Paciente com tumor cerebral e meningite morre aguardando benefício do INSS no Acre

Mulher com graves problemas de saúde falece após longo período de espera por perícia médica no município

Uma moradora de Tarauacá, Maria Edna dos Santos Feitosa, morreu na segunda-feira (27) em Cruzeiro do Sul, enquanto aguardava o processo de concessão de um benefício do INSS. Ela enfrentava problemas de saúde graves, incluindo tumor cerebral, hidrocefalia e meningite bacteriana.

Durante cerca de três meses, Maria Edna aguardou a avaliação médica necessária para a análise de seu pedido de benefício. Mesmo hospitalizada e passando por cirurgia complexa na cabeça, o procedimento administrativo não foi finalizado, deixando seu direito sem resposta.

Maria Edna dos Santos Feitosa aguardava perícia do INSS antes de falecer/Foto: Reprodução

A cidade de Tarauacá atualmente não conta com médico perito disponível, obrigando pacientes a se deslocarem para outros municípios para realizar a perícia, o que prejudica principalmente quem mora na zona rural. Tentativas de atendimento pontual, como visitas de equipes itinerantes, não foram suficientes para atender toda a demanda local.

O caso gerou indignação na comunidade e chamou atenção das autoridades, que solicitam medidas urgentes do INSS, como mutirões mensais ou a realização de perícias por videoconferência, para evitar que pessoas em situação semelhante continuem desassistidas.

Nota completa da vereadora Veinha do Valmar:

“Como vereadora deste município, venho a público manifestar meu mais profundo repúdio à demora e ao descaso do INSS com a nossa população. Há meses protocolei o pedido para que um perito seja designado para atender nossos moradores aqui no município, evitando deslocamentos, sofrimento e a demora injusta nos processos de quem mais precisa. Até hoje, não recebi qualquer resposta ou providência. Infelizmente, nos últimos dias, uma moradora da nossa cidade, eleitora e cidadã que aguardava análise do seu benefício, veio a óbito com um tumor na cabeça enquanto seu processo permanecia parado e sem decisão. Ela morreu esperando um direito que lhe era garantido por lei.

Não posso me calar diante de tamanha negligência. A ausência de um perito no município não é apenas uma falha administrativa: é falta de respeito com o cidadão adoecido, é o enfraquecimento da dignidade humana. É inadmissível que vidas sejam colocadas em risco pela morosidade e pelo silêncio institucional.

Reforço meu apelo e minha cobrança: o nosso povo merece atendimento digno, urgente e humano. Não aceitarei que esse caso seja tratado com indiferença. Continuarei cobrando até que o INSS cumpra seu dever e respeite a população desta cidade.”

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