O governo do Estado do Acre oficializou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) técnico com foco exclusivo na avaliação e no monitoramento de ações voltadas ao enfrentamento de crises climáticas e eventos extremos. A medida administrativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (16). A iniciativa visa estruturar mecanismos institucionais para atenuar os prejuízos causados pelas oscilações do clima no setor produtivo.
A comissão interna é constituída por sete membros integrantes do quadro da própria secretaria. A equipe terá como atribuições principais acompanhar a evolução de fenômenos meteorológicos agudos, analisar dados técnicos sobre as transformações climáticas na Região Norte e delimitar quais comunidades rurais e regiões agrícolas apresentam maior índice de vulnerabilidade social e econômica diante de cenários adversos.
A portaria que normatiza o grupo de trabalho estipula um prazo regulamentar de 180 dias, contados a partir da data de publicação do ato, para a conclusão das atividades de campo e de escritório. Ao término desse intervalo, os integrantes deverão protocolar um relatório final conclusivo. O documento precisa apresentar um diagnóstico detalhado da situação atual, recomendações técnicas e propostas de políticas públicas direcionadas à proteção do agronegócio e da agricultura familiar.

Grupo mapeará as comunidades mais vulneráveis a estiagens e chuvas fora de época/ Foto: Reprodução
De acordo com a secretária de Agricultura do Acre, Temyllis Silva, a volatilidade do clima na Amazônia exige a formulação de planos de contingência permanentes para estabilizar a atividade dos agricultores de subsistência e de escala comercial.
“Enfrentamos períodos de seca, chuva fora de época e calor extremo. Nosso objetivo é reduzir os impactos e fazer com que nossa população, especialmente aqueles que produzem em nosso estado, tenha condições de lidar com as mudanças climáticas que, ano após ano, assolam o Acre”, argumenta a titular da pasta.
A estratégia busca unificar os departamentos internos da Seagri para evitar respostas tardias ou isoladas durante crises severas, como as secas prolongadas que historicamente afetam a navegabilidade dos rios e o abastecimento de insumos nas propriedades rurais acreanas.
O diretor de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio da Seagri, Thiago Almeida, explica que o foco do comitê está centrado na manutenção das atividades no campo de forma viável. A proposta prevê dotar o produtor local de ferramentas de resiliência que permitam a continuidade da produção mesmo sob forte pressão ambiental.
A integração do corpo técnico deve acelerar a transferência de dados meteorológicos para as frentes de assistência técnica que atuam diretamente nos municípios do interior. Com a consolidação dos dados ao longo dos próximos seis meses, o relatório servirá de base para o direcionamento de recursos estaduais em programas de sustentabilidade, proteção de pastagens e manejo de recursos hídricos na agropecuária.


