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Maysa Bezerra

Qual seria o seu verbo?

Por Maysa Bezerra Fonte: Maysa Bezerra, ContilNet 22/06/2026 às 10:02

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Era um sábado comum ou pelo menos parecia ser.

Eu estava entre mulheres inspiradoras, em um daqueles encontros que começam leves, mas acabam tocando lugares profundos da alma. Em meio às conversas, uma delas compartilhou algo que imediatamente capturou minha atenção: segundo ela, cada pessoa carrega um verbo como propósito de vida.

O verbo dela era Cuidar.

Aquela afirmação permaneceu em minha mente.

Voltei para casa pensando sobre isso e percebi o quanto essa ideia faz sentido. Talvez, no fundo, todos nós sejamos movidos por um verbo. Uma palavra que nos define, nos impulsiona, nos acomoda em nossa essência e, ao mesmo tempo, nos desafia a viver com mais propósito.

Qual seria o seu?

Talvez o seu verbo seja Cuidar.

Cuidar de si.

Cuidar do outro.

Cuidar do que Deus colocou em suas mãos.

Tudo me lembrou a lembra de Clarice Lispector que escreveu que cuidar é uma forma silenciosa de amar. E, de fato, há amor em quem se faz presença, em quem observa detalhes, em quem acolhe sem precisar de muitas palavras.

Talvez o seu verbo seja Transformar.

Transformar dores em aprendizados.

Feridas em cicatrizes de superação.

Fracassos em degraus.

E Paulo Freire, que nos ensinou que ninguém transforma ninguém sozinho, crescemos e nos reconstruímos juntos, em comunidade, em troca, em conexão.

Talvez o seu verbo seja Persistir.

Persistir mesmo quando o caminho cansa.

Persistir quando o cenário parece desfavorável.

Persistir quando a vontade é parar.

A vida já me ensinou que descansar é necessário, mas desistir não pode ser a primeira opção. Há tempos em que tudo o que precisamos é respirar, reorganizar a alma e seguir.

Ou talvez seu verbo seja Iluminar.

Iluminar caminhos.

Inspirar pessoas.

Ser luz sem apagar a luz de ninguém.

Vivemos em tempos de comparações, competições silenciosas e disputas por reconhecimento. Mas maturidade é entender que a luz do outro não diminui a nossa. Pelo contrário: quando iluminamos juntos, o caminho se torna mais claro para todos.

Lembra de Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, que viveu anos em um campo de refugiados estudando comportamentos, nos lembra que o ser humano precisa de propósito para suportar as dores da existência. E talvez o nosso verbo seja justamente essa tradução prática do propósito.

E Fernando Pessoa que dizia carregar em si todos os sonhos do mundo. Talvez seu verbo fosse Sonhar.

Já Augusto Cury fala sobre coragem como uma ferramenta essencial da vida. Talvez, para muitos, o verbo seja Coragem.

No entanto, a verdade é que os verbos não se revelam apenas em grandes discursos. Eles aparecem no cotidiano. No nosso dia a dia.

Na mãe que ensina ao filho o valor da honestidade.

No profissional que decide inovar e transformar realidades.

No amigo que escuta em silêncio e oferece presença.

Na mulher que recomeça, mesmo sem garantias.

São nas pequenas atitudes que nosso verbo se manifesta.

Porque verbos não são apenas palavras.

São movimentos.

São escolhas.

São identidades.

E talvez a grande pergunta não seja apenas “qual é o seu verbo?”, mas também:

Você tem vivido de acordo com ele?

Seu verbo tem aparecido nas suas decisões?

Nas suas relações?

Na forma como você atravessa os dias?

Talvez o seu verbo seja Amar.

Talvez seja Construir.

Talvez seja Esperar.

Talvez seja Recomeçar.

Não existe resposta certa.

Existe verdade.

Descobrir seu verbo é descobrir aquilo que sustenta sua essência.

É encontrar uma palavra que, na prática, revela quem você é e o que veio deixar no mundo.

Por isso, hoje eu deixo essa reflexão com você:

Se a sua vida pudesse ser resumida em um verbo…

Qual seria?

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