Zema propĂ”e “alternativa Ă  CLT”: “conversa entre patrĂŁo e funcionĂĄrio”

Proposta de criar uma alternativa Ă  CLT, sem extingui-la, voltou ao centro do debate polĂ­tico apĂłs Romeu Zema apresentar diretrizes de seu plano de governo

Por Redação ContilNet 20/04/2026 às 15:58

Ao defender um modelo paralelo à legislação atual, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sugere que trabalhadores e empresas possam escolher entre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um novo formato mais flexível, proposta que divide opiniÔes e levanta questionamentos sobre direitos e segurança no emprego.

A proposta de criar uma alternativa Ă  CLT, sem extingui-la, voltou ao centro do debate polĂ­tico apĂłs Romeu Zema apresentar diretrizes de seu plano de governo com foco na flexibilização das relaçÔes de trabalho. A ideia, segundo o prĂ©-candidato Ă  PresidĂȘncia, Ă© permitir que empregadores e funcionĂĄrios escolham livremente entre o regime tradicional e um novo modelo contratual, mais adaptĂĄvel Ă s necessidades de cada parte.

“NĂŁo vamos acabar com a CLT, mas queremos uma alternativa o funcionĂĄrio patrĂŁo decida se quer a CLT ou o novo modo de trabalhar”, enfatiza. “Onde alguĂ©m possa fazer um contrato de trabalho para trabalhar duas horas por dia; entĂŁo, queremos ter uma alternativa. NĂŁo Ă© reforma trabalhista, Ă© um complemento trabalhista”.

Na prĂĄtica, o plano abre espaço para contratos com formatos variados — incluindo jornadas reduzidas, como trabalho por poucas horas diĂĄrias, desde que haja acordo entre patrĂŁo e empregado. Zema sustenta que a coexistĂȘncia dos dois modelos criaria um ambiente de “livre escolha”, no qual a adesĂŁo Ă  CLT ocorreria naturalmente caso ela fosse mais vantajosa.

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A proposta, no entanto, levanta debates sobre equilĂ­brio nas negociaçÔes. Especialistas apontam que, em um cenĂĄrio de desemprego ou informalidade elevada, o poder de barganha do trabalhador pode ser limitado, o que poderia pressionar pela adoção de contratos mais flexĂ­veis — e, possivelmente, com menos garantias.

Por outro lado, defensores da medida argumentam que a rigidez da legislação atual dificulta a geração de empregos formais, especialmente para pequenas empresas e setores com demandas variåveis. A possibilidade de contratos mais curtos e adaptåveis, dizem, poderia estimular a contratação e reduzir a informalidade.

A iniciativa integra um conjunto mais amplo de propostas apresentadas sob o slogan “O Brasil sem intocáveis”, que inclui revisão de estruturas institucionais e medidas de liberalização econîmica. No campo trabalhista, a criação de um “complemento” à CLT — e não sua substituição — aparece como um dos pontos mais sensíveis, ao tocar diretamente em direitos históricos e no modelo de proteção social vigente no país.

Com informaçÔes da Carta Capital

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