Trama golpista: saiba como foi o 1Âș dia do julgamento do nĂșcleo 2 no STF

Por MetrĂłpoles 13/12/2025 Ă s 04:02

O primeiro dia de julgamento do nĂșcleo 2 da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) teve a sustentação oral de seis advogados dos rĂ©us, que defenderam seus clientes, alĂ©m do posicionamento do procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, que pediu a condenação de todos os acusados.

Com retorno previsto para terça-feira (16/12) e expectativa de conclusĂŁo desse nĂșcleo no mesmo dia, os quatro ministros da Primeira Turma ouviram na primeira sessĂŁo os posicionamentos das defesas e da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR).

ApĂłs a leitura do relatĂłrio pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, Gonet reforçou o que jĂĄ havia pedido nas alegaçÔes finais e defendeu a condenação dos seis rĂ©us acusados de utilizar a mĂĄquina pĂșblica, por meio da PolĂ­cia RodoviĂĄria Federal (PRF), para dificultar o acesso de eleitores aos locais de votação no segundo turno das eleiçÔes de 2022.

Quem sĂŁo os rĂ©us do nĂșcleo 2

  • Filipe Martins – ex-assessor de Bolsonaro que acompanha o julgamento desta terça no STF;
  • Fernando de Sousa Oliveira – delegado da PolĂ­cia Federal e ex-secretĂĄrio-adjunto da Secretaria de Segurança PĂșblica do DF;
  • Marcelo CĂąmara – coronel do ExĂ©rcito e ex-assessor de Bolsonaro;
  • MĂĄrio Fernandes – general da reserva do ExĂ©rcito;
  • MarĂ­lia Ferreira de Alencar – delegada da PolĂ­cia Federal e ex-subsecretĂĄria de Segurança PĂșblica do Distrito Federal;
  • Silvinei Vasques – ex-diretor-geral da PolĂ­cia RodoviĂĄria Federal (PRF).

Gonet salientou que os integrantes visavam a instalação de um “caos social” para provocar uma intervenção criminosa. Para ele, os rĂ©us queriam “um cenĂĄrio de aberta violĂȘncia, imposto Ă  premissa sobre a materialidade do crime”.

“É certo que os denunciados neste processo aderiram aos propósitos ilícitos da organização criminosa e contribuíram para os eventos penalmente relevantes em apreço”, afirmou o PGR durante o julgamento.

O procurador-geral acrescentou: “As investigaçÔes identificaram uma atuante rede de comunicaçÔes desenvolvida pelos rĂ©us, com evidĂȘncias de reuniĂ”es e de tomada de decisĂ”es, voltadas para gerar açÔes conjuntas perniciosas, apoiadas no uso da força policial, tendo por objetivo assegurar, a custo de expedientes ladinos, a vitĂłria de Jair Bolsonaro”.

Defesas

Enquanto a PGR pediu a condenação de todos os réus pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democråtico de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimÎnio tombado, as defesas pediram a absolvição dos acusados.

Os trabalhos dos advogados começaram com Guilherme de Mattos Fontes, defensor de Fernando de Sousa Oliveira. Ele pediu que o cliente não fosse condenado por nenhum dos crimes imputados pela PGR.

“A acusação nĂŁo subsiste. A defesa sustenta, sobretudo, a ausĂȘncia de participação do acusado Fernando nos crimes que lhe foram imputados. Isso porque a prova dos autos demonstra que, em nenhum aspecto, Fernando concorreu ou contribuiu para a empreitada criminosa. Teve conduta diametralmente oposta Ă  intentada criminosa e em completo desalinhamento com os demais corrĂ©us, em especial o acusado Anderson Torres”, destacou.

O segundo a ocupar a tribuna foi Jeffrey Chiquini, advogado de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro. Ele afirmou que Martins foi preso, denunciado e serĂĄ julgado por culpa do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid.

“Preso por uma viagem que não fez, por uma minuta que não escreveu. Mesmo assim, passou seis meses em uma prisão, 10 dias em uma masmorra, uma solitária”, argumentou.

Chiquini reiterou que Martins nĂŁo viajou aos Estados Unidos e disse que o delegado responsĂĄvel pelas investigaçÔes foi “leniente” ao aceitar informaçÔes de Cid ao mandar prender o ex-assessor.

“Porque esta prisĂŁo de Filipe Martins por uma viagem que nĂŁo fez mostra o comportamento ultrajante do delegado. Um investigador que fechou os olhos aos documentos oficiais que tinha Ă  sua disposição para ‘perquirir ab initio’ (investigar minuciosamente desde o inĂ­cio) atĂ© o enredo final — mas nĂŁo o fez”, disse.

À tarde, a sessão foi retomada com a sustentação oral de Eduardo Kuntz, advogado de Marcelo Cñmara. “O coronel Marcelo Cñmara não sabia o que estava acontecendo”, alegou.

“É muito possĂ­vel, muito provĂĄvel — principalmente porque isso consta da acareação, quando o coronel Cid diz que o coronel CĂąmara nĂŁo sabia das operaçÔes —, que ele tenha sido, sim, usado para passar informaçÔes. Esta defesa nĂŁo deixa de considerar isso”, acrescentou o defensor.

Em seguida, falou EugĂȘnio AragĂŁo, advogado de MarĂ­lia Alencar, delegada da PolĂ­cia Federal e ex-subsecretĂĄria de Segurança PĂșblica do Distrito Federal.

“Tem que se levar em consideração que a doutora Marília foi nomeada e tomou posse no dia 5 de janeiro — portanto, poucos dias antes. Ela não tinha estrutura na secretaria, não tinha escolhido as pessoas que iam trabalhar com ela; tinha que se valer da estrutura existente para desempenhar sua função”, declarou.

Marcus Vinícius, advogado de Mårio Fernandes, também abordou a minuta golpista.

“Ele [MĂĄrio Fernandes] vai ser condenado porque era a favor da assinatura. E eu nĂŁo estou aqui para absolver absolutamente ninguĂ©m; sou sĂł um advogado, com muitas dificuldades, inclusive, que tenta constantemente driblĂĄ-las. Mas o papel aqui nĂŁo Ă© discutir se a conduta dele Ă© moral ou nĂŁo Ă© moral”, disse.

O Ășltimo a falar foi Eduardo Pedro Nostrani SimĂŁo, defensor de Silvinei Vasques.

“No dia das eleiçÔes, vĂĄrios vĂ­deos circularam dando o tom de que o meu cliente estava tentando impedir o voto popular naqueles locais onde o atual presidente teria a preferĂȘncia dos eleitores. SĂŁo dados falsos. Os vĂ­deos sĂŁo verdadeiros, mas as notĂ­cias referentes aos vĂ­deos sĂŁo falsas”, afirmou.

O julgamento, que serå retomado nesta próxima terça-feira (16/12), terå reinício com o voto de Moraes.

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