Cartão de crédito representa metade das renegociações de dívidas no país
O cartão de crédito se consolida como a principal causa de inadimplência entre as famílias brasileiras. Dados do programa Desenrola Brasil apurados pela plataforma Acordo Certo indicam que 50% de todas as renegociações de débitos efetuadas até o momento são referentes a pendências na fatura dessa modalidade.
Ao todo, a plataforma contabilizou mais de 89 mil acordos firmados desde o início do programa, dos quais aproximadamente 44,5 mil tratavam exclusivamente de dívidas acumuladas no cartão.
Em segundo lugar na lista de conciliações surgem os empréstimos pessoais, que representam 12% dos contratos, somando cerca de 11 mil acordos. Embora com volume menor de operações, o empréstimo pessoal registra um valor médio por contrato superior: R$ 2.473, ante o valor médio de R$ 1.616,11 observado nas renegociações de cartão de crédito.
Estatísticas do Banco Central indicam que o uso do crédito rotativo — acionado quando o consumidor não efetua o pagamento integral da fatura — cobra taxas de juros que oscilam entre 428% e 440,5% ao ano. O levantamento da autoridade monetária revela ainda que o cartão de crédito responde por mais da metade do comprometimento da renda mensal de 83,6% dos lares endividados do país.
Segundo Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Acordo Certo, o expressivo volume de acordos reflete a dependência diária da população em relação a essa ferramenta de crédito para o custeio de despesas rotineiras.
O programa Desenrola Brasil é voltado a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 em valores de 2026). A iniciativa abrange débitos de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais contratados até 31 de janeiro deste ano.
Entre as condições oferecidas estão descontos de até 90% sobre o saldo devedor, parcelamento em até 48 vezes, taxa de juros limitada a 1,99% ao mês e a possibilidade de uso do saldo acumulado no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das parcelas.