Quando se fala em creatina, a maioria das pessoas pensa imediatamente em academia, ganho de força e aumento de massa muscular. No entanto, pesquisas recentes vêm mostrando que esse suplemento pode ter funções que vão muito além dos músculos.
Nos últimos anos, cientistas passaram a investigar a relação entre a creatina e a saúde mental, especialmente em quadros de depressão. Embora ainda não seja considerada um tratamento para a doença, os resultados encontrados até agora têm despertado grande interesse da comunidade científica.
O que a creatina faz no cérebro?
A creatina é uma substância produzida naturalmente pelo organismo e também obtida por meio da alimentação, principalmente em carnes e peixes. Sua principal função é participar da produção de energia celular.
O que muita gente não sabe é que o cérebro é um dos órgãos que mais consomem energia no corpo. Para que neurônios funcionem adequadamente, processem informações e mantenham funções relacionadas ao humor, memória e concentração, é necessário um fornecimento constante de energia.
Alguns estudos sugerem que pessoas com depressão podem apresentar alterações no metabolismo energético cerebral. Nesse contexto, a creatina poderia atuar ajudando a melhorar a disponibilidade de energia para as células nervosas.
O que os estudos mostram?
As pesquisas realizadas até o momento apresentam resultados promissores.
Em alguns estudos clínicos, a suplementação de creatina associada ao tratamento convencional da depressão contribuiu para uma melhora mais rápida dos sintomas quando comparada ao uso isolado de antidepressivos.
Além disso, pesquisadores observaram benefícios relacionados à redução da fadiga mental, melhora da função cognitiva e maior sensação de disposição em determinados grupos de pacientes.
Os resultados mais consistentes foram encontrados em mulheres com transtorno depressivo maior, mas as investigações continuam avançando em diferentes populações.
Creatina substitui antidepressivos?
Não.
Apesar dos achados serem animadores, a creatina não deve ser vista como substituta do tratamento médico ou psicológico.
A depressão é uma condição complexa e multifatorial, que exige avaliação individualizada e acompanhamento profissional adequado.
Até o momento, a creatina tem sido estudada como uma estratégia complementar ao tratamento convencional, e não como terapia única.
Quem pode se beneficiar?
Embora ainda não exista uma recomendação formal para o uso da creatina no tratamento da depressão, alguns grupos têm sido alvo de maior interesse nas pesquisas, como:
- Pessoas com sintomas depressivos;
- Indivíduos com fadiga mental frequente;
- Vegetarianos e veganos, que costumam apresentar menores estoques corporais de creatina;
- Idosos com declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento.
O que podemos concluir?
A ciência ainda busca respostas definitivas, mas os estudos atuais indicam que a creatina pode exercer efeitos positivos além da performance física.
Seu papel na produção de energia cerebral abre uma nova perspectiva para pesquisas envolvendo saúde mental, cognição e qualidade de vida.
Embora não seja uma cura para a depressão, a creatina surge como uma ferramenta potencialmente útil dentro de uma abordagem mais ampla, que inclui alimentação adequada, atividade física regular, acompanhamento psicológico e tratamento médico quando necessário.
A saúde mental depende de diversos fatores, e cada vez mais a ciência mostra que aquilo que influencia o corpo também pode impactar diretamente o cérebro.
Referências científicas
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LYOO, I. K. et al. A randomized, double-blind placebo-controlled trial of oral creatine monohydrate augmentation for enhanced response to a selective serotonin reuptake inhibitor in women with major depressive disorder. American Journal of Psychiatry, v. 169, n. 9, p. 937-945, 2012.
DE LA CRUZ, J. et al. Creatine supplementation in mental health: a systematic review. Frontiers in Psychiatry, v. 15, 2024.
MORAES, H. S. et al. Creatine supplementation and depression in adults: a systematic review and meta-analysis. Nutrients, v. 15, n. 21, 2023.

Luana Diniz
Foto: Clara Lis
Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.
Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.
É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.
