O Grupo Refit foi alvo de uma megaoperação contra um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustĆveis nesta quinta-feira (27/11). A operação que mobilizou mais de 620 agentes pĆŗblicos teve mais de 190 alvos ligados Ć empresa, suspeitos de integrarem uma organização criminosa e de praticaram crimes contra a ordem econĆ“mica e tributĆ”ria, lavagem de dinheiro, entre outros.
Mandados de busca e apreensĆ£o foram cumpridos em seis unidades federativas ā SĆ£o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e MaranhĆ£o.
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Operação envolveu diversas instituições públicas de investigação
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Parte do efetivo mobilizado para megaoperação
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Autoridades definiram a fraude financeira como um fluxo financeiro extremamente estruturado e sofisticado
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O Grupo Refit Ć© dono da Refinaria Manguinhos, no Rio de Janeiro
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Grupi Refit, do setor de combustĆveis, foi alvo de uma megaoperação nesta quinta-feira
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Ministérios Públicos, Policiais, Receita Federal, entre outros, participaram da megaoperação
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O grupo investigado movimentou mais de R$ 72 bilhões após 2024
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Diversas instituições públicas participaram da megaoperação
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Grupo do setor de combustĆveis alvo de megaoperação aparece como o maior devedor contumaz da UniĆ£o
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A Receita Federal participou da magaoperação contra o Grupo Refit
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Megaoperação mira esquema de sonegação de imposto e lavagem de dinheiro
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Autoridade cumpriram mandados em cincos estados e no Distrito Federal
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Megaoperação contra refinaria devedora de impostos mobilizou mais de 620 agentes
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InfogrƔfico do esquema mostra o caminho do dinheiro fraudado
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Segundo a Receita Federal, o Grupo Refit figura como o maior devedor contumaz do Brasil, com mais de R$ 26 bilhões de débitos em impostos. A empresa também aparece como a maior devedora do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo.
De acordo com o MinistĆ©rio PĆŗblico de SĆ£o Paulo (MPSP), a dĆvida Ć© resultado de um āengenhosoā esquema de fraude fiscal estruturada que causou āenormes prejuĆzos ao erĆ”rio de Estados e da UniĆ£oā.
Esquema de fraude
As investigaƧƵes apontaram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhƵes em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimentos e offshores ā incluindo uma exportadora fora do Brasil ā para ocultar e blindar lucros.
A Secretaria da Fazenda identificou diversas empresas ligadas ao grupo empresarial investigado que aparecem como laranjas, visando afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS devido. Só entre 2020 e 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhƵes em combustĆveis por essas āpessoas interpostasā.
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Os crimes aconteciam na reincidĆŖncia do descumprimento fiscal, na utilização de empresas com vĆnculos societĆ”rios e operacionais e na simulação de operaƧƵes interestaduais com combustĆveis.
Segundo a promotoria, o Grupo Refit ignorava a imposição de diversos Regimes Especiais de OfĆcio feitos pela secretaria e criava novas estratĆ©gias e mecanismo para prosseguir com a fraude fiscal ācom o intuito de nĆ£o recolher tributos e ofender a livre concorrĆŖnciaā.
Como funcionava o esquema de fraudes
Pessoas ligadas ao Grupo Refit são alvos de megaoperação
Segundo o MPSP, os esquemas de ocultação e blindagem que protegem os reais beneficiĆ”rios do esquema, apontados como parte de um nĆŗcleo familiar, foram praticados por meio de uma rede de colaboradores. Estes, por meio de diversos expedientes fraudulentos, falsidades, camadas societĆ”rias e financeiras, garantiram a gestĆ£o e a expansĆ£o empresarial sobre setores da cadeia de produção e distribuição de combustĆvel.
De acordo com a Receita Federal, o esquema tinha uma empresa financeira āmĆ£eā controlando diversas āfilhasā e, assim como na operação Carbono Oculto, que descobriu um esquema bilionĆ”rio entre fintechs e o PCC em agosto deste ano, usou brechas regulatórias, como as ācontas-bolsĆ£oā, que impedem o rastreamento do fluxo dos recursos. A principal vertente financeira tinha 47 contas bancĆ”rias em seu nome, vinculadas contabilmente Ć s empresas do grupo.
Após a paralisação das distribuidoras ligadas à Carbono Oculto, o grupo alvo da Operação Poço de Lobato alterou totalmente sua estrutura financeira, substituindo o modelo usado desde 2018 por outro com novos operadores e empresas. Esses operadores, antes responsÔveis por movimentações de cerca de R$ 500 milhões, passaram a movimentar mais de R$ 72 bilhões após 2024.
A promotoria definiu a fraude financeira como um fluxo financeiro āextremamente estruturado e sofisticadoā, perpetuado atravĆ©s do mercado financeiro. Houve movimentação bilionĆ”ria circulando por dezenas de fundos de investimentos e instituiƧƵes financeiras, com apoio e participação direta de administradoras e gestoras desses fundos.
Megaoperação
- A megaoperação PoƧo de Lobato teve mais de 190 alvos, entre pessoas fĆsicas e jurĆdicas, todos ligados ao Grupo Refit.
- A ação foi realizada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira/SP), formado pelo MPSP, pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado e Procuradoria-Geral de São Paulo; pela Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo e Policiais Civil e Militar. A megaoperação mobilizou um efetivo de mais de 621 agentes públicos.
- O nome da operação remete ao primeiro poƧo de petróleo descoberto no Brasil, localizado no bairro de Lobato, em Salvador. Descoberto em 21 de janeiro de 1939, marcou o inĆcio da exploração de petróleo no paĆs, apesar de nĆ£o ter sido comercialmente viĆ”vel Ć Ć©poca.
PrejuĆzo bilionĆ”rio aos cofres pĆŗblicos
A JustiƧa autorizou o cumprimento de medidas cautelares em aƧƵes judiciais cĆveis que bloquearam mais de R$ 10,2 bilhƵes em bens dos envolvidos, incluindo imóveis e veĆculos, para a garantia do crĆ©dito tributĆ”rio.
As pessoas e empresas citadas na investigação são suspeitas de integrarem uma organização criminosa e de praticarem crimes contra a ordem econÓmica e tributÔria e lavagem de dinheiro.
O Metrópoles solicitou um posicionamento do Grupo Refit a respeito da operação da manhã desta quinta e não obteve retorno. O espaço segue aberto para atualizações.
