Você sabe realmente o que tem no seu suplemento?
O mercado de suplementos cresceu muito nos últimos anos. Emagrecimento, ganho de massa muscular, melhora do desempenho, mais energia, menos fome: basta abrir as redes sociais para encontrar produtos prometendo algum desses resultados.
Mas uma notícia divulgada nesta segunda-feira, 17 de agosto, traz uma pergunta importante: você realmente sabe o que está consumindo?
A Anvisa determinou a proibição e o recolhimento de suplementos das marcas Newfit e Shark Pro após identificar irregularidades. No caso do Newfit, análises realizadas pelo Laboratório de Química da Unicamp encontraram sibutramina, fluoxetina e furosemida, substâncias que não estavam declaradas no rótulo. A agência considerou o achado indício de adulteração.
No caso da Shark Pro, foram apontadas falhas relacionadas ao controle de qualidade, armazenamento de matérias-primas, estudos de estabilidade, manutenção de equipamentos e rotulagem, entre outras irregularidades.
O episódio não significa que suplementos sejam ruins. Mas mostra por que procedência importa tanto quanto composição.
Natural não significa inofensivo
Uma das coisas que mais observo é a facilidade com que algumas pessoas começam a utilizar suplementos porque alguém indicou, porque viram nas redes sociais ou porque o produto promete ser “natural”.
Suplemento não deve ser sinônimo de produto sem risco.
Dependendo da composição, da dose, da procedência e das condições individuais de saúde, podem existir efeitos adversos e interações com medicamentos. E, quando existe uma substância que sequer está declarada no rótulo, o consumidor perde inclusive a possibilidade de saber ao que está sendo exposto.
No caso divulgado pela Anvisa, estamos falando de substâncias farmacológicas como sibutramina, fluoxetina e furosemida presentes sem declaração no rótulo.
Desconfie das promessas milagrosas
“Emagreça rapidamente.”
“Seque a barriga.”
“Controle totalmente sua fome.”
“Acelere seu metabolismo.”
“Ganhe massa muscular muito mais rápido.”
Quanto maior a promessa, maior deve ser o cuidado.
Suplementos podem ser excelentes ferramentas quando existe indicação. Creatina, proteínas, carboidratos, cafeína, vitaminas, minerais e diversos outros suplementos possuem aplicações específicas dentro da nutrição clínica e esportiva.
Mas suplemento deve complementar uma necessidade, e não tentar substituir alimentação, treinamento, sono ou tratamento adequado.
Como escolher um suplemento com mais segurança
Antes de comprar, observe quem fabrica o produto, procedência, informações de rotulagem, lista de ingredientes, quantidade dos nutrientes e alegações utilizadas na embalagem.
Também vale desconfiar de produtos vendidos exclusivamente por canais pouco confiáveis, fórmulas com promessas exageradas e produtos que prometem efeitos semelhantes aos de medicamentos.
A Anvisa estabelece regras para ingredientes, limites de uso e alegações permitidas em suplementos alimentares. Em fiscalizações recentes, a própria agência também tem identificado problemas como produtos sem regularização, ausência de controle de qualidade, falhas de rastreabilidade e nutrientes em quantidades diferentes das declaradas.
Mais suplemento não significa mais resultado
Na nutrição esportiva, esse ponto merece atenção especial.
Uma pessoa pode consumir whey, creatina, pré-treino, vitaminas e diversos outros produtos e ainda assim apresentar resultados ruins se alimentação, treinamento e recuperação não estiverem adequados.
Antes de perguntar “qual suplemento devo tomar?”, talvez a pergunta mais importante seja: eu realmente preciso suplementar alguma coisa?
A resposta depende do objetivo, alimentação, rotina, modalidade esportiva, volume de treinamento, exames e condições individuais.
Informação também faz parte da saúde
A notícia desta semana não deve gerar medo de todos os suplementos. Deve gerar consciência.
Suplementação séria tem espaço tanto na nutrição clínica quanto esportiva. Mas precisa existir critério.
Comprar um produto porque ele viralizou, porque um influenciador indicou ou porque promete um resultado rápido não é o mesmo que receber uma indicação individualizada.
O nutricionista é o profissional capacitado para avaliar a necessidade de suplementação dentro do planejamento alimentar, definir doses e estratégias de acordo com cada objetivo e orientar escolhas mais seguras.
Quando existe treinamento envolvido, o acompanhamento do educador físico também é fundamental para que suplementação, alimentação e exercício façam parte de uma estratégia coerente.
Resultado não depende de consumir o maior número possível de suplementos. Depende de utilizar aquilo que realmente faz sentido para você.
Referências científicas
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Regulamentação e fiscalização de suplementos alimentares. Brasília: Anvisa.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 243, de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre os requisitos sanitários dos suplementos alimentares.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018. Estabelece listas de constituintes, limites de uso, alegações e rotulagem complementar dos suplementos alimentares.
MAUGHAN, R. J. et al. IOC consensus statement: dietary supplements and the high-performance athlete. British Journal of Sports Medicine, v. 52, n. 7, p. 439–455, 2018.
Luana Diniz
Foto: Clara Lis
Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.
Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.
É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.