AC registrou mais de 200 crimes de violĂȘncia domĂ©stica e sexual contra mulheres na pandemia

Por EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET 25/10/2020 Ă s 11:58 Atualizado: hĂĄ 5 anos

O AnuĂĄrio Brasileiro de Segurança PĂșblica divulgou um relatĂłrio na Ășltima segunda-feira (19) mostrando a realidade de todos os estados do Brasil no quesito violĂȘncia, durante os seis primeiros meses do ano.

O Acre ganhou destaque em vĂĄrios segmentos, inclusive no que trata do Ă­ndice de violĂȘncia domĂ©stica e sexual contra mulheres na pandemia do coronavĂ­rus.

Os dados mostram que 226 casos de lesĂŁo corporal dolosa foram registrados em 2020. No ano de 2019, durante o mesmo perĂ­odo, 368 ocorrĂȘncias foram contabilizadas. A variação Ă© de -38,6%.

No primeiro semestre de 2020, São Paulo foi o Estado que mais somou crimes contra mulheres, com 24.069 notificaçÔes.

Quando o recorte Ă© sobre “Estupro e estupro de vulnerĂĄvel, por nĂșmero de vĂ­timas do sexo feminino”, tambĂ©m no mesmo perĂ­odo, 80 casos foram notificados em 2019 (no primeiro semestre) e 52 casos em 2020, no estado acreano.

É possĂ­vel perceber que houve uma diminuição na quantidade de denĂșncias realizadas quando Ă© feita uma comparação entre os dois perĂ­odos.

Aproximação dos agressores e diminuição de investimentos no enfrentamento

Procurada pela reportagem do ContilNet para falar sobre os aspectos psicolĂłgicos e sociais que interferem na subnotificação dos casos, a psicĂłloga clĂ­nica, professora e pesquisadora da ĂĄrea de violĂȘncia contra mulheres, Madge Porto, explicou que o medo gerado pela aproximação do agressor, por conta do perĂ­odo de isolamento decorrente da pandemia do coronavĂ­rus, Ă© um dos fatores.

ContilNet – O Acre em um sĂł lugar – Portal de NotĂ­cias do AcreViolĂȘncia contra a mulher Ă© tema de debate entre professoras e alunos na Ufac - ContilNet - O Acre

Madge é psicóloga clínica e pesquisadora hå mais de 20 anos na årea/Foto: Reprodução

Além disso, a especialista declarou que as mulheres agredidas se sentem impedidas de denunciar, por conta da falta de investimentos nos setores que devem combater os comportamentos misóginos.

“A violĂȘncia contra mulheres, apesar de histĂłrica, tem ganhado a percepção delas num perĂ­odo muito recente, por conta da estruturação de polĂ­ticas pĂșblicas e novas medidas nas ĂĄreas de segurança e assistĂȘncia social para combater a prĂĄtica criminosa”, defendeu.

“Associado ao medo de denunciar, pela aproximação do agressor, estĂĄ o sentimento de desamparo da mulher, por nĂŁo ter a quem recorrer. Ela [que sofre violĂȘncia domĂ©stica e sexual] estĂĄ impedida de procurar ajuda, tambĂ©m pela insuficiĂȘncia de recursos para os setores que devem combater os crimes e punir os agressores. É uma espĂ©cie de desidratação de recursos. O Brasil sofre com isso diariamente”, finalizou.

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