Quando a ESA (AgĂȘncia Espacial EuropĂ©ia) e a NASA divulgaram imagens inĂ©ditas do Sol na semana passada, internautas atenciosos prometeram ter visto um lugar com uma forma muito semelhante Ă de um tardĂgrado na superfĂcie da estrela. A observação gerou jogos, uma vez que esses pequenos animais sĂŁo considerados quase imortais e conseguem colonizar o sol.
Outros observadores questionaram se a presença do âursinho dâĂĄguaâ seria possĂvel no Sol. Afinal, o animal consegue viver 30 anos sem comida e ĂĄgua e pode ser o Ășnico sobrevivente de uma catĂĄstrofe global.
O prĂłprio David Berghmans, chefe do Centro de AnĂĄlise de Dados de InfluĂȘncia Solar do Serviço CientĂfico do ObservatĂłrio Real da BĂ©lgica, reconheceu em uma entrevista coletiva que a mancha lembrava a de um tardĂgrado e que os pesquisadores descobriram que a figura âera arrastou âalgumas das imagens feitas pelo veĂculo Solar Orbiter.
Uma mancha preta em forma de corpo de um tardĂgrado apareceu em imagens recentes do Sol, capturadas pela missĂŁo Solar Orbiter.
No Twitter, Jack Jenkins, pesquisador de pĂłs-doutorado que estuda proeminĂȘncias solares na Katholieke Universiteit Leuven, na BĂ©lgica, foi um dos que notou o âtardĂgradoâ supostamente pedindo carona na estrela.
Mas, o fato Ă© que o ponto nĂŁo passava de um defeito no sensor. âNo processamento futuro, quando otimizarmos ainda mais, ele serĂĄ limpo e misturado com pixels prĂłximos. Mas, no momento, ainda Ă© claramente visĂvelâ, disse ele.
Os tardĂgrados sobreviveriam ao sol?
O animal microscĂłpico com oito pernas e 1,5 milĂmetros de comprimento pode sobreviver da ĂĄgua fervente a uma temperatura quase zero absoluta. VocĂȘ pode viver em terra e atĂ© adormecer por anos quando desidratado ou viver na ĂĄgua.
Os cientistas acreditam que, mesmo que uma rocha espacial gigante caia em nosso planeta ou se a radiação de uma estrela explodindo ferisse nossos oceanos, os seres humanos e a maioria das outras formas de vida desapareceriam, mas os tardigrados sobreviveriam.
HĂĄ indĂcios de que eles jĂĄ colonizaram a Lua, depois de serem transportados por um satĂ©lite israelense que quebrou quando pousou no satĂ©lite.
Embora bastante resistentes, os cientistas dizem que nĂŁo poderiam sobreviver ao Sol, onde as temperaturas podem chegar a mais de 5.000 graus Celsius.

