Mais chuva! Acre entra em alerta para temporais nesta segunda

Aviso do Inmet prevê temporais nesta segunda (20), enquanto autoridades já se preparam para impactos do El Niño

Por Anne Nascimento, ContilNet 20/04/2026 às 10:25

O Acre vive um cenário climático de extremos: ao mesmo tempo em que autoridades alertam para o risco de uma seca severa nos próximos meses, um novo aviso de chuvas intensas coloca todo o estado em atenção imediata nesta segunda-feira (20).

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo para chuvas intensas em todo o Acre ao longo desta segunda-feira (20). A previsão indica volumes entre 30 e 60 mm por hora ou até 100 mm por dia, acompanhados de ventos que podem chegar a 100 km/h.

O aviso traz riscos concretos: queda de energia elétrica, alagamentos, descargas elétricas e até queda de árvores. A recomendação é evitar abrigo sob estruturas frágeis, não estacionar veículos próximos a placas ou torres e, se possível, desligar aparelhos elétri cos durante as tempestades.

O alerta imediato contrasta com um cenário que vem sendo desenhado para os próximos meses. Segundo projeções climáticas e órgãos de monitoramento, o estado pode enfrentar uma nova seca severa ainda em 2026, influenciada pelo fenômeno El Niño.

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há mais de 80% de probabilidade de formação de um novo episódio do fenômeno na segunda metade do ano. Embora o pico seja esperado para o segundo semestre, especialistas afirmam que os efeitos já começam a ser sentidos agora, ainda em abril.

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Na prática, isso significa um comportamento climático irregular: chuvas intensas fora de época, seguidas por longos períodos de estiagem. Esse padrão já começou a aparecer. Mesmo com o avanço gradual do El Niño, episódios recentes de enxurradas e volumes elevados de chuva foram registrados, considerados atípicos para o período de transição climática.

De acordo com coordenador municipal da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, esse tipo de oscilação tende a se intensificar. “O boletim fala do segundo semestre, mas é quando o fenômeno vai intensificar. O fato é que ainda no primeiro semestre nós vamos sentir esses efeitos. Já estamos preparados para senti-los agora na segunda quinzena de abril”, disse.

Ainda na última semana, Falcão enfatizou a grande enxurrada. “E ainda podem acontecer chuvas nessa situação agora na segunda quinzena. Contudo, dentro dos nossos gráficos, o El Niño já está atuante; digamos que esteja a 5%, mas já está atuante. Por isso, essas chuvas que aconteceram ontem e que podem acontecer ainda em abril são consideradas atípicas, pois não deveriam ocorrer em um volume tão intenso”, explica.

O Rio Acre, principal manancial da capital, é uma das maiores preocupações. Em anos recentes, o estado já enfrentou situações críticas, com níveis historicamente baixos e impactos diretos no fornecimento de água. A possibilidade de repetição, ou até agravamento, desse cenário coloca autoridades em estado de preparação.

Além do abastecimento, a estiagem severa costuma vir acompanhada de outros problemas, como o aumento de queimadas e piora na qualidade do ar. Em resposta, o governo federal já decretou situação de emergência ambiental em áreas do Acre, medida que permite ações mais rápidas no combate a incêndios florestais e na proteção de comunidades vulneráveis.

O que é o El Niño?

O “El Niño” é um fenômeno atmosférico-oceânico complexo, associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, especialmente em sua porção central e centro-leste, incluindo a região costeira do Equador e do Peru. Ele faz parte do ciclo El Niño-Oscilação Sul, que também inclui fases neutras e de resfriamento (La Niña), podendo reaparecer em intervalos de 2 a 7 anos.

Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e muda os padrões de chuva e de temperatura em várias partes do mundo. O episódio mais recente se desenvolveu ao longo de 2023 e perdeu força no primeiro semestre de 2024. No Brasil, esteve associado, em geral, à chuvas acima da média na Região Sul e a condições mais quentes e secas em partes das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.

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