A crĂtica pĂșblica de Milton Cunha Ă escolha de Virginia Fonseca como rainha de bateria da AcadĂȘmicos do Grande Rio tem um motivo que vai alĂ©m do discurso genĂ©rico sobre celebridades no Carnaval. Segundo apuração da coluna FĂĄbia Oliveira, o incĂŽmodo do carnavalesco envolve uma articulação frustrada nos bastidores.
A origem da insatisfação remonta ao ano passado, quando Erika Januza deixou o posto de rainha de bateria da Viradouro. Naquele momento, Milton Cunha teria tranquilizado a atriz, afirmando que uma grande escola de samba a convidaria em breve para assumir o cargo â e essa escola seria justamente a Grande Rio.
De acordo com fontes, Milton chegou a conversar sobre o assunto com Jayder Soares, presidente da agremiação, durante um jantar. O comentarista defendia o nome de Erika por considerar sua trajetória no samba, além de destacar a importùncia simbólica de uma mulher preta ocupar um posto tão representativo no desfile. Entre pessoas próximas a Milton, a indicação era tratada como algo praticamente encaminhado.

Reprodução/Instagram
Reviravolta com Virginia
O cenĂĄrio mudou com a entrada de Virginia Fonseca na disputa. A influenciadora teria chegado com forte aporte financeiro e enorme visibilidade nas redes sociais, fatores que pesaram na decisĂŁo final da escola. A escolha teria frustrado Milton Cunha, que viu ruir a expectativa criada em torno do nome de Erika Januza.
Esse contexto ajuda a explicar o tom mais duro adotado pelo carnavalesco ao comentar o tema publicamente. Nos Ășltimos dias, Milton vocalizou crĂticas Ă presença de celebridades sem ligação com o samba em cargos centrais das escolas, especialmente o de rainha de bateria.
CrĂticas pĂșblicas e discurso sobre pertencimento
Ao abordar o assunto, Milton Cunha fez questĂŁo de ressaltar que o cargo vai muito alĂ©m de visibilidade. Para ele, a função exige histĂłria, vĂnculo e pertencimento com a comunidade da escola.
âEssas pessoas que estĂŁo chegando de helicĂłptero acham que Ă© um posto de saracoteio, nĂŁo Ă©. Aquilo ali Ă© um pertencimento gigantesco de antesâ, afirmou.
Em seguida, reforçou que sua crĂtica nĂŁo Ă© pessoal contra Virginia, mas parte de um debate mais amplo sobre o Carnaval.
âEu estou do lado da comunidade. Quer aparecer? Compra um lugar no abre-alas, vem linda dando tchau, paga o melhor lugarâ, disparou.
Por fim, o carnavalesco diferenciou quem desfila por compromisso com a escola de quem chega pelo apelo midiĂĄtico.
âAgora, deixa a execução do samba, do suor, da raça para quem o tem. VocĂȘ Ă© linda, maravilhosa, mas nĂŁo pode. VocĂȘ nĂŁo conhece ninguĂ©m, a nĂŁo ser o presidenteâ, concluiu.
Fonte: Coluna FĂĄbia Oliveira, metrĂłpoles
âïž Redigido por ContilNet

