Aviões que iam para o Brasil e a Espanha evitam colisão após alerta

Sistema automático evitou choque entre Airbus da Iberia e Boeing da Air Europa a 11 km de altitude

Por Fhagner Soares, ContilNet 18/07/2026 às 18:36
Aviões da Iberia e Air Europa evitam colisão em pleno voo sobre o Oceano Atlântico/ Foto: Reprodução

Dois aviões comerciais que cruzavam o Oceano Atlântico em direções opostas quase colidiram em pleno voo na madrugada da última sexta-feira (10). As aeronaves operavam na mesma altitude, estabilizadas a 36 mil pés (cerca de 11 quilômetros de altura), quando o sistema automático anticolisão de bordo emitiu um aviso de emergência, permitindo que os pilotos realizassem manobras evasivas de desvio.

O incidente de segurança aérea ocorreu em uma região próxima à costa do continente africano, no espaço aéreo correspondente ao Saara Ocidental, fora da jurisdição de controle brasileira. Os detalhes do caso foram revelados na última quinta-feira (16) pelo portal especializado internacional The Aviation Herald.

O quase acidente envolveu duas companhias aéreas espanholas de grande porte. Um dos aparelhos era um Airbus A321 XLR, sob matrícula EC-OLE, operado pela empresa Iberia, que cumpria o trajeto entre o aeroporto de Recife (PE) e a cidade de Madri.

A outra aeronave envolvida no episódio era um Boeing 787-9 Dreamliner, de prefixo EC-ODH, pertencente à frota da Air Europa, que fazia o sentido inverso, tendo decolado da capital espanhola com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

De acordo com os registros técnicos da publicação, os jatos entraram em rota de colisão frontal. O conflito de tráfego ativou o TCAS (Traffic Alert and Collision Avoidance System), um equipamento computadorizado independente do controle de solo considerado a última barreira de proteção para evitar colisões aéreas.

Ao detectar a aproximação perigosa, o sistema computadorizado coordenou as ordens de fuga de forma simultânea para as duas cabines de comando. O painel do Airbus da Iberia instruiu o piloto a iniciar uma descida imediata, enquanto o comando eletrônico do Boeing da Air Europa ordenou que a tripulação subisse.

Os comandantes de ambos os jatos executaram as orientações com precisão e reestabeleceram a separação segura de tráfego. Após o susto, as duas viagens prosseguiram sem novos incidentes até os seus respectivos aeroportos de destino.

Em condições normais de navegação, o TCAS não deve ser acionado. A aviação comercial utiliza aerovias rígidas, que determinam altitudes separadas e específicas de acordo com o rumo magnético da viagem para impedir o cruzamento de trajetórias.

As autoridades aeronáuticas e as companhias envolvidas ainda não se manifestaram publicamente sobre o que provocou a falha no planejamento ou no monitoramento que permitiu que os dois aviões ocupassem a mesma faixa de altitude na mesma coordenada.

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