Policiais relatam falta de EPIs em meio a casos de meningite e tuberculose em presĂ­dio no Acre

Enquanto lidam com um suposto surto de meningite e tuberculose nos presĂ­dios, as equipes trabalham com ausĂȘncia de itens bĂĄsicos de proteção, como ĂĄlcool e luvas

Por Matheus Mello, ContilNet 06/02/2026 Atualizado: hĂĄ 2 meses

Um grupo de policiais penais aprovados no Ășltimo concurso pĂșblico no Acre, realizado em 2023, fez uma sĂ©rie de denĂșncias graves ao ContilNet sobre as condiçÔes do Complexo PenitenciĂĄrio de Rio Branco.

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Em relação ao suposto surto de doenças nos presídios, o Iapen declarou que não hå detentos com casos confirmados de meningite | Foto: ContilNet

Segundo a denĂșncia, meses depois do ingresso na polĂ­cia, os servidores ainda nĂŁo receberam uniformes para o exercĂ­cio das atividades no presĂ­dio.

Outra questĂŁo grave denunciada diz respeito Ă  insalubridade das condiçÔes de trabalho. Enquanto lidam com um suposto aumento nos casos de meningite e tuberculose nos presĂ­dios, as equipes trabalham com ausĂȘncia de itens bĂĄsicos de proteção, como ĂĄlcool e luvas, alĂ©m de problemas estruturais, como esgoto a cĂ©u aberto.

“Nos jogaram ao meio do caos, o Ă­ndice de tuberculose e meningite Ă© altĂ­ssimo no presĂ­dio, nĂŁo temos ĂĄlcool e nem luva, o esgoto Ă© a cĂ©u aberto. Temos filhos. NĂŁo temos nem auxĂ­lio-saĂșde ou insalubridade. Temos medo de contrair essas doenças ou mesmo nĂŁo voltar para casa, pois a situação do complexo penitenciĂĄrio Ă© caĂłtica. Estamos abandonados em meio a uma bomba-relĂłgio que qualquer hora pode explodir”, disse um dos denunciantes.

O ContilNet procurou a presidĂȘncia do Instituto de Administração PenitenciĂĄria do Acre (Iapen/AC) para obter um posicionamento da instituição. Em nota, sobre a questĂŁo do fardamento dos servidores, o ĂłrgĂŁo afirmou que jå existe um recurso que serĂĄ destinado a aquisição de uniformes e destaca que 1.500 botas jĂĄ foram adquiridas.

Em relação ao suposto surto de doenças nos presídios, o Iapen declarou que não hå detentos com casos confirmados de meningite. A instituição informou que em relação aos presos confirmados com tuberculose, segue um protocolo de isolamento e que quando hå necessidade do atendimento médico, detentos e policiais fazem o uso dos devidos itens de proteção como måscaras. A instituição afirmou ainda que ålcool e luvas que jå foram reabastecidos nessa quinta-feira, 5, pela unidade prisional.

A denĂșncia feita pelos servidores ainda revelou crĂ­ticas ao baixo efetivo de servidores, o que afeta o sistema de rondas e segurança nos presĂ­dios.

“Estamos com baixo efetivo no presĂ­dio, ainda colocaram uma portaria para os policiais fazerem ronda durante o dia de 1 em 1 hora. NĂŁo temos efetivo para isso, pois estamos todos em missĂŁo, levando presos para posto mĂ©dico, fazendo escolta externa, recebendo preso que vem da rua. É muita coisa para pouco policial”, disse outro denunciante.

Em resposta, o Iapen declarou:

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Sede do Iapen/Foto: Reprodução

“Sobre portaria que define a realização de rondas durante o dia, de 1 em 1 hora, o Iapen destaca que o Policial Penal tem diversas atribuiçÔes relacionadas Ă  segurança dos estabelecimentos penais, e todas essas atribuiçÔes, como escoltas externas, condução de presos para atendimento mĂ©dico, entre outras, sĂŁo inerentes ao cargo. Essas atribuiçÔes estĂŁo contidas na Lei Complementar nÂș 392/2021 e na Instrução Normativa NÂș 001/2016 (Plano Operacional PadrĂŁo). O Iapen ressalta ainda que a escala atual de trabalho da PolĂ­cia Penal Ă© de 24 por 72 horas, no entanto, a escala 12 por 36 deve ser estudada pela gestĂŁo”.

E seguiu falando sobre as Ășltimas convocaçÔes feitas pelo governo. Contudo, lembrou que, em razĂŁo da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Estado segue impossibilitado de realizar novas nomeaçÔes.

“Quanto ao efetivo, o Iapen esclarece que o governo tem feito tratativas com o intuito de suprir outras vacĂąncias que foram notificadas. O chamamento dos candidatos ocorre de acordo com a disponibilidade financeira e orçamentĂĄria do Estado, dentro do prazo de validade do concurso pĂșblico, pois as contrataçÔes nĂŁo podem causar aumento de despesa em obediĂȘncia ao limite de despesa com pessoal estipulado no Art. 22 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Novas chamadas estĂŁo sendo estudadas adotando os critĂ©rios estabelecidos pela Procuradoria Geral do Estado (PGE)”, continuou.

“Vale destacar que o governador Gladson CamelĂ­, foi o Ășnico que empossou novos policiais penais. Este Ă© o primeiro concurso desde a criação do Iapen em 2007 e nomeação dos primeiros servidores em 2008”, completou.

Em relação a falta de auxĂ­lios que os servidores reclamam na denĂșncia, o Iapen declarou que a categoria optou incorpora-los ao vencimento Ășnico conhecido como soldĂŁo.

Ainda segundo o Iapen, a instituição tem trabalhado com responsabilidade para garantir os direitos e a segurança de todos que compÔem o Sistema Penitenciårio Acreano.

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