O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, que se o Brasil enfrentar uma segunda onda de contaminaçÔes pela covid-19, como estĂĄ acontecendo na Europa, o governo vai trabalhar âda mesma formaâ que na primeira onda de infecçÔes.
Para enfrentar o coronavĂrus, o governo adotou o chamado Orçamento de Guerra, aprovado pelo Congresso, que tirou uma sĂ©rie de regras para os gastos pĂșblicos.

Coveiro com roupas de proteção no cemitĂ©rio municipal Recanto da Paz, durante o enterro de uma vĂtima da covid-19, na cidade de Breves, a sudoeste da ilha do MarajĂł, no ParĂĄ, em 30 de maio [Foto: Tarso Sarraf/AFP]
O estado de calamidade pĂșblica que permitiu todos esses gastos encerra em 31 de dezembro. Mas integrantes do Congresso jĂĄ discutem, internamente, a possĂvel prorrogação desse perĂodo.
â Se vier uma segunda onda, vamos trabalhar da mesma forma, tĂŁo decisiva quanto a primeira. Vamos ter que reagir, vamos corrigir erros ou excessos que tenhamos cometido no primeiro enfrentamento. Mas eu confio na democracia brasileira â disse Guedes, em audiĂȘncia no Congresso Nacional.
Guedes também disse esperar que São Paulo encomende, pague e vacine sua população.
â NĂłs jĂĄ mandamos bastante dinheiro para SĂŁo Paulo. Tomara que SĂŁo Paulo encomende, pague a vacina e vacine sua população. Pede dinheiro para fazer vacina, agora pede dinheiro para eu pagar, para mandar dinheiro para SĂŁo Paulo de novo⊠JĂĄ mandamos dinheiro de saĂșde para SĂŁo Paulo, ele jĂĄ tomou as providĂȘncias dele â afirmou.
E afirmou que o governo vai encontrar recursos para fazer uma âeconomia de guerraâ. Mas ele avalia que, no Brasil, a doença estĂĄ âdescendoâ.
â NĂŁo tenha dĂșvida, daremos uma resposta igualmente decisiva e encontraremos os recursos. Entraremos numa economia de guerra, mas nĂŁo Ă© o plano A. NĂŁo Ă© o que vemos no momento. O que vemos no momento Ă© a doença descendo, a economia voltando, o auxĂlio emergencial aterrissando â considerou.
Para Guedes, por outro lado, sĂł haverĂĄ tranquilidade quando houver vacina.
â Realmente, de fato, a doença estĂĄ perdendo força. Mas a solução sĂł virĂĄ quando tivermos a vacina. NĂłs sĂł estaremos livres desse pesadelo quando a vacina surgir. Enquanto isso, nĂłs continuamos vulnerĂĄveis e ameaçados â disse.
Guedes disse haver um “plano B” para uma eventual segunda onda, mas nĂŁo quis antecipar:
â O nosso plano A Ă© que a doença estĂĄ descendo e a economia estĂĄ voltando. Temos plano B? Temos. Mas nĂŁo se fica falando de plano B quando se precisa reforçar o plano A. NĂłs temos que fazer o trabalho mais forte agora. Vamos para o plano A. Se e quando uma segunda onda chegar, jĂĄ temos um plano B.
O ministro disse ter proposto, inicialmente, o auxĂlio emergencial a R$ 200 por âprudĂȘnciaâ, sob a visĂŁo de que a crise poderia durar anos. Foi o Congresso que elevou o valor para R$ 600.
Guedes ainda voltou a defender que o governo deverĂĄ retomar o Bolsa FamĂlia se nĂŁo conseguir criar um programa de renda fiscalmente responsĂĄvel.
Ele repetiu nĂŁo ser favorĂĄvel a irresponsabilidades fiscais para viabilizar um programa mais robusto e disse que seria preciso trocar a base de beneficiĂĄrios de indivĂduos para famĂlias, a exemplo do Bolsa FamĂlia. [Capa: Jorge William/AgĂȘncia O Globo]

