Alysson Bestene ainda nem completou dois meses à frente da prefeitura de Rio Branco, mas já começa a consolidar uma imagem rara para quem assume um mandato herdado: a de alguém que entendeu rapidamente o tamanho da função e a expectativa criada em torno dela.
Em pouco tempo, o prefeito conseguiu fazer com que seu nome deixasse de aparecer apenas ligado à sucessão de Tião Bocalom e passasse a ser associado a um estilo próprio de gestão. E isso já começa a ser percebido fora do ambiente político.
Pela cidade, o assunto entrou nas conversas cotidianas. Em bairros da capital, moradores comentam sobre a postura mais presente da prefeitura e sobre a impressão de que Alysson assumiu disposto a imprimir ritmo próprio à administração. É o tipo de percepção que costuma surgir quando a população começa a notar sinais concretos de comando.
Alysson parece estar fazendo bem o dever de casa. Sem movimentos espalhafatosos, vai construindo uma gestão que, neste início, transmite estabilidade e organização. Para um prefeito que assumiu recentemente, é um começo politicamente relevante.
Se conseguir manter esse ambiente favorável ao longo dos próximos anos, a tendência é chegar em 2028 em posição confortável para discutir reeleição.
Roberta Lins ocupa espaço além do protocolo
Quem também começou a chamar atenção neste início de gestão foi a primeira-dama Roberta Lins.
Distante de uma atuação apenas simbólica, ela passou a se dedicar diretamente a ações sociais e iniciou um movimento que rompe o estereótipo tradicional do cargo.
Roberta criou um gabinete voltado à assistência social sem gerar custos ao erário público e começou as atividades promovendo distribuição de alimentos e agasalhos para pessoas em situação de rua no centro de Rio Branco.
A movimentação tem ajudado a construir uma imagem de participação efetiva dentro da gestão, sem ficar limitada a agendas protocolares ou cerimoniais.
Mailza muda tom, afia discurso e mostra segurança diante da imprensa
Uma mudança de postura da governadora Mailza Assis começou a ficar evidente nos últimos dias, principalmente na forma como vem respondendo à imprensa e conduzindo entrevistas.
Conhecida por um estilo mais sereno, de fala baixa e postura discreta, Mailza continua mantendo a imagem de política calma e elegante, mas passou a demonstrar mais firmeza e clareza nas respostas.
A diferença ficou evidente durante participação no podcast Em Cena, do jornalista Everton Damasceno. Diante de perguntas mais delicadas, a governadora respondeu com segurança, raciocínio rápido e um discurso claramente alinhado ao que queria transmitir.
Sem elevar o tom, Mailza mostrou domínio das pautas e conseguiu escapar de armadilhas comuns de entrevistas políticas mais tensas.
Jorge recorre à memória da era petista e traz Binho de volta ao cenário
O ex-senador Jorge Viana começou a mover peças importantes de sua pré-campanha ao Senado e um dos movimentos mais simbólicos foi a aproximação com o ex-governador Binho Marques.
Discreto nos últimos anos, Binho reaparece justamente no momento em que Jorge tenta reconstruir a conexão com o período mais forte do PT no Acre.
A estratégia parece clara: revisitar nomes que marcaram a antiga Frente Popular e ainda despertam lembranças positivas em parte do eleitorado acreano.
Binho segue sendo associado a uma gestão bem avaliada e a uma imagem de político técnico e moderado.
Angelim deve ser outro nome resgatado por Jorge na corrida eleitoral
Depois de trazer o ex-governador Binho Marques de volta ao entorno da pré-campanha, o ex-senador Jorge Viana também deve apostar em outro nome histórico do PT acreano: o ex-prefeito de Rio Branco e ex-deputado Raimundo Angelim.
Angelim segue sendo uma figura lembrada com simpatia mesmo fora dos limites do eleitorado petista. Até hoje, seu período à frente da prefeitura de Rio Branco costuma ser citado em conversas políticas da capital como uma gestão bem avaliada.
Nikolas veio, viralizou e foi embora. E o Acre ganhou o quê?
A passagem do deputado federal Nikolas Ferreira pelo Acre teve de tudo: multidão, gravação de vídeos, discursos inflamados, selfies e forte movimentação nas redes sociais. O que ainda não apareceu foi o resultado prático da visita.
Depois de três dias circulando pelo estado, fica difícil responder exatamente o que o Acre ganhou além de cortes para internet e engajamento político.
Nikolas desembarcou cercado pela imagem de quem vinha conhecer a realidade amazônica e defender pautas locais. Mas a sensação que ficou para muita gente foi a de mais um político de fora tratando o Acre quase como cenário de campanha.
A situação ficou ainda mais constrangedora quando o parlamentar afirmou, já em Rio Branco, que imaginava que o Acre “só tinha índio”. A declaração soou como aquelas piadas antigas repetidas por quem nunca fez questão de entender minimamente o estado e sua população.
No fim das contas, Nikolas chegou como uma espécie de fenômeno político importado, mobilizou apoiadores, produziu conteúdo e foi embora deixando uma dúvida simples no ar: o que muda na vida do acreano depois dessa visita?
A obsessão com Marina em pleno Acre
Outra cena que chamou atenção durante a passagem de Nikolas Ferreira pelo Acre foi a insistência em transformar a ex-ministra Marina Silva em alvo de ataques e provocações, mesmo estando no estado onde ela nasceu e construiu sua trajetória política.
A pergunta que ficou para muita gente foi simples: pra quê?
Nikolas passou boa parte da agenda criando embates em torno do nome de Marina, como se a política acreana pudesse ser resumida a uma guerra ideológica permanente contra ela. O problema é que, gostem ou não dela, Marina segue sendo um dos nomes acreanos mais conhecidos do país e do exterior.
E existe uma ironia nisso tudo: enquanto parte da direita local tenta transformar Marina em inimiga pública número um dentro do próprio Acre, ela aparece liderando pesquisas de intenção de voto para o Senado em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.


