STF tenta hÔ dez meses notificar deputado denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro

STF tenta hÔ dez meses notificar deputado denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) tenta hÔ dez meses notificar o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, e o chefe de gabinete do parlamentar a apresentarem defesa em uma denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Sem a notificação, o processo estÔ parado aguardando o início do prazo para que ambos se manifestem. Os dois negam as acusações.

A investigação tem como ponto de partida a delação feita por executivos da Odebrecht em 2016, e a denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 3 de abril de 2020.

No documento, a subprocuradora-geral LindĆ“ra AraĆŗjo diz que a empreiteira fez pagamentos ao deputado para ā€œcomprar o apoio do parlamentar (…) notadamente para orientar, influenciar, arrefecer e dissuadir eventuais sindicais contrĆ”rios aos negóciosā€ e para ā€œcomprar o apoio do parlamentar para o incentivo da participação privada no setor de saneamento bĆ”sicoā€.

Ainda segundo a denúncia, o chefe de gabinete do deputado, Marcelo de Lima Cavalcanti, foi o responsÔvel por receber os recursos da construtora, em dinheiro vivo, que somaram R$ 1,8 milhão.

Os pagamentos sĆ£o comprovados, diz a PGR, por registros de contatos entre Marcelo e a transportadora dos valores e por depoimentos de funcionĆ”rios da empresa, que, de acordo com a procuradoria, confirmam os dados do ā€œsistema de gerenciamento de propinasā€ da Odebrecht.

Em nota, o Solidariedade negou irregularidades nas doaƧƵes feitas pela Odebrecht e afirmou que ā€œdevido Ć  sua lideranƧa e experiĆŖncia, o deputado federal e ex-presidente da ForƧa Sindical, Paulinho da ForƧa, na Ć©poca, recebia muitas solicitaƧƵes para ajudar a solucionar conflitos em grandes demandas trabalhistas, como no caso da greve dos portuĆ”rios ou conflitos na Usina do Rio Madeiraā€.

Ainda segundo a assessoria do partido, ā€œa solução de conflitos e negociaƧƵes entre patrƵes e empregados Ć© algo comum em todas as relaƧƵes trabalhistas.ā€

Dez meses

Quatro dias após a apresentação da denúncia, em 7 de abril do ano passado, o ministro relator Luís Roberto Barroso determinou que os acusados fossem notificados para que oferecessem resposta em até 15 dias. A etapa é necessÔria para o prosseguimento do caso.

Os delatores, que também são acusados no processo, foram notificados. Mas em 28 de abril, o oficial de Justiça responsÔvel pelo procedimento informou ao tribunal que a ordem relativa ao deputado e chefe de gabinete não havia sido cumprida.

Segundo o oficial, o problema estava na mudança do funcionamento da Câmara dos Deputados por causa da pandemia da Covid-19. O Congresso tem realizado sessões e votações remotas, com participação por videoconferência.

ā€œDiligĆŖncias in loco, junto ao gabinete, assim como tentativas por contato telefĆ“nico restaram todas infrutĆ­feras. Dessa forma, sem ĆŖxito no cumprimento da diligĆŖncia, devolvo o presente mandado sem o cumprimento da ordemā€, diz o registro do oficial de JustiƧa, que tambĆ©m aponta diligĆŖncias ā€œinfrutĆ­ferasā€ no apartamento funcional de Paulinho da ForƧa.

Em julho, a PGR pediu que fossem entĆ£o notificados os advogados dos dois ā€œpara que indiquem o exato local onde deverĆ£o ser realizadas as notificaƧƵesā€ e que, se nĆ£o fosse possĆ­vel intimar os advogados para que cumprissem a decisĆ£o, que o deputado e seu assessor fossem notificados por edital.

O pedido foi atendido trĆŖs meses depois, em 22 de outubro. Barroso determinou que as defesas dos investigados informassem endereƧos para notificação – ou, como alternativa, que se declarassem cientes do processo e oferecessem as respostas de seus clientes.

Os advogados receberam as intimações em poucos dias, ainda em outubro, mas não constam novos documentos da defesa no processo desde então.

Após a decisĆ£o de Barroso, o processo ficou paralisado novamente. JĆ” neste ano, no Ćŗltimo dia 3, o ministro tomou nova decisĆ£o: pediu a intimação pessoal do diretor-geral da CĆ¢mara dos Deputados para que ā€œsob pena de responsabilidade pessoal, forneƧa o endereƧo funcional dos acusados, bem como outros endereƧos residenciais eventualmente cadastradosā€.

O mandado foi assinado na quinta-feira (11) e tem prazo de cinco dias para cumprimento – a contagem comeƧa quando o diretor-geral da CĆ¢mara for notificado.

O que diz o STF

A assessoria de comunicação do STF afirmou à TV Globo que cabe à Secretaria JudiciÔria do tribunal encontrar e informar os investigados para que apresentem defesa.

Se os citados nĆ£o sĆ£o encontrados, hĆ” ainda a possibilidade de notificação por edital – quando a citação Ć© publicada na internet, no site do tribunal.

O STF tambĆ©m informou que ā€œtem adotado todas as providĆŖncias cabĆ­veis para a localização dos investigados, sendo mesmo surpreendente que ainda nĆ£o tenham sido encontradosā€.

Onde estĆ” o deputado?

O deputado esteve em Brasília recentemente. Segundo os registros da Câmara, Paulinho da Força participou da votação presencial para eleição do presidente da Casa, no último dia 1º.

A assessoria de Paulo Pereira da Silva afirmou que ele ā€œnĆ£o estĆ” evitando as notificaƧƵes do STFā€ e que ā€œpode ser contactado pelos endereƧos oficiais, que constam no site da CĆ¢maraā€.

A equipe do parlamentar disse ainda que o chefe de gabinete Marcelo Cavalcanti, citado na denĆŗncia, ā€œsempre estĆ” com o deputadoā€.

ā€œO gabinete do deputado tambĆ©m Ć© o mesmo desde que ele foi eleito pela primeira vez, hĆ” 14 anos. AlĆ©m disso, o seu telefone Ć© de conhecimento de todosā€, afirmou o gabinete do parlamentar.

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