SindicĂąncia aponta que aposentadoria de Dilma Rousseff em 2016 foi irregular

Por DO G1 20/08/2017 Atualizado: hĂĄ 9 anos
DILMA CERTA

A revista “Época” revelou que Dilma teve auxĂ­lio de servidores para obter o benefĂ­cio social sem entrar na fila dos aposentados/Foto: reprodução.

Uma sindicĂąncia aberta pelo MinistĂ©rio do Desenvolvimento Social (MDS) concluiu que a ex-presidente Dilma Rousseff usou a influĂȘncia de servidores de carreira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para agilizar sua aposentaria pela PrevidĂȘncia Social sem agendamento.

A informação foi publicada neste fim de semana pela revista “Veja” e confirmada pela TV Globo.

No ano passado, reportagem da revista “Época” revelou que Dilma teve auxĂ­lio de servidores para obter o benefĂ­cio social sem entrar na fila dos aposentados. ApĂłs a publicação do texto, o MDS decidiu abrir uma sindicĂąncia para apurar o caso.

Na investigação interna, ficou constatado, segundo a “Veja”, que, alĂ©m de ter furado a fila do INSS, Dilma conseguiu se aposentar no ano passado sem toda a documentação necessĂĄria.

Em nota, a assessoria da ex-presidente criticou a reportagem e afirmou que a aposentadoria “segue os rigores da lei” (leia a Ă­ntegra da nota ao final do texto).

Segundo a revista, no dia 1Âș de setembro – menos de 24 horas depois de Dilma ser afastada da PresidĂȘncia por meio do impeachment – o ex-ministro da PrevidĂȘncia Carlos Gabas e uma secretĂĄria pessoal de Dilma foram atendidos em uma agĂȘncia do INSS para formalizar a aposentadoria da petista.

De acordo com “Veja”, os dois entraram pela porta dos fundos da agĂȘncia, e foram atendidos pelo chefe do local. A reportagem afirma que, em dez minutos, o processo de aposentadoria de Dilma foi aberto no sistema e concluĂ­do de forma sigilosa.

Para a sindicĂąncia do MDS, o ex-ministro atuou e utilizou de sua influĂȘncia no INSS, por ter sido ministro da PrevidĂȘncia, para agilizar a concessĂŁo do benefĂ­cio. Dilma se aposentou com o teto mĂĄximo pago pelo INSS, de R$ 5.189,00.

Além da atuação de Gabas, a investigação interna do MDS aponta que a servidora Fernanda Doerl utilizou, para calcular o tempo de serviço da ex-presidente, informaçÔes que Dilma não comprovou com documentos.

O ex-ministro Carlos Gabas declarou que vai entrar com uma ação contra a “Veja” e que considera haver perseguição polĂ­tica por parte do ministĂ©rio.

Gabas afirmou ainda que o processo administrativo nĂŁo comprovou qualquer irregularidade, que nĂŁo hĂĄ questionamento quanto ao direito Ă  aposentadoria de Dilma e que o benefĂ­cio nĂŁo foi cancelado. Por Ășltimo, negou que tenha furado a fila do INSS.

PuniçÔes

ApĂłs a conclusĂŁo da sindicĂąncia, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, afastou do serviço pĂșblico por dez dias o ex-ministro Carlos Gabas, que Ă© servirdor de carreira do INSS e estĂĄ cedido para o gabinete do senador Humberto Costa (PT-PE).

No perĂ­odo de afastamento, Gabas nĂŁo poderĂĄ trabalhar e terĂĄ o salĂĄrio descontado.

JĂĄ a servidora Fernanda Doerl recebeu uma advertĂȘncia do ministĂ©rio por nĂŁo ter atuado com “zelo”, “dedicação” e sem “observar as normas legais”.

Apesar de ter identificado a atuação irregular dos envolvidos no caso, a sindicĂąncia, segundo a reportagem, nĂŁo encontrou “intenção clara” em beneficiar Dilma.

AlĂ©m disso, o MDS cobra de Dilma a devolução de R$ 6.188,00, valor de um mĂȘs do benefĂ­cio corrigido pela inflação. Segundo a sindicĂąncia, a ex-presidente começou a receber um mĂȘs antes do que deveria – em agosto. A ex-presidente solicitou o benefĂ­cio no inĂ­cio de setembro.

