a luta pela demarcação de terras. 

“Seguimos lutando para que mais mulheres indĂ­genas sigam ‘aldeando’ o Estado, ‘aldeando’ a polĂ­tica, e pela demarcação das nossas terras indĂ­genas e quilombolas. Que a gente possa continuar lutando por soberania nacional, pela Palestina livre e para dizer que lugar de mulher Ă© onde ela quiser”, defendeu Josy Kaigang.

Pela visibilidade das pessoas trans, a travesti Bruna Benevides cobrou a ocupação de 50% de mulheres nos parlamentos, cotas trans em concursos e universidades para abrir portas para metade da população ainda é sub-representada em espaços de poder. 

A travesti também defende o direito ao aborto livre e seguro para todas as mulheres e luta contra a exploração de crianças e de adolescentes. 

“Estamos aqui, e nĂŁo arredaremos o pĂ©. Defendemos justiça econĂŽmica, reprodutiva, racial e climĂĄtica como pilares do Estado”, afirmou.

Por fim, a membro da Articulação Brasileira de LĂ©sbicas (ABL) e representante da Caminhada de LĂ©sbicas e Bissexuais (Les-Bi) de SĂŁo Paulo, JanaĂ­na Farias, descreveu a falta de polĂ­ticas pĂșblicas especĂ­ficas para a saĂșde de mulheres lĂ©sbicas e bissexuais, mesmo diante de dados que a ativista classifica como alarmantes. 

“Precisamos de polĂ­ticas pĂșblicas de saĂșde que fomentem a ida a mĂ©dicos e a busca por cuidado em saĂșde por nĂłs”, cobrou JanaĂ­na.

“Nossas vidas nĂŁo cabem em ‘armĂĄrios’. Seguimos juntas, organizadas e sempre resistentes. Seguiremos sempre em rede pela vida e pela liberdade de ser quem somos. NĂŁo aceitamos nenhuma de nĂłs [lĂ©sbicas e bissexuais] a menos”.

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