A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou uma ação apresentada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro contra o acesso do ex-presidente Luiz InÔcio Lula da Silva (PT) às mensagens da Operação Spoofing.
A investigação mira um grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades, atingindo o próprio Moro e procuradores que atuaram na forƧa-tarefa da Lava Jato em Curitiba. O ex-juiz tambĆ©m queria que o Supremo declarasse que sĆ£o inadmissĆveis como prova as mensagens obtidas pelos criminosos.
O acesso de Lula Ć s mensagens foi autorizado pelo ministro Ricardo Lewandowski. No mĆŖs passado, em uma nova derrota da Lava Jato, a 2ĀŖ Turma do STF confirmou o entendimento de Lewandowski, mantendo o acesso do petista ao material.
O placar elÔstico, de 4 a 1, escancarou o isolamento do relator da Lava Jato no tribunal, Edson Fachin.Conforme informou o Estadão, o Supremo se tornou um novo foco de oposição à Lava Jato. Uma mudança na correlação de forças entre os ministros e os desgastes internos da presidência de Luiz Fux, integrante da ala pró-Lava Jato, tornaram o cenÔrio mais desfavorÔvel ao legado da investigação.
A operação jĆ” tinha sido abalada por uma ofensiva da cĆŗpula da Procuradoria-Geral contra procuradores de Curitiba e, agora, enfrenta uma tentativa de aliados e inimigos polĆticos do presidente Jair Bolsonaro de ādesconstruirā Moro.
SubterfĆŗgio processual
Ao entrar com uma reclamação no Supremo, a defesa de Moro argumentou que Lewandowski nĆ£o teria competĆŖncia para decidir sobre o acesso de Lula Ć s mensagens dos hackers. O ex-ministro da JustiƧa alegou que Lula utilizou um āsubterfĆŗgio processualā para ācontornar a prevençãoā de Fachin, responsĆ”vel por analisar casos da Lava Jato e recursos decorrentes de condenaƧƵes impostas contra o petista.
A defesa de Lula pretende utilizar o material da Spoofing para reforçar as acusações de suspeição contra Moro e desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
A ação de Moro é assinada pela sua mulher, a advogada Rosângela Wolff Moro. Antes de assumir os casos da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, o então juiz atuou no gabinete de Rosa Weber no STF, auxiliando a ministra no processo do mensalão.
āMensagens imprestĆ”veisā
Moro também alegou ao Supremo que as mensagens apreendidas na Spoofing são ilegais, obtidas por criminosos, e imprestÔveis para quaisquer fins.
Em uma decisĆ£o de 19 pĆ”ginas, Rosa Weber apontou para a impossibilidade jurĆdica de o pedido ser aceito, devido Ć inadequação do instrumento processual utilizado e da falta de legitimidade de Moro de questionar a distribuição do caso.
āDaĆ a inviabilidade de invocarem-se regras regimentais de distribuição interna de processos ā pelo critĆ©rio da prevenção (de que caberia a Fachin analisar o pedido de Lula de acesso Ć s mensagens) ā no Ć¢mbito desta Corte, para, assim, cogitar de uma inconcebĆvel usurpação de competĆŖncia do STF pelo próprio STFā, observou a ministra, em decisĆ£o assinada na Ćŗltima sexta-feira (5/3).
āNo caso concreto, ainda hĆ” o agravante de que jĆ” submetida, a decisĆ£o reclamada, ao crivo da Segunda Turma desta Corte, que manteve, em sua integralidade, o ato decisório ora hostilizadoā, acrescentou Rosa Weber.