Nota

Leia a Ă­ntegra da nota de Dilma Rousseff:

NOTA À IMPRENSA

Sobre a matĂ©ria de “Veja”
A propĂłsito da matĂ©ria “Investigação confirma aposentadoria irregular de Dilma”, veiculada por Veja a partir de sexta-feira, 18, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. Veja volta a executar o velho Jornalismo de Guerra ao dar ares de escùndalo à aposentadoria da presidenta eleita Dilma Rousseff. O escùndalo estå na perseguição que a revista promove e não na aposentadoria em si.

2. Depois de 36 anos, 10 meses e 21 dias de serviços prestados – comprovados documentalmente – aos 68 anos de idade, Dilma Rousseff se aposentou com vencimentos pouco acima de R$ 5 mil — o teto do INSS. Ela nada recebe como ex-presidenta da RepĂșblica ou anistiada polĂ­tica. O benefĂ­cio segue os rigores da lei. Tampouco se valeu de subterfĂșgios para o recebimento de valores indevidos ou excessivos, como ocorre com Michel Temer e ministros do governo golpista.

3. Afastada da PresidĂȘncia pelo golpe construĂ­do a partir do impeachment fraudulento, Dilma Rousseff recebeu em agosto de 2016 seu primeiro benefĂ­cio como aposentada.

4. Inicialmente, o governo golpista se recusara a reconhecer o tempo de serviço dela, com base nos efeitos da anistia. É que, alĂ©m de ter sido encarcerada pela ditadura no inĂ­cio de 1970, Dilma Rousseff foi obrigada, a partir de 1977, a se afastar de seu trabalho, na Fundação de Economia e EstatĂ­stica, por integrar a chamada lista do General Frota. SĂł no final dos anos 1980, foi anistiada.

5. Por isso, Dilma Rousseff pleiteou para a sua aposentadoria o reconhecimento pelo INSS do perĂ­odo de anistia de aproximadamente dez anos. O governo golpista negou-lhe os efeitos da anistia com o evidente objetivo de prejudicĂĄ-la. Alegou que tentava fraudar a previdĂȘncia, procurando se aposentar antes da hora. A ação foi frustrada porque Dilma Rousseff havia trabalhado por todo esse perĂ­odo e podia facilmente comprovĂĄ-lo. Como o fez.

6. Na sequĂȘncia, o INSS apontou que uma anotação equivocada por parte de uma funcionĂĄria — sem interferĂȘncia da presidenta eleita —, ensejou a concessĂŁo do benefĂ­cio em agosto e nĂŁo em setembro, como seria o correto. A prĂłpria autarquia avaliou, no entanto, que nĂŁo houve mĂĄ-fĂ© por parte da servidora.

7. A defesa da presidenta eleita — a cargo dos advogados Bruno Espiñera Lemos e Victor Minervino Quintiere — deixou claro que nĂŁo era possĂ­vel exigir de Dilma Rousseff que soubesse tratar-se de equĂ­voco por parte do sistema do INSS. Isso porque o procedimento passou pelos devidos trĂąmites regimentais.

8. Dilma Rousseff estĂĄ recorrendo da devolução. A jurisprudĂȘncia dos tribunais superiores considera incabĂ­vel a cobrança pelo erĂĄrio dos valores recebidos de boa-fĂ©. Ela vĂȘ na atitude do governo golpista uma clara tentativa de prejudicar funcionĂĄrios de carreira criando uma “falsa denĂșncia” para punição abusiva.

9. A sindicñncia mencionada por Veja reforça a tese da defesa da ex-presidente de que não houve “intenção clara dos investigados em beneficiar Dilma Rousseff”.

10. Veja dĂĄ cores de denĂșncia ao que Ă© sanha de um governo usurpador, tomado pelo objetivo de perseguição polĂ­tica e de diversionismo dos escĂąndalos de corrupção do grupo no poder. Devia era explicar as aposentadorias precoces do presidente ilegĂ­timo e de seus associados.

11. A revista tambĂ©m nĂŁo cumpre a exigĂȘncia fundamental do jornalismo isento, ao deixar de procurar a defesa da ex-presidente ou sua assessoria de imprensa. NĂŁo hĂĄ desculpas ou explicaçÔes que justifiquem a parcialidade e o proselitismo polĂ­tico da revista.

12. Esse é o retrato dos nossos tempos, em que a democracia se mantém sufocada pelos interesses inconfessåveis de uma elite insensível ao bem-estar da população e ao respeito dos direitos democråticos, como a liberdade de imprensa.

ASSESSORIA DE IMPRENSA DILMA ROUSSEFF

 

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