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Maysa Bezerra

Setembro Amarelo: não basta falar, é preciso perceber

Por Maysa Bezerra 04/09/2026 21:35
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Todo setembro é a mesma coisa: o amarelo toma conta das redes sociais, aparecem frases sobre acolhimento, saúde mental, empatia e esperança.

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Mas faço uma pergunta incômoda:

Depois que a postagem desaparece, como estamos tratando as pessoas ao nosso redor?

Porque tem gente que sorri no trabalho, entrega resultados, cuida da família, responde “está tudo bem” e, por dentro, está simplesmente tentando suportar mais um dia.

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Os números mostram que não estamos falando de um problema distante.

Em 2025, mais de 546 mil benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram concedidos no Brasil, segundo dados da Previdência. Foi um aumento de aproximadamente 15% em relação a 2024.

Em 2024, foram 472.328 afastamentos por transtornos mentais, 68% a mais que em 2023. Ansiedade e depressão estão entre os principais motivos.

Isso tem nome, rosto e endereço.

Pode ser o colega que senta ao nosso lado.

A mãe que sustenta uma casa inteira.

O pai que não consegue falar sobre o que sente.

O jovem que se isola.

O profissional que está exausto, mas continua dizendo: “eu dou conta”.

E existe outro dado que precisa nos fazer parar.

Em 2023, foram registrados 16.025 suicídios no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

São números que não podem ser tratados apenas como estatística.

Cada número representa uma história, uma família, sonhos interrompidos e pessoas que ficaram.

Por isso, Setembro Amarelo não deveria ser apenas sobre publicar uma frase bonita.

É sobre perceber.

É perguntar e realmente esperar a resposta:

“Como você está?”

É notar quando alguém muda.

É não ridicularizar quem pede ajuda.

É não chamar sofrimento de frescura.

É não transformar o ambiente de trabalho em um lugar onde as pessoas precisam esconder que estão adoecendo.

E, principalmente, entender que acolher não significa resolver a vida do outro. Significa não deixá-lo enfrentar tudo sozinho e ajudá-lo a encontrar o suporte necessário.

Talvez a campanha deste ano precise sair um pouco das telas e entrar nas nossas relações.

Porque não adianta escrever “você não está sozinho” se, na vida real, não temos tempo para ouvir.

Setembro Amarelo não é só para falar sobre saúde mental. É para praticá-la.

Então, antes de compartilhar mais uma mensagem, olhe ao seu redor.

Quem está diferente?

Quem anda calado demais?

Quem você não procura há algum tempo?

Quem pode estar precisando de uma conversa?

Às vezes, aquilo que parece apenas um silêncio é um pedido de socorro que ainda não encontrou palavras.

Cuidar começa quando alguém deixa de ser apenas um número e passa a ser percebido como pessoa.

Ei… você pode contar comigo.

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