Viajar de ônibus permaneceu como a alternativa mais viável para o bolso dos brasileiros no primeiro semestre de 2026. A vantagem competitiva do transporte rodoviário ficou ainda mais evidente diante da escalada nos preços das passagens aéreas.
Enquanto as tarifas de ônibus registraram uma alta média nacional de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, os bilhetes de avião dispararam 23,1% — uma elevação quase quatro vezes maior.
Os dados constam do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), elaborado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Na divisão por regiões geográficas, o Norte do país registrou um dos menores reajustes nas tarifas de ônibus no acumulado do primeiro semestre de 2026. Os bilhetes rodoviários na região subiram 3,9%, ficando abaixo da média nacional de 6,3%.
O índice do Norte mostra-se significativamente mais moderado do que o de outras áreas do país, como o Centro-Oeste e o Sudeste:
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Centro-Oeste: liderou a alta nacional com 10,2% de reajuste;
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Sudeste: registrou alta acumulada de 8,2%;
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Nordeste: teve aumento de 4,4%;
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Norte: acumulou alta de 3,9%;
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Sul: apresentou a menor variação do país, com 1,9%.
Para a população da região Norte, onde as distâncias territoriais são continentais e a infraestrutura de transportes enfrenta desafios históricos de integração física, a menor variação do preço do ônibus ajuda a mitigar o isolamento provocado pela alta dos bilhetes de avião.
A disparidade entre os dois meios de transporte atinge seu nível máximo quando isolado o mês de junho de 2026 em comparação com junho de 2025.
Nesse recorte anual de 12 meses, as passagens de ônibus subiram 7% no Brasil, índice próximo à inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou em 4,6%. Em contrapartida, as tarifas aéreas encareceram 52,4%. Na prática, voar ficou 7,5 vezes mais caro do que viajar pelas rodovias no início do período de férias.
Historicamente, o transporte rodoviário tem se mantido mais estável. Desde dezembro de 2017, início da série histórica do IRCB, as passagens de ônibus acumulam alta de 59,8% no país, enquanto as passagens de avião acumulam alta de 80,9% no mesmo período.
No âmbito geral do setor rodoviário nacional, o levantamento da ClickBus e da Fipe detalhou o comportamento dos preços por categoria de serviço e distância:
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Distância: Os trajetos curtos (de até 100 km) sofreram o maior impacto, com alta de 10,1% no semestre. Já as viagens de longa distância (acima de 400 km) subiram 5,9%.
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Categoria: Os assentos da classe cama lideraram os reajustes com alta de 8,8%, seguidos pelas classes convencional (6,9%), semileito (6,2%), leito (6%) e executivo (4,4%).
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Abrangência: Viagens interestaduais encareceram mais (7,6%) do que as linhas intermunicipais (5,9%).
O estudo também revela que as empresas de ônibus absorveram parte da pressão inflacionária de seus custos operacionais. O preço do óleo diesel, principal insumo do setor rodoviário, registrou alta de 8,5% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior.
Como o reajuste médio das passagens de ônibus foi de 6,3%, os técnicos da Fipe apontam que as operadoras de transporte não repassaram integralmente a elevação do combustível para o consumidor final nas rodoviárias brasileiras.
