Um novo estudo sobre linguagem e comportamento acendeu um alerta nos Estados Unidos: as redes sociais estariam “roubando” a identidade cultural e individual da geração Z. A análise foi apresentada pela Universidade Johns Hopkins, por meio da linguista e professora Margaret Renwick, especialista em ciência cognitiva.
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De acordo com a pesquisadora, jovens que cresceram conectados aprendem on-line não apenas o que vestir ou ouvir, mas também como agir e até como falar com estranhos. O resultado, segundo ela, é uma juventude cada vez mais homogênea, com menos marcas regionais ou pessoais.
Renwick analisou gravações históricas de falantes do sul dos Estados Unidos desde a década de 1960 e constatou um declínio progressivo dos sotaques sulistas, tradicionalmente mais “arrastados”, tanto entre brancos quanto entre negros. Para a linguista, esse desaparecimento linguístico coincide com a ascensão das redes sociais como principal referência cultural.
Influencer em vídeo dizendo “o que as garotas legais estão usando” – Foto: Reprodução/Tiktok
O fenômeno se torna ainda mais evidente em plataformas como o TikTok, onde algoritmos mostram constantemente “o que as garotas bonitas estão usando”, “o que as pessoas descoladas estão ouvindo” e quais comportamentos estão em alta ou fora de moda. Esse consumo repetitivo de tendências cria um efeito espelho, no qual milhões de jovens passam a se copiar mutuamente.
A jornalista Rikki Schlott, colunista do New York Post, reforça a crítica ao apontar que as preferências pessoais estão sendo entregues às recomendações algorítmicas. Gostos musicais, por exemplo, passam a ser moldados por sugestões automáticas de plataformas como o Spotify, enquanto o Instagram prioriza conteúdos “provavelmente agradáveis”, em vez de conexões reais.
Impacto da internet sobre sotaques
Outra especialista ouvida, a linguista Susan Tamasi, da Universidade Emory, afirmou à revista The Atlantic que a internet tem impacto ainda maior sobre sotaques do que a televisão teve no passado. Segundo ela, isso acontece porque crianças e adolescentes não apenas assistem a conteúdos, mas interagem ativamente uns com os outros em redes sociais e plataformas de jogos.
Para Tamasi, o quadro é direto: quando um jovem passa, em média, quase cinco horas por dia conectado, a influência da internet supera a do ambiente físico ao redor. O resultado é uma geração que se expressa de maneira cada vez mais uniforme, no jeito de falar, de vestir e até de pensar.
Redes sociais estão padronizando a geração Z – Foto: Reprodução
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