O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido de revogação da medida cautelar de monitoramento eletrônico apresentado pela defesa de Karen de Moura Tanaka Mori (37), conhecida como “Japa do PCC”. A decisão foi tomada após análise do recurso que solicitava a retirada da tornozeleira eletrônica imposta à investigada.
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Karen foi presa em fevereiro do ano passado e, segundo a defesa, permanece sob restrições judiciais há mais de 23 meses sem que tenha sido oferecida denúncia formal pelo Ministério Público.
Argumentos apresentados pela defesa
Na petição encaminhada ao TJSP, os advogados sustentaram que o inquérito policial foi concluído com opinião favorável ao indiciamento, mas que o Ministério Público não concordou com esse entendimento até o momento. Para a defesa, a ausência de denúncia tornaria excessiva a manutenção do monitoramento eletrônico.
Ainda conforme o documento, a tornozeleira estaria causando prejuízos significativos à vida pessoal, emocional e profissional da investigada. Os advogados classificaram a medida como violenta e degradante, alegando que o uso prolongado do equipamento teria se transformado em instrumento de punição antecipada.
Entendimento do Tribunal de Justiça
Ao negar o pedido de reconsideração, o TJSP afirmou que os fundamentos que motivaram a imposição da medida cautelar continuam válidos. A Corte destacou, especialmente, a gravidade dos fatos apurados na investigação, o que justificaria a manutenção do monitoramento eletrônico. Com a decisão, Karen segue obrigada a utilizar a tornozeleira enquanto o caso permanece em apuração.
Atuação atribuída pela Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, Karen de Moura Tanaka Mori é apontada como responsável por atuar na lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicam movimentações financeiras em cidades da Baixada Santista, como Santos, Cubatão e Guarujá, além da capital paulista.
Relatórios de informações financeiras obtidos pela polícia apontam que a suspeita teria movimentado milhões de reais para ocultar a origem de valores provenientes do tráfico de drogas.
Prisão e vínculo com liderança do PCC
Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado como uma das lideranças do PCC e executado durante uma disputa interna da facção em 2018. No momento da prisão, realizada em sua residência, a polícia apreendeu um carro de luxo, mais de R$ 1 milhão em dinheiro e cerca de US$ 50 mil.
À polícia, Karen afirmou desconhecer qualquer atividade ilícita do marido e negou ter recebido recursos provenientes do tráfico ou manter vínculo com integrantes da organização criminosa.
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