Acre ultrapassa 140 mortes violentas em 2025; quase 40% ligadas a conflitos entre facçÔes

Dados do MPAC indicam que Rio Branco concentra a maior parte das ocorrĂȘncias de violĂȘncia domĂ©stica e sexual

Por Geovany CalegĂĄrio, ContilNet 01/11/2025 Atualizado: hĂĄ 5 meses

O ano de 2025 no Acre apresenta um cenĂĄrio de contrastes na segurança pĂșblica, conforme revelam os painĂ©is de acompanhamento de indicadores de violĂȘncia e criminalidade do ObservatĂłrio da Criminalidade do NĂșcleo de Apoio TĂ©cnico (NAT) do MPAC.

Acre ultrapassa 140 mortes violentas em 2025; quase 40% ligadas a conflitos entre facçÔes

Sede do MPAC/Foto: Reprodução

Se, por um lado, o estado registrou uma notĂĄvel queda nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), por outro, os dados sobre violĂȘncia domĂ©stica e sexual continuam a expor feridas profundas em todos os 22 municĂ­pios acreanos. A anĂĄlise sugere que a violĂȘncia no Acre, embora menos letal nas ruas, persiste de forma alarmante dentro dos lares.

Queda nos Indicadores de ViolĂȘncia Letal

O indicador de Mortes Violentas Intencionais (MVI), que agrupa homicídio doloso, latrocínio, feminicídio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção policial, mostrou um recuo significativo em 2025. O Acre registrou 141 MVIs, uma diminuição em relação aos 179 casos contabilizados em 2024.

No entanto, a capital, Rio Branco, concentrou a maior parte dos casos, com 72 homicídios registrados. Chama a atenção o fato de apenas dois municípios, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, não terem registrado nenhuma morte violenta.

Acre ultrapassa 140 mortes violentas em 2025; quase 40% ligadas a conflitos entre facçÔes

40% dos homicídios são por conflito entre facçÔes/Foto: Reprodução/senivpetro/Freepik

Além disso, a modalidade de execução mais utilizada foi a arma de fogo, responsåvel por 56% dos óbitos. O perfil da vítima é predominantemente masculino, representando 88% do total, com 125 homens mortos.

Quanto Ă  motivação, a principal causa estĂĄ ligada a conflitos de facçÔes, somando 40% dos casos. Motivos fĂșteis e bebedeiras totalizam 20%, enquanto o feminicĂ­dio representa 7% das ocorrĂȘncias. Um preocupante total de 22% das mortes ainda estĂĄ classificado como “motivo a apurar”.

ViolĂȘncia DomĂ©stica: a epidemia Silenciosa

Os registros de violĂȘncia domĂ©stica (consumada e tentada), embora apresentem uma diminuição em relação a 2024 (quando foram 5.752 casos), continuam em um patamar de emergĂȘncia social. Em 2025, foram 4.668 registros no Acre, uma mĂ©dia diĂĄria altĂ­ssima.

Acre ultrapassa 140 mortes violentas em 2025; quase 40% ligadas a conflitos entre facçÔes

Mias de 4500 casos de violĂȘncia contra a mulher foram registrados no Acre/ Foto: Ilustrativa

Presente em absolutamente todos os municĂ­pios, a capital, Rio Branco, Ă© o epicentro, concentrando mais da metade dos casos com 2.416 registros. Cruzeiro do Sul e Sena Madureira vem em sequĂȘncia com 425 e 280 registros cada. No extremo oposto, Santa Rosa do Purus, mesmo sendo o municĂ­pio com menor incidĂȘncia, ainda contabiliza 19 ocorrĂȘncias.

ViolĂȘncia Sexual: a devastação da vulnerabilidade

Os dados de violĂȘncia sexual (estupro e estupro de vulnerĂĄvel) causam espanto. Em 2025, foram contabilizados 850 registros de ocorrĂȘncias, uma redução em relação aos 1.044 casos de 2024, mas ainda um nĂșmero devastador. O fator mais alarmante Ă© que mais de 80% dos casos se referem a estupro de vulnerĂĄvel, o que indica uma alta proporção de vĂ­timas infantis e juvenis.

Acre ultrapassa 140 mortes violentas em 2025; quase 40% ligadas a conflitos entre facçÔes

80% dos casos de estupro se referem à vulneråveis/ Foto: Reprodução

Os casos estĂŁo presentes em todos os municĂ­pios. Rio Branco lidera com 310 ocorrĂȘncias, seguido por Cruzeiro do Sul com 163 e TarauacĂĄ com 52. Santa Rosa do Purus, por sua vez, registrou 4 casos, novamente o menor Ă­ndice.

Apesar da redução nas Mortes Violentas Intencionais, que pode ser atribuĂ­da a uma maior eficĂĄcia policial no combate a grupos criminosos, os nĂșmeros de violĂȘncia domĂ©stica e sexual demonstram que a segurança pĂșblica no Acre precisa de uma abordagem mais ampla. O alto Ă­ndice de crimes sexuais contra vulnerĂĄveis e os milhares de registros de violĂȘncia dentro de casa exigem uma resposta urgente que vĂĄ alĂ©m da repressĂŁo policial, investindo em educação, assistĂȘncia social e proteção Ă s vĂ­timas em todos os municĂ­pios do estado.

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