Ação contra ligações irregulares de energia afeta famílias e gera protesto em RB
Uma operação contra ligações clandestinas e irregulares de energia elétrica motivou um protesto de moradores na entrada do bairro Apolônio Sales, em Rio Branco, no final da tarde desta segunda-feira (14). A intervenção, realizada no início da manhã, interrompeu o fornecimento em mais de 200 residências nas comunidades Vasco da Onça, Jaguar e Paraíso.
A ação teve como foco a remoção das conexões informais na rede de distribuição local. Equipes técnicas recolheram os cabos e a fiação utilizados para abastecer as moradias sem o devido registro comercial.
Apesar de reconhecerem que o fornecimento ocorria por meio de ligações não regularizadas, os moradores questionam a forma como o desligamento foi efetuado. Segundo Dje Cavalcante, uma das lideranças comunitárias que organizaram o ato, não houve notificação prévia sobre o recolhimento dos cabos e a interrupção abrupta do serviço.
O desligamento das conexões irregulares afetou cerca de 200 das 300 famílias que residem no complexo de comunidades. Entre os atingidos estão idosos, crianças e moradores que dependem de aparelhos de saúde com funcionamento elétrico contínuo.
Segundo a liderança do movimento, a comunidade não se opõe à formalização dos contratos ou ao pagamento do consumo elétrico. A cobrança principal é por um processo de transição que permita a adequação técnica da rede para atender os imóveis habitados.
“Ninguém está se recusando a regularizar. Sabemos que a situação atual não está certa, mas a empresa deveria sentar, negociar e notificar as pessoas em vez de simplesmente recolher a fiação e deixar todos no escuro”, pontuou Dje Cavalcante.
A moradora reforçou que o bairro Vasco da Onça tem mais de duas décadas de ocupação e possui outros serviços consolidados, como pavimentação e abastecimento de água tarifado, o que reforçaria a necessidade de um plano de regularização da rede elétrica para os moradores de baixa renda.
Durante a manifestação, os moradores solicitaram o acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e de órgãos de assistência social para intermediar as tratativas de regularização com a concessionária.