A indefinição em torno da vice na chapa de Mailza Assis começa a produzir um efeito político negativo. O que poderia representar articulação e antecipação estratégica virou fonte de questionamentos.
Há semanas, o presidente estadual do MDB, Vagner Sales, anunciou publicamente a filha, Jéssica Sales, como vice-governadora na composição com Mailza. Disse ainda que a oficialização ocorreria em evento com a presença do presidente nacional do partido. O problema é que o tempo passou, o evento não aconteceu e o anúncio formal segue sem data.
Na política, criar expectativa e não entregar o prometido costuma abrir espaço para dúvidas.
Mailza foi a primeira entre os nomes colocados para 2026 a expor a escolha de vice. Saiu na frente. Poderia capitalizar o gesto como sinal de organização e aliança consolidada. Mas o movimento perdeu força pela demora na confirmação oficial e, principalmente, pelo silêncio de Jéssica.
Desde que teve o nome lançado, Jéssica não fez declaração pública sobre o convite, não concedeu entrevista e não confirmou diretamente participação na chapa. Nas redes sociais, publicou apenas uma montagem ao lado de Mailza com a frase: “Elas vão fazer história nesse estado.” E nada além disso.
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A ausência de manifestação alimenta interpretações diversas. Passa a impressão de que a decisão não está fechada ou de que a própria anunciada não demonstra entusiasmo com a composição.
Também continuam circulando comentários de que Jéssica teria preferência por uma candidatura ao Senado, possibilidade especulada desde o ano passado.
Para Mailza, o saldo até aqui é ruim: antecipou uma escolha que ainda não se materializou e convive agora com uma vice que, até o momento, não entrou em campo.
Em pré-campanha, silêncio demais também comunica. E neste caso comunica incerteza.
Alan Rick acelera escolha do vice após ruído na chapa adversária
Enquanto a pré-campanha de Mailza Assis enfrenta desgaste com a indefinição em torno da vice, o senador Alan Rick se movimenta para não repetir o mesmo erro.
Principal adversário de Mailza na disputa pelo governo, Alan já iniciou as tratativas para fechar o nome que vai compor sua chapa. A avaliação é de que vice não pode virar problema político nem fonte de especulação prolongada.
Hoje, três nomes aparecem no radar: Ricardo Leite, Fernanda Hassem e Ana Paula Correia. Todos são vistos como opções capazes de agregar politicamente e ampliar diálogo regional e partidário.
A leitura no grupo de Alan é simples: diante do ruído criado do outro lado, quem conseguir apresentar uma composição definida, alinhada e sem turbulência pode sair na frente.
Thor e Bocalom mantêm mistério sobre vice, mas em cenários distintos
Se Alan Rick já começou a se mover para definir o nome do vice, os outros dois pré-candidatos ao governo ainda evitam dar pistas sobre quem deve compor chapa em 2026.
No caso de Thor Dantas, a tarefa tende a ser mais simples do ponto de vista político. A aliança construída em torno de sua candidatura reúne, até aqui, sete partidos: PSB, PT, PV, PCdoB, Rede, PSOL e Podemos. Com esse leque amplo, o médico ganha margem para negociar espaços, contemplar diferentes correntes e buscar um nome de equilíbrio entre capital e interior.
Já Tião Bocalom vive cenário oposto. Até o momento, joga o jogo apenas com o PSDB. Sem uma frente partidária mais robusta consolidada, o ex-prefeito de Rio Branco tem menos cartas na mesa para usar na composição e depende de novas adesões para ampliar o campo de escolha.
Bestene fecham com Mailza e isolam Alysson no grupo da família
Uma das famílias mais tradicionais e influentes da política acreana caminha para se posicionar majoritariamente ao lado de Mailza Assis em 2026.
A sinalização foi dada pelo secretário de Saúde e ex-deputado José Bestene, durante entrevista ao Em Cena, podcast do ContilNet, ao afirmar que a família Bestene deve marchar com Mailza na disputa pelo governo. A declaração chama atenção porque destoa da posição do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, sobrinho de José, que segue politicamente alinhado ao ex-prefeito Tião Bocalom.
O movimento indica que, apesar da ligação familiar, a maioria do clã escolheu outro rumo eleitoral.
A família Bestene já viveu momentos de divisão em eleições passadas, com integrantes em campos distintos. Desta vez, porém, o cenário parece diferente: houve recomposição interna e convergência em torno de Mailza.
Nesse desenho, Alysson surge como voz isolada dentro do núcleo familiar, mantendo fidelidade ao grupo de Bocalom enquanto os demais parentes caminham em outra direção.
