Atenção: a matéria a seguir traz conteúdos sensíveis e pode ocasionar gatilhos sobre violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180
A influenciadora Laura Araujo se pronunciou publicamente após o arquivamento definitivo do inquérito que investigava Saulo Pôncio por estupro. Em um longo e emocionado relato, ela afirmou que a decisão judicial não apaga a violência que diz ter sofrido anos atrás e criticou o que classificou como falhas do sistema de Justiça na apuração de crimes sexuais. O arquivamento foi confirmado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por falta de provas suficientes para sustentar uma acusação criminal.
“Anos atrás vivi uma violência que mudou a minha vida”, iniciou Laura, visivelmente abalada. “Demorei anos para conseguir falar sobre essa violência e, quando finalmente tive forças para buscar os caminhos legais, o processo foi arquivado por falta de testemunha ocular. É isso mesmo: eu precisava que alguém tivesse visto para ter voz.”
Veja as fotos
Segundo ela, a exigência de provas consideradas “quase impossíveis” acaba protegendo agressores e silenciando vítimas. “Violências assim não acontecem diante de hipótese. Isso significa que o sistema exige das vítimas uma prova quase impossível, enquanto quem tem poder segue protegido.”
Laura também relatou o impacto psicológico e físico do processo de investigação. “Passei por atendimentos longos, invasivos e exaustivos. Fiquei 24 horas após o ocorrido sem tomar banho, esperando o atendimento de corpo de delito. Com a mesma roupa, revivendo tudo o que tinha acabado de acontecer. Ali eu me vi humilhada, desamparada, de mãos atadas”.
No pronunciamento, a influenciadora afirmou que, após tornar o caso público, outras mulheres relataram experiências semelhantes envolvendo a mesma pessoa. “Depois que falei, outras mulheres se reconheceram e relataram vivências semelhantes. Isso mostra que não estamos falando de um caso isolado, mas de um padrão que precisa ser enfrentado.”
Ela também associou sua trajetória pessoal à escolha profissional. “É por isso que escolhi a psicologia: para cuidar de mim e ajudar tantas outras mulheres que carregam dores como essa. Muitas relataram o medo de buscar qualquer medida formal por temerem passar pelo que eu estou passando agora.”
Laura afirmou que, mesmo com o arquivamento, não considera que haja uma absolvição moral. “Não é porque o processo foi arquivado que ele foi inocentado. Por mim e por todas as outras vítimas, eu vou continuar até o fim. Eu acredito na justiça dos homens, mas também acredito na justiça de Deus.”
Relembre o caso
O portal LeoDias teve acesso a documentos oficiais do Ministério Público do Rio de Janeiro que confirmam o arquivamento definitivo do inquérito que investigava Saulo Pôncio por estupro. A decisão foi confirmada pela Procuradoria-Geral de Justiça, instância máxima do MP no estado, e encerrou de forma definitiva a apuração iniciada em 2020.
De acordo com os pareceres, o arquivamento se baseou na ausência de materialidade, fragilidade das provas apresentadas e contradições relevantes nos relatos ao longo do tempo. Laudos do Instituto Médico-Legal e um parecer médico independente não identificaram sinais compatíveis com violência sexual ou uso de força física. Para o MP, não foi possível formar convicção segura sobre a ocorrência dos fatos.
Após uma tentativa de reabertura do caso, a Procuradoria-Geral de Justiça manteve a decisão e rejeitou novas diligências, confirmando o encerramento definitivo da investigação.
Pronunciamento de Saulo Pôncio
Após a conclusão do processo, Saulo Pôncio divulgou uma nota oficial afirmando que sua vida pessoal e profissional foi impactada por acusações graves. Segundo ele, o Ministério Público realizou uma apuração rigorosa, analisando depoimentos, provas e laudos técnicos, sem encontrar indícios de crime sexual.
Na nota, Saulo também acusa a denunciante de divulgar informações sigilosas do processo de forma indevida e afirma que inconsistências nos relatos contribuíram para o arquivamento. Ele sustenta que a manutenção pública de acusações já descartadas pelas autoridades viola sua honra e dignidade e afirma que adotará medidas legais para proteger seus direitos.





