OpiniĂŁo: Sotaque forçado derruba naturalidade de Murilo BenĂ­cio em “TrĂȘs Graças”

Por Portal Leo Dias 26/11/2025

Desde o primeiro capĂ­tulo, o sotaque do Ferette (Murilo BenĂ­cio) Ă© um ruĂ­do constante em “TrĂȘs Graças”. O ator Ă© experiente, sabe segurar antagonista, sabe construir personagem. SĂł que desta vez o sotaque criado para o vilĂŁo virou um obstĂĄculo. O R puxado demais nĂŁo soa regional, nĂŁo soa escolha pensada, nĂŁo soa personalidade. Soa desencaixado, como se tivesse sido colocado ali sem relação com o resto da novela.

Fica duro no ouvido, quebra a fluidez das cenas e ainda cria um desconforto que não tem função dramática. É estranho ver um ator do tamanho do Murilo preso a uma marca vocal que só tira naturalidade do personagem.

O contraste ficou claro no flashback do RogĂ©rio (Eduardo Moscovis). Ele entrou em cena com o sotaque carioca de sempre, tudo seguiu normal, e ninguĂ©m precisou justificar nada. Isso escancara o ponto. Se a novela aceita sotaques de origem e nĂŁo exige padronização, por que obrigar o protagonista do nĂșcleo sombrio a sustentar um sotaque tĂŁo fraco e tĂŁo forçado.

E aqui entra um detalhe importante. Em novelas, esse tipo de sotaque costuma vir de cima, da direção. É uma decisão pensada na mesa de criação, não algo que o ator tira da cartola. Por isso mesmo a escolha impressiona pela teimosia. Não faz sentido expor Murilo Benício a uma obrigação que só atrapalha a entrega dele.

O pĂșblico sente quando algo nĂŁo funciona. No caso do Ferette, a quebra vem pela fala. A novela tem bons momentos, boas tramas e ritmo. O sotaque Ă© que insiste em destoar. E jĂĄ passou da hora de revisar essa escolha.

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